Construtoras disparam após rali eleitoral: quais ações ainda têm espaço para subir?

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As construtoras estiveram entre as grandes protagonistas do rali da Bolsa após o primeiro turno das eleições, sobretudo as companhias de média e alta renda, mais sensíveis à trajetória dos juros.Depois da disparada, porém, a pergunta para o investidor muda: ainda há espaço para subir e, se houver, quais ações parecem mais interessantes agora?O Goldman Sachs calcula que as incorporadoras brasileiras tiveram, como grupo, o melhor desempenho relativo ao Ibovespa no pregão posterior ao primeiro turno entre os ciclos eleitorais analisados. Em média, as empresas superaram o índice em 3,2 pontos percentuais, contra 2 pontos em 2018 e 0,5 ponto em 2014 e 2022.A liderança ficou justamente com média e alta renda. A Cyrela (CYRE3) superou o Ibovespa em 10,7 pontos percentuais, enquanto a Eztec (EZTC3) ficou 9,2 pontos acima. O índice avançou 7,7% no pregão analisado pelo Goldman.A reação foi muito mais contida entre as incorporadoras de baixa renda. A Direcional (DIRR3) praticamente acompanhou o índice, superando-o em apenas 0,3 ponto, enquanto Cury (CURY3) e Tenda (TEND3) ficaram, respectivamente, 0,9 e 3,7 pontos percentuais abaixo. A exceção foi MRV (MRVE3), 3,7 pontos acima do Ibovespa.Essa divisão é central para entender o novo momento do setor.Por que média e alta renda viraram as favoritas?A mudança pós-eleitoral está na expectativa para os juros, com o JPMorgan passando a enxergar maior probabilidade de um cenário fiscal que permita compressão das taxas longas. Como os segmentos de média e alta renda dependem mais das condições gerais de financiamento, a redução dos juros poderia favorecer tanto a demanda por imóveis quanto os múltiplos que investidores estão dispostos a pagar pelas incorporadoras.Essa mudança levou o banco a promover uma rotação explícita dentro do setor: Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) foram elevadas de neutro para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), enquanto Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) foram rebaixadas de overweight para neutro. MRV (MRVE3) permanece neutra.Leia tambémComprar ou realizar? O que fazer na Bolsa e na renda fixa após o rali do 1º turnoGestores e analistas divergem sobre o fôlego do rali na Bolsa e nos títulos públicos; veja o que fazer com a carteira nesse momentoAssim, a ordem de preferência agora é Cyrela, Eztec, MRV, Direcional, Cury e Tenda. Há precedente para essa aposta, já que em 2018, entre o primeiro e o segundo turnos, Cyrela e Eztec tiveram expansão de 12% a 27% no P/L (preço sobre lucro) e de 14% a 17% no preço sobre valor patrimonial. Em um horizonte de um ano, a reprecificação chegou a 112% no P/VP (preço/valor patrimonial) da Cyrela e 64% no da Eztec.Cyrela: maior consenso positivoUma ação que aparece mais claramente como preferida depois do rali é a da Cyrela (CYRE3). O JPMorgan elevou o papel para overweight e trabalha com preço-alvo de R$ 34,50 para dezembro de 2027. A tese está na maior exposição à recuperação da média renda, ainda que o grupo também tenha diversificação para segmentos de menor renda.Segundo o banco, cerca de 40% dos resultados estão ligados ao segmento de baixa renda, enquanto as participações em Lavvi (LAVV3), Plano&Plano (PLPL3) e Cury podem contribuir com mais de R$ 550 milhões em equivalência patrimonial em 2027. O ROE estimado para aquele ano é de aproximadamente 17,5%.Há ainda a CashMe, já que os cálculos do J.P. Morgan apontam que a operação de home equity poderia valer aproximadamente R$ 3 bilhões, ou R$ 6,50 por ação da Cyrela, valor que não está incorporado separadamente à avaliação da companhia.O Goldman Sachs também mantém recomendação de compra para Cyrela e mostra por que o papel ainda chama atenção mesmo depois da forte valorização. A ação chegou a R$ 33 depois do rali, mas negociava a 6,5 vezes o lucro esperado para os 12 meses seguintes, o menor múltiplo observado para a companhia em momentos equivalentes dos ciclos eleitorais analisados pelo banco.Também apresentava um spread de earnings yield de 240 pontos-base sobre os juros nominais de dez anos, o segundo maior na comparação entre esses momentos eleitorais.Eztec: sem consensoA Eztec (EZTC3) é a segunda escolha do JPMorgan, elevando a recomendação para overweight e com preço-alvo de R$ 19, ante R$ 14,60 na referência do relatório, potencial então calculado em 30%.O papel negociava a apenas 0,76 vez o patrimônio e 6 vezes o lucro estimado para 2027 no retrato do banco. O J.P. Morgan também destaca a exposição à média e alta renda e o potencial de monetização da Esther Tower.Mas aqui aparece uma divergência importante entre as casas.O Goldman Sachs mantém recomendação de venda para Eztec, com preço-alvo de R$ 13. Nos preços de 5 de outubro mostrados pelo relatório, a ação estava em R$ 17,10.Ou seja, Eztec é uma aposta forte do J.P. Morgan, mas não um consenso entre analistas. Para o Goldman, o papel negociava a 7,7 vezes o lucro esperado para os 12 meses seguintes, ainda relativamente barato contra outros ciclos eleitorais, mas a recomendação fundamental segue negativa.E as campeãs da baixa renda?Durante boa parte do período de juros elevados, as construtoras ligadas ao Minha Casa, Minha Vida foram preferidas porque suas vendas eram sustentadas por subsídios e condições específicas de financiamento. Antes do primeiro turno, o próprio JPMorgan ainda preferia Tenda, Direcional e Cury.Agora, o banco rebaixou as três para neutro, em meio ao aumento dos riscos. O problema é o aumento dos riscos. O banco menciona possíveis revisões negativas de lucros diante da maior restrição de crédito da Caixa, pressão inflacionária de custos e incerteza sobre a política habitacional em uma eventual mudança de governo.Esse quadro conversa com as sinalizações recentes das empresas. Conforme as discussões durante a conferência do BTG Pactual em Nova York fornecidas para esta análise, as incorporadoras de baixa renda reconheceram um ambiente mais restritivo de crédito na Caixa, embora tenham indicado melhora da demanda em setembro e ausência de impacto relevante sobre a procura até o momento.O quadro já vinha pressionando as ações antes da eleição. Em setembro, Tenda caiu 18,4%, Cury recuou 14,12% e Direcional perdeu 8,92%, em meio à maior preocupação com as condições de crédito da Caixa.Goldman ainda vê valor na baixa rendaJá o Goldman Sachs permanece mais construtivo com alguns desses papéis. O banco mantém compra para Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3), além de Cyrela. MRV fica neutra e Eztec, em venda.Na Cury, o preço-alvo é de R$ 43. O Goldman destaca que a empresa negociava a 6,7 vezes o lucro esperado nos 12 meses seguintes e com spread de earnings yield de 199 pontos-base, mais favorável que no único ciclo eleitoral anterior disponível para comparação, já que a companhia abriu capital em 2020.A Direcional tem preço-alvo de R$ 18 e negociava a 5,6 vezes o lucro esperado, um dos menores múltiplos entre os períodos eleitorais comparados. Seu spread sobre os juros de dez anos, de 496 pontos-base, também aparece entre os maiores da análise.Já Tenda permanece com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 33. Na comparação com 2018, negociava a 4,5 vezes o lucro, contra 7,7 vezes naquele ciclo eleitoral.Leia tambémJPMorgan rebaixa Banco do Brasil para venda e eleva Bradesco após rali; ações reagemBanco revisa preços-alvo de financeiras após queda dos juros longos; XP, Nubank e Inter ainda aparecem com potenciais expressivosAssim, entre as empresas de baixa renda, o quadro é menos consensual: Goldman enxerga oportunidades em Cury, Direcional e Tenda, enquanto o J.P. Morgan prefere não carregar recomendação overweight nessas ações diante dos riscos adicionais.A MRV (MRVE3), por sua vez, participou do rali e, segundo o Goldman, sua alavancagem pode ter contribuído para o desempenho. Ao mesmo tempo, o papel negociava a 8,1 vezes o lucro esperado, um dos maiores múltiplos da MRV nos ciclos eleitorais comparáveis e o maior entre os pares analisados nessa métrica.No JPMorgan, a recomendação permanece neutra, com a casa vendo risco de revisões negativas devido a perdas adicionais da Resia, operação americana, e destaca a falta de confiança dos investidores nos lucros após sucessivas revisões para baixo. Além disso, a MRV continua sendo a companhia mais alavancada da cobertura do banco.Quais as preferidas?Depois do rali, Cyrela (CYRE3) aparece como a tese mais convergente entre as análises, com recomendação positiva no Goldman e no J.P. Morgan. Mesmo depois de liderar a valorização pós-eleitoral, o Goldman mostra que seu múltiplo continua baixo na comparação histórica, enquanto o J.P. Morgan a coloca no topo de sua preferência para capturar a melhora de média e alta renda.Depois dela, as preferências se dividem:Eztec (EZTC3): segunda escolha do JPMorgan, elevada a overweight, mas Goldman mantém venda.Cury (CURY3): Goldman mantém compra; JPMorgan reconhece sua elevada qualidade na baixa renda, mas rebaixou para neutro diante dos riscos ligados a crédito e política habitacional.Direcional (DIRR3): compra no Goldman e neutra no JPMorgan. O valuation segue baixo, mas as restrições de crédito adicionam risco às projeções.Tenda (TEND3): compra no Goldman e neutra no JPMorgan, também com elevada dispersão entre potencial matemático e riscos operacionais e regulatórios.MRV (MRVE3): neutra nas duas casas e com uma tese mais dependente de alavancagem, desalavancagem e evolução da Resia.The post Construtoras disparam após rali eleitoral: quais ações ainda têm espaço para subir? appeared first on InfoMoney.