Evento ocupa marquise do Ibirapuera sem aval de órgão do patrimônio

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A Prefeitura de São Paulo permitiu a ocupação da Marquise do Parque Ibirapuera para a realização do SP2B mesmo sem uma decisão final a respeito dos impedimentos apontados pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). Segundo a própria administração municipal, a decisão sobre o uso do espaço deverá ocorrer apenas na segunda-feira (17/8), justamente um dia após o término do megaevento.Ocupando boa parte dos principais espaços do Ibirapuera, o SP2B é uma espécie de feira voltada aos negócios, empreendedorismo e inovação. Com ciclo de palestras, shows e atividades das mais diversas, teve sua abertura no último dia 9 e vai até domingo (16/8), com ingressos que chegam a custar R$ 4.720, a categoria “platinum”, equivalente a quase três salários-mínimos.O DPH aprovou a realização do megaevento no Ibirapuera, que é tombado, mas fez algumas ressalvas. Entre elas, determinou que estariam “vedadas quaisquer montagens sob a Marquise Ibirapuera José Ermírio de Moraes”.13 imagensFechar modal.1 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles2 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles3 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles4 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles5 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles6 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles7 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles8 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles9 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles10 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles11 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles12 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles13 de 13Instalações da SP2B sob a marquise do Parque Ibirapuera, em São PauloWilliam Cardoso/MetrópolesA justificativa é que seriam “montados elementos cenográficos de alturas variáveis, bloqueando as perspectivas e comprometendo a permeabilidade física e fruição visual nestes trechos ocupados da marquise, indo de encontro com a circulação natural e intuitiva dos usuários”. Parte dos objetos estaria em altura superior (em geral, 2 metros) ao ponto de vista do observador.As ressalvas do DPH estão sendo desconsideradas desde a abertura do evento, com a instalação de palcos, stands e até mesmo uma gigantesca bilheteria sob a marquise. A própria prefeitura montou stand no local.Vale ressaltar que as regras de uso da marquise para a população em geral são bastante rigorosas, o que gera contradição em relação ao que foi liberado durante o SP2B. Em seu artigo 11, por exemplo, o regulamento proíbe até mesmo que uma única criança brinque com uma bola sob o vão livre. Também veta o uso de “equipamentos e ou brinquedos elétricos ou não, que provoquem movimento e ou ruídos”.Na prática, durante o megaevento, o imenso vão livre de 27 mil metros quadrados está parcialmente tomado por equipamentos luminosos e barulhentas. Frequentadores têm apontado que os palcos chegam a ter apresentações simultâneas, com o ruído “vazando” entre os ambientes sob a marquise e para áreas do parque que não foram ocupadas pelo evento.A Associação dos Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados (Appit) e membros do Conselho Gestor do Parque Ibirapuera ligados à sociedade civil encaminharam informações detalhadas sobre o cenário atual para Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), secretarias do Verde e Meio Ambiente (SVMA) e das Subprefeituras (SMSUB). Paralelamente, também foi enviado material para ser juntado ao inquérito em andamento no Ministério Público de São Paulo (MPSP).MarquiseA marquise foi entregue à população no dia 25 de janeiro, na comemoração dos 472 anos de São Paulo. A concessionária Urbia recebeu mais de R$ 86 milhões para reformar o espaço, que estava interditado desde 2020.Na ocasião, entre outras coisas, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) elogiou a gestão do parque por parte da Urbia, sempre se escudando em uma pesquisa de satisfação contratada pela própria concessionária.Ao ser questionado na ocasião pelo Metrópoles se não pretendia rever o contrato de concessão, que é apontado por críticos como extremamente favorável à concessionária, Nunes disse, ao lado do presidente da Urbia, Roberto Capobianco, que seria preciso dar “segurança jurídica” e não demonstrou interesse em renegociar qualquer ponto da concessão.O presidente da Urbia, Roberto Capobianco, atrás do prefeito Ricardo Nunes (MDB), no IbirapueraO que dizem os envolvidosA Prefeitura de São Paulo diz que foram emitidos Alvarás de Autorização para Evento Temporário pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento para as áreas do Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), Pavilhão Lucas Nogueira Garcez (Oca), ambos entre os dias 10 e 15 de agosto, e para a plateia externa do Auditório Ibirapuera, nos dias 15 e 16 de agosto.Segundo a prefeitura, o evento conta com autorização de uso do local concedida pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e parecer favorável do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) para a realização de instalações nas áreas solicitadas pela organização, “ressalvando apenas algumas montagens na Marquise”.“Estas demandam deliberação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), com reunião prevista para 17 de agosto”, diz, citando o dia seguinte ao fim do evento. Leia também São PauloMarquise do Ibirapuera é entregue após 5 anos e gasto de R$ 86 milhões São PauloMPSP nega pedido da prefeitura de parar investigação sobre Ibirapuera São PauloConpresp aprova projeto de academia na Serraria do Ibirapuera São PauloIbirapuera tem 50 crimes em 3 meses e até “sequestro de celular” A concessionária Urbia, responsável pela gestão do Ibirapuera, diz que o evento SP2B “possui as autorizações e alvarás necessários para sua realização, com anuência do Poder Concedente, em conformidade com a legislação vigente”.A SP2B diz que adotou todas as medidas e providências necessárias junto à Prefeitura de São Paulo, aos órgãos públicos competentes e à Urbia, responsável pela gestão do Parque Ibirapuera, para a obtenção dos alvarás, licenças e autorizações de uso exigidos para a realização do evento. “O evento recebeu as liberações cabíveis, em conformidade com o projeto apresentado e com as determinações legais aplicáveis”, diz, em nota.