Em busca de emprego, segurança e estabilidade, cubanos encontram na capital paranaense uma oportunidade de recomeçar. Pela primeira vez, eles lideram os pedidos de refúgio no Brasil, superando os venezuelanos.A cidade de Curitiba, no Paraná, vem se consolidando como um destino para cubanos que deixam a ilha em meio à grave crise econômica. Longe da tradicional rota migratória para Miami, nos Estados Unidos, muitos encontram no Brasil uma alternativa para reconstruir a vida.A falta de alimentos, medicamentos, energia elétrica e oportunidades de trabalho está entre os fatores que impulsionam a saída de cidadãos de Cuba. No Brasil, a possibilidade de conseguir emprego, regularizar a situação migratória e ter acesso a serviços básicos atrai quem busca uma vida mais estável.Na capital paranaense, o setor de serviços, especialmente restaurantes, comércio, hotéis e atividades de atendimento, oferece oportunidades para os recém-chegados. A adaptação, no entanto, envolve desafios, como a barreira do idioma, o custo de vida e o reconhecimento de qualificações profissionais.Cubanos já representam mais da metade dos pedidos de refúgio no BrasilO avanço da imigração cubana não se limita a Curitiba. Segundo o Observatório das Migrações Internacionais, o Brasil recebeu 75.599 pedidos de refúgio em 2025. Desse total, 41.919 foram apresentados por cubanos, um crescimento de 88,1% em relação ao ano anterior.Os venezuelanos, que lideravam as estatísticas nacionais, passaram para a segunda posição, com 21.233 solicitações. Os cubanos responderam por 55,4% de todos os pedidos de refúgio registrados no país naquele ano.Por que Curitiba?A concentração de cubanos na capital paranaense já aparecia nas estatísticas do início de 2025. Segundo dados divulgados pela prefeitura, cidadãos de Cuba representaram 93% dos 576 estrangeiros que solicitaram refúgio na cidade entre janeiro e março daquele ano.As oportunidades de trabalho ajudam a explicar a escolha. A prefeitura tem promovido feiras de emprego e iniciativas de contratação de imigrantes, inclusive para vagas em supermercados.Uma das histórias divulgadas pelo município é a de Yasmin Ortega Bertran, cubana de 66 anos que conseguiu um emprego formal na cozinha de uma rede de supermercados depois de passar quatro meses trabalhando informalmente.Uma nova rota migratóriaO aumento dos pedidos de refúgio revela uma transformação na imigração para o Brasil. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, muitos cubanos chegam ao território brasileiro pela região Norte, especialmente por Roraima e pelo Amapá, em rotas que passam pela Guiana e pela Guiana Francesa.Embora Curitiba tenha se destacado como destino, os dados nacionais não permitem afirmar que seja a cidade que mais recebe cubanos em números absolutos.O crescimento também traz desafios para as autoridades brasileiras. O aumento da demanda por documentação, atendimento e integração ao mercado de trabalho exige uma ampliação das políticas de acolhimento.É importante distinguir os pedidos de refúgio do reconhecimento da condição de refugiado: nem todos os solicitantes recebem esse status.Para milhares de cubanos, o Brasil passou a representar uma possibilidade de recomeço. E Curitiba tornou-se um dos símbolos dessa nova rota migratória latino-americana.