Belo Horizonte – Engasgos podem ser fatais, como aconteceu na última semana em Minas com uma criança de sete anos, que morreu dentro da escola onde estudava. Profissionais do local e uma médica tentaram salvar a menina, mas não conseguiram. Em vários outros casos, porém, o desfecho é positivo, sobretudo com ajuda rápida. Mas e quando o engasgo acontece e não há ninguém por perto? É possível se autossalvar?De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros, Henrique Barcellos, o autossalvamento é possível, mas pode ser bastante complexo. Isso ocorre porque a pessoa precisa fazer uma pressão no abdômen, na região localizada cerca de dois dedos acima do umbigo.“Em situações nas quais a própria pessoa sofre um engasgo e está sozinha, a orientação mais efetiva, nesses casos, é procurar imediatamente a presença de outras pessoas. Familiares, vizinhos ou até mesmo pedestres podem ajudar e acionar o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) pelo número 193”, orienta o tenente.Ele ressalta que durante a ligação é possível passar orientações sobre como fazer a desobstrução das via áreas.O tenente explica que o problema é que, durante um engasgo, é muito difícil realizar essa pressão com as próprias mãos. Por isso, a orientação envolve projetar o próprio corpo e deixá-lo cair, com força, sobre uma superfície rígida capaz de exercer a pressão necessária, como as costas de uma cadeira.Por isso, para uma pessoa que esteja sozinha e engasgada, uma alternativa considerada mais viável é deixar o local onde está e procurar a presença de outras pessoas.Buscar ajuda pode aumentar as chances de salvamentoO sinal universal de engasgo é levar as mãos ao pescoço, indicando uma obstrução das vias aéreas. Estar perto de outras pessoas permite que a vítima faça gestos para demonstrar que está engasgada.Com alguém por perto, essa pessoa pode acionar o 193, receber as orientações necessárias e realizar a manobra em quem está sofrendo o engasgo.Para quem mora sozinho, a recomendação apresentada é tentar permanecer à vista de outras pessoas em uma situação desse tipo. Isso pode significar sair de casa, procurar um vizinho ou até ir para a rua em busca de ajuda.A dificuldade aumenta à medida que a pessoa perde força e ar. Uma manobra que já é difícil de executar nessas circunstâncias pode se tornar ainda menos eficiente conforme o quadro avança. Por isso, a execução da manobra por outra pessoa é apontada como a alternativa mais adequada.Algumas manobras para autossalvamentoTossir: tentar forçar a tosse com força. Isso poderá facilitar a expulsão do objetoMétodo Heimlich: fechar uma das mãos em punho e colocar acima do umbigo e abaixo das costelas (na boca do estômago). Com a outra mão, segure o punho e faça movimentos com força para dentro e para cima. É importante repetir o movimento várias vezes.Utilizar uma cadeira: no encosto de uma cadeira tente apoiar a região superior do abdômem contra o encosto da cadeira e force o corpo para frente com força. Isso pressionará a área e forçará a saída do ar.Há também orientações sobre o que não se deve fazer nesses casos, como tentar comer alguma coisa ou beber líquido para empurrar o objeto. Fazer isso poderá piorar o bloqueio.Importância de aprender a manobra de salvamentoNo caso da criança que morreu em Ribeirão das Neves, e sobre outras pessoas saberem realizar a manobra de desobstrução das vias áreas o tenente faz um alerta.“Quem trabalha com crianças deve buscar conhecimento prático em Primeiros Socorros, de preferência em treinamentos ministrados por profissionais capacitados na área. A preparação é considerada importante especialmente porque, sem a prática, algumas técnicas podem ser esquecidas com o passar do tempo”, explica o tenente.Manobras para desobstrução de vias aéreasO tenente Barcellos alerta que é necessário, também, fazer reciclagens práticas, pois isso pode ajudar a manter os conhecimentos necessários para agir diante de uma emergência.“Não há uma periodicidade formal estabelecida, mas por se tratar de um conhecimento teórico e prático, sugere-se uma reciclagem prática das manobras pelo menos uma vez ao ano. A cada cinco anos é importante rever também toda teoria, já que a doutrina pode atualizar alguns conhecimentos sobre o tema”, alerta Barcellos.