Pesquisadores do Instituto Proshark e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram que a costa do Rio de Janeiro abriga um berçário para espécies de tubarão ameaçadas de extinção. A mistura de manguezais, enseadas protegidas e costões rochosos oferecem refúgio e variedade de alimento para as fêmeas gestantes e filhotes.Os achados foram publicados na revista Brazilian Journal of Biology nesta sexta (14/8). Os animais foram monitorados com telemetria satelital, que rastreia e registra os tubarões por meio de transmissores, e em captura, medição e soltura dos bichos de volta no mar. Leia também CiênciaAumento das chuvas pode atrair tubarões para a costa e causar ataques CiênciaBiólogos encontram antidepressivo sertralina no cérebro de tubarões BrasilPernambuco vai voltar a monitorar tubarões em julho após 11 anos MundoFotógrafo brasileiro recebe prêmio internacional com drama de tubarões Também foram analisados seis tubarões fêmea das espécies Carcharhinus brevipinna (tubarão-rotador), Carcharhinus limbatus (tubarão-galha-preta) e Carcharias taurus (tubarão-mangona) que foram pegos acidentalmente em atividades de pesca na região.Os exemplares passaram por necrópsia, que avaliou, inclusive, o número de embriões, o conteúdo vitelino e os estágios de desenvolvimento embrionário.“Mais do que registrar fêmeas grávidas de três espécies diferentes de tubarões, este estudo mostra que elas utilizam a região em diferentes fases da gestação, reforçando que o complexo Ilha Grande-Sepetiba pode desempenhar um papel fundamental ao longo de todo o ciclo reprodutivo desses animais”, explica a bióloga e presidente do Instituto Proshark, Fernanda Lana, autora responsável pelo estudo, em entrevista à Agência Bori.Informações importantes para preservar os tubarõesOs pesquisadores apontam que definir a área como um berçário é essencial para orientar políticas públicas de proteção dos tubarões. Os dados já contribuíram para reconhecer a Enseada de Piraquara de Fora como uma Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).Pesquisas posteriores, usando drones e a telemetria satelital e acústica devem identificar áreas de berçário primário e rotas migratórias para entender e proteger os animais.