Comprar uma casa para receber uma renda mensal está a exigir mais capital sem garantir um aumento proporcional do rendimento. Na amostra analisada pela DECO PROteste Investe, os preços de compra subiram a um ritmo cerca de três vezes superior ao das rendas nos últimos 12 meses, tornando mais difícil encontrar imóveis cujo retorno compense os custos e os riscos do investimento.Divulgada a 6 de outubro, a análise utiliza dados de mercado da plataforma Casafari e abrange apartamentos usados e em bom estado, em 176 freguesias de 44 concelhos de Portugal continental. Os valores apresentados referem-se a este universo, não à totalidade do mercado nacional.O diagnóstico aponta para uma pressão crescente sobre quem pretende comprar para arrendar: o montante necessário para adquirir o imóvel aumenta mais depressa do que a receita que este pode gerar. Um T2 custa perto de 350 mil euros na amostra analisadaNos apartamentos de duas assoalhadas e três assoalhadas — T1 e T2, respetivamente —, a diferença entre a evolução dos preços de compra e das rendas é expressiva.O preço médio de um T2 atingiu 348 423 euros, após uma subida homóloga de 10,9%. Já a renda mensal média exigida ficou nos 1364 euros, um aumento de 3% no mesmo período.Nos T1, o preço médio de compra subiu 14,1%, para 276 436 euros, enquanto a renda mensal aumentou 4,5%, para 1138 euros. Nos T2, o preço médio por metro quadrado situou-se nos 3656 euros, enquanto a renda mensal por metro quadrado foi de 13,9 euros. Rentabilidade bruta de 5,8% é a referência da DECONas condições de taxas de juro consideradas pela DECO PROteste Investe, o seu modelo classifica como atrativo um investimento que permita obter uma rentabilidade bruta superior a 5,8%. Trata-se de um critério de avaliação da organização, e não de uma garantia de retorno.O cálculo relaciona a renda anual esperada com o preço médio de compra, assumindo uma taxa de ocupação anual de 90%. Esta hipótese procura acomodar períodos em que o imóvel poderá estar desocupado.Mesmo assim, o resultado ainda não corresponde ao dinheiro que ficará disponível para o proprietário. É necessário descontar os impostos aplicáveis às rendas e despesas como IMI, seguros, condomínio, manutenção e gestão.A avaliação centra-se no rendimento do arrendamento. Como a entidade explica na sua metodologia de análise do investimento imobiliário, uma eventual valorização do imóvel numa venda futura não é garantida. Onde estão os T2 com maior retorno entre os casos identificados?Entre as freguesias destacadas na análise, Loulé (São Clemente) apresenta uma rentabilidade bruta estimada de 6,8% para os T2. Segue-se Parceiros e Azoia, em Leiria, com 6,7%.Em Vila Nova de Gaia, Santa Marinha e São Pedro da Afurada regista 5,9%, também acima da referência utilizada pela organização. Já Sé e São Lourenço, em Portalegre, fica nos 5,8%, no limite desse patamar.No Porto, Bonfim e Campanhã ficam abaixo do limiar de 5,8%, apesar de apresentarem retornos próximos dessa referência. Os resultados ilustram a importância de avaliar cada localização e cada imóvel, em vez de assumir que uma renda elevada corresponde necessariamente a um investimento atrativo. Uma casa mais barata pode não ser mais rentávelO preço de aquisição, isoladamente, também não permite identificar um bom investimento. A análise encontra freguesias com T2 relativamente baratos, mas com rentabilidades brutas de apenas 3% a 4%.A questão está na relação entre o capital necessário para comprar e o rendimento que o imóvel pode gerar. Um preço mais baixo pode ser acompanhado por uma renda igualmente reduzida, deixando pouca margem depois de pagos os encargos.Comprar para arrendar pode continuar a fazer sentido em determinadas localizações e condições. Mas, com os preços de aquisição a distanciarem-se das rendas, a decisão exige contas que vão além do valor mensal anunciado.O conteúdo Comprar casa para arrendar ainda compensa? Preços sobem três vezes mais do que as rendas aparece primeiro em Revista Líder.