JPMorgan rebaixa Banco do Brasil (BBAS3) para venda e ação cai mais de 5%As ações do Banco do Brasil (BBAS3) registram forte queda nesta terça-feira, após o JPMorgan revisar as recomendações para o setor financeiro brasileiro. O banco americano rebaixou o papel de neutro para underweight, recomendação equivalente à venda.Por volta das 13h25, as ações do Banco do Brasil recuavam 6,42%, cotados a R$ 24,64. Nesse horário, os papéis lideravam as perdas do Ibovespa, seguidos por BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3).Na mesma análise, o JPMorgan elevou a recomendação para as ações do Bradesco (BBDC4), que passaram de neutro para overweight, patamar equivalente à compra. A revisão ocorre após a forte disparada das ações financeiras no pregão anterior, impulsionada pelo resultado do primeiro turno das eleições.Por que o JPMorgan rebaixou o Banco do Brasil (BBAS3)Segundo o JPMorgan, a mudança nas recomendações do setor está relacionada a uma revisão no custo de capital. O banco reduziu em cerca de 1,5 ponto percentual a premissa de custo de capital próprio aplicada à maior parte das empresas sob sua cobertura, acompanhando a queda da curva de juros brasileira de dez anos, que recuou de aproximadamente 14,4% para 13%. Essa mudança, segundo a instituição, explica entre 15% e 20% dos aumentos de preços-alvo divulgados no relatório.No caso específico do Banco do Brasil, o JPMorgan avalia que 2027 ainda deve ser um período desafiador, com recuperação projetada apenas para 2028. A casa também destaca que a relevante exposição do banco ao agronegócio deve limitar os benefícios de uma eventual queda da Selic, se comparado a outras instituições privadas.A qualidade dos ativos é apontada como outro ponto de atenção. O JPMorgan espera que a deterioração recente da carteira de crédito ligada ao agronegócio continue pressionando lucros, rentabilidade e distribuição de dividendos do banco. As projeções de ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) são de 8,7% em 2026, com avanço para 11,8% em 2027 e 13% em 2028.Queda acontece em meio à correção após alta histórica do IbovespaParte do movimento de queda das ações do Banco do Brasil também reflete uma correção após os fortes ganhos registrados no pregão anterior.Na segunda-feira, as instituições financeiras dispararam e impulsionaram o Ibovespa a um avanço de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, alta de 14.797,34 pontos em relação à abertura. Foi a primeira vez que o índice superou a marca de 200 mil pontos, chegando a atingir 209.605,70 pontos na máxima do dia, novo recorde histórico. No mesmo pregão, o dólar comercial recuou 4,12%, encerrando cotado a R$ 5,001.O movimento foi impulsionado pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, que surpreendeu parte do mercado. O senador Flávio Bolsonaro (PL) liderou a primeira etapa da disputa, somando 47,03% dos votos válidos, à frente dos 45,16% obtidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença representou uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos para o senador, que disputará o segundo turno com o atual presidente em 25 de outubro.Nesta terça-feira, porém, o Ibovespa opera em queda. Por volta das 13h, o índice recuava 0,54%, aos 205.802,70 pontos, puxado para baixo pelos papéis do Banco do Brasil (BBAS3).