As ações ligadas ao setor financeiro estão entre os principais destaques da forte alta da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições.A B3 (B3SA3) encerrou o pregão em alta de 22,63%, a R$ 23,30, enquanto o BDR da XP (XPBR31) avançou 24,43%, a R$ 139,61. As ações do BTG Pactual (BPAC11) saltaram 22,52%, a R$ 80,89. Durante a sessão, B3SA3 chegou a R$ 24,28, XPBR31 a R$ 144,79 e BPAC11 a R$ 84,59.O movimento também se espalhou pelos grandes bancos. Bradesco (BBDC4) terminou com alta de 13,57%, Itaú (ITUB4) avançou 10,37% e Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 11,00%. Itaúsa (ITSA4), por sua vez, subiu 11,52%.O Ibovespa encerrou a sessão em alta de 7,70%, aos 206.911 pontos. Durante o pregão, o principal índice da B3 chegou aos 209.605,70 pontos, maior nível intradiário da história.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Ibovespa tem dia de euforia e chega aos 209 mil pontosBolsa brasileira ganha mais de 17 mil pontos na sessão de hojePetrobras, Vale, Itaú e BB após eleição: até onde ações podem subir?Reação dos ativos brasileiros em Nova York aumenta expectativa para a abertura; gráficos mostram resistências e suportes de PETR4, VALE3, ITUB4 e BBAS3Por que B3, XP e bancos sobem tanto?A intensidade do movimento no setor financeiro está relacionada principalmente à forte queda dos juros futuros e à mudança de percepção dos investidores sobre o cenário fiscal após o primeiro turno.Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, destaca que a revisão das expectativas para as contas públicas provocou um ajuste relevante na curva de juros. Segundo ele, o recuo dos DIs reduz o custo de oportunidade para a Bolsa e também a taxa utilizada pelo mercado para descontar os resultados futuros das empresas.Para os bancos, há ainda um efeito diretamente relacionado ao crédito. Juros futuros menores podem aliviar o custo de financiamento e reduzir pressões sobre a inadimplência de empresas e famílias, cenário que, na avaliação de Perri, favorece um processo de desalavancagem menos intenso.Esse movimento ajuda a explicar por que Bradesco, Itaú e Banco do Brasil terminaram o pregão com ganhos superiores aos do próprio Ibovespa.No caso de B3 e XP, a reação é ainda mais intensa porque os negócios das duas companhias estão diretamente ligados à atividade dos mercados financeiros. Um ambiente de maior fluxo para ações, crescimento dos volumes negociados e eventual retomada do mercado de capitais tende a beneficiar receitas de negociação, distribuição e investimentos.A queda dos juros também aumenta a atratividade relativa da renda variável diante da renda fixa, outro fator que pode favorecer empresas cuja atividade depende diretamente da participação dos investidores no mercado.Juros, dólar e fluxo estrangeiro entram na contaO movimento ocorre depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo os resultados divulgados após a apuração. A nova composição do Congresso e dos governos estaduais também entrou nas contas dos investidores.Perri afirma que o mercado passou a incorporar uma expectativa de maior controle da dívida pública e de mudanças na política fiscal. Trata-se, neste momento, de uma expectativa dos investidores, e não de medidas econômicas já implementadas.A reação apareceu simultaneamente nos principais mercados ao longo da sessão: Bolsa em forte alta, juros futuros em queda e valorização do real. O Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos durante o dia e fechou com ganho de 7,70%, aos 206.911 pontos.Para Perri, a queda do dólar também reflete dois canais: a redução da percepção de risco atribuída ao Brasil e a expectativa de entrada de capital estrangeiro na Bolsa, que aumenta a oferta de moeda americana no mercado.O economista pondera, porém, que, após um movimento tão intenso, realizações pontuais de lucro podem ocorrer até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. The post B3 e XP disparam mais de 20%, e bancos sobem mais de 10% após eleição; entenda appeared first on InfoMoney.