Senador tem encontro com Caiado nesta terça, enquanto presidente volta a defender reforma do JudiciárioA corrida pelo segundo turno começou com movimentos em direções opostas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto o candidato do PL trabalha para ampliar a frente política a seu favor e transformar o resultado do primeiro turno em uma rede de apoios, o presidente busca explicar o revés nas urnas e passou a direcionar críticas ao Supremo Tribunal Federal. O segundo turno da disputa será realizado em 25 de outubro.Flávio terminou a primeira rodada à frente, com 56,1 milhões de votos (47,03%), contra 53,8 milhões (45,16%) de Lula — uma diferença de aproximadamente 2,3 milhões de votos. O senador agora se movimenta para incorporar ao seu palanque candidatos que ficaram pelo caminho e lideranças políticas com capacidade de transferência de votos. Já o petista tenta reorganizar sua campanha em busca de uma virada.Quem já declarou apoio a Flávio?O primeiro movimento de peso veio de Romeu Zema. O ex-governador de Minas Gerais formalizou na segunda-feira seu apoio a Flávio no segundo turno, depois de terminar a disputa presidencial em posição distante dos dois finalistas. A adesão reforça a tentativa do candidato do PL de reunir em torno de sua candidatura diferentes grupos da direita. O ex-presidente Michel Temer também declarou apoio a Flávio após o primeiro turno.Nesta terça-feira, o candidato do PL se encontra com Ronaldo Caiado, que também disputou o primeiro turno e terminou em quinto lugar, com 2,18% dos votos, ou 2,6 milhões de sufrágios. A reunião em Goiânia tem como objetivo formalizar o apoio do ex-governador de Goiás ao candidato do PL. O governador reeleito Daniel Vilela também deve participar do ato e declarar apoio a Flávio.O encontro tem peso adicional porque Caiado passa a integrar formalmente a frente de oposição a Lula. A estratégia de Flávio é, assim, reunir ao seu redor parte dos candidatos que disputaram o primeiro turno pela direita e ampliar o palanque para a etapa final da eleição.Que outros apoios Flávio tenta conquistar?Além de Zema e Caiado, a campanha de Flávio trabalha para incorporar nomes com influência regional. No Rio de Janeiro, o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, deve se alinhar ao senador na disputa presidencial. O deputado estadual Márcio Canella também é esperado no palanque. A expectativa é que essas alianças ajudem a converter o apoio político em votos na Baixada Fluminense.O movimento mostra que, para o segundo turno, a campanha de Flávio busca não apenas declarações públicas de apoio, mas estruturas partidárias e lideranças capazes de mobilizar eleitorado nos estados. A adesão de Caiado, em particular, representa a incorporação de um ex-adversário que obteve mais de 2,6 milhões de votos na primeira rodada.Por que Lula passou a mirar o STF?Do outro lado, Lula iniciou o segundo turno discutindo as razões para o desempenho abaixo do esperado por sua campanha. Em reunião com aliados na segunda-feira, o presidente afirmou que a candidatura carrega “uma coisa muito grave”, que chamou de “a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias”.A declaração veio acompanhada da defesa de uma nova reforma do Judiciário. Lula afirmou que é necessário discutir os critérios para a escolha dos ministros do STF e a possibilidade de estabelecer mandato para os integrantes da Corte. Também disse que o Supremo está sob “desconfiança da sociedade” e defendeu que “ninguém está acima da lei”, incluindo os ministros do tribunal.O movimento coloca o Judiciário no centro da estratégia de Lula para o segundo turno. Em vez de tratar o resultado apenas como consequência de escolhas da própria campanha, o presidente passou a relacioná-lo também ao desgaste provocado pelas denúncias que atingiram a Corte.Lula está procurando os responsáveis pelo resultado?Em análise, o colunista José Casado registra que Lula ainda demonstra dificuldade para atribuir a si próprio a responsabilidade pelo resultado. Depois da apuração, o presidente chegou a questionar: “Será que o povo está certo e estamos errados?”. Na reunião com aliados, afirmou ainda: “Às vezes o povo não vota porque o povo não nos compreendeu”.Ao mesmo tempo, Lula reconheceu que a campanha terá de mudar de estratégia. Pediu aos aliados que busquem recuperar os cerca de 30 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno e defendeu que o segundo turno seja marcado pela comparação entre as trajetórias e os programas dos dois candidatos.O presidente também sustentou que ainda há condições de vencer a eleição. A diferença de 2,3 milhões de votos para Flávio, contudo, obriga o PT a buscar novas estratégias para a reta final.O post Flávio amplia rede de apoios para 2º turno; Lula mira STF e busca culpados apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.