O Ibovespa (IBOV) teve um pregão marcado pela volatilidade, após o forte rali registrado na segunda-feira (5) com os investidores de olho no ‘trade’ em cima de uma possível vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. Nesta terça-feira (6), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,52%, aos 205.835,29 pontos.Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 4,9756, em queda de 0,52%, na menor cotação desde abril.Por aqui, as eleições seguem no radar dos investidores, mas o Ibovespa devolveu parte da alta da véspera, com uma realização de lucros, na avaliação do chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno.“Normalmente, após um movimento muito forte de alta, o mercado tende a embolsar parte do lucro, e isso é bem saudável”, afirma Magno. “Nos próximos dias, os investidores ficarão atentos às notícias que virão de Brasília, mas também aos movimentos bruscos nos ativos.”De acordo com o chefe de alocação, como a negociação foi a maior na história do Ibovespa, quase R$ 80 bilhões, é normal alguns ativos caírem sem nenhuma notícia aparente, apenas em um movimento de realização de lucros.Já no câmbio, observa ele, o mercado continua digerindo a melhora do ambiente interno e as expectativas para os próximos anos.“O mercado já começa a colocar a moeda abaixo dos R$ 5 nas projeções. Além disso, conforme o capital estrangeiro entra no mercado brasileiro, seja via título público ou via Bolsa, o investidor de fora precisa trocar seus dólares por reais, o que, sem dúvidas, pesa contra a moeda norte-americana em relação ao real”, explica. Para Magno, é factível um cenário de Ibovespa acima dos 220 mil pontos, caso Flávio Bolsonaro realmente seja eleito presidente e entregue as medidas necessárias para equilibrar as contas públicas brasileiras. Altas e quedas do IbovespaA ponta negativa do índice foi liderada pelo Banco do Brasil (BBAS3), com recuo de 6,57% (R$ 24,60), depois do rebaixamento da ação de neutra para venda pelo JP Morgan, enquanto o preço-alvo passou de R$ 22 para R$ 23.Leia mais: Banco do Brasil (BBSA3): O balde de água fria que faz ação despencar 6% nesta terça-feira (6)“Incorporamos uma perspectiva mais desafiadora para os créditos inadimplentes do setor agropecuário a partir de julho-agosto; um real mais forte provavelmente não será benéfico, e o risco do El Niño permanece apesar da leve melhora nos preços das commodities”, escrevem os analistas do banco.A ponta positiva do índice foi encabeçada pela Minerva (BEEF3), com salto de 7,40% (R$ 4,50).A Petrobras (PETR4;PETR3), cujas as ações representam cerca de 13,5% do índice, encerrou o pregão em queda, seguindo o petróleo. PETR3 recuou 1,80% (R$ 59,31) e PETR4 caiu 2,78% (R$ 53,82).O setor financeiro também recuou após os fortes ganhos da véspera, com baixa de 0,69% do Índice Financeiro (IFNC). A Vale (VALE3), que detém 8% de participação do índice, recuou 1,44% (R$ 70,37), de olho na desvalorização do dólar ante o real.Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.Exterior Os índices de Wall Street encerraram em alta com alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro à espera da ata da última decisão do Federal Reserve.Durante a sessão, o S&P 500 renovou o recorde intradia, aos 7,844.52 pontos, e o Nasdaq atingiu os 27,722.747 pontos pela primeira vez na história.Confira o fechamento:Dow Jones: +0,49%, aos 51.521,28 pontos;S&P 500: +0,58%, aos 7.818,93 pontos – no maior nível nominal histórico;Nasdaq: +0,45%, aos 27.599,792 pontos.