A menopausa provoca uma série de mudanças no organismo da mulher e, entre os sintomas que podem aparecer nessa fase, estão dores, cansaço e perda de disposição. Foi o que chamou a atenção do público após a atriz Flávia Alessandra relatar dores e compartilhar que o sintoma contribuiu para a descoberta de um diagnóstico. Segundo o ginecologista e obstetra Diney Albuquerque, do Hospital Mantevida, a queda dos hormônios durante a menopausa, principalmente do estrogênio, pode afetar diferentes funções do organismo. “Esse hormônio não serve só para a menstruação: ele participa do controle da temperatura, do sono, do humor, da lubrificação vaginal, da saúde óssea, cardiovascular e até da percepção de dor. Por isso, a mesma fase pode trazer ondas de calor, insônia, irritabilidade, ressecamento, cansaço, alteração de peso e dores no corpo. Cada mulher sente de um jeito porque o corpo inteiro responde a essa mudança”, ressaltou o ginecologista. A redução do estrogênio também pode fazer com que algumas mulheres passem a sentir mais dores em regiões como joelhos, mãos, ombros e coluna. Leia Mais Climatério e qualidade de vida: como atravessar fase com saúde e equilíbrio “Ombro congelado” está ligado à menopausa? Estudos indicam que sim Menopausa: o que muda no corpo? Especialistas explicam com Dr. Kalil Diferentes sintomas Algumas mulheres podem ter sintomas muito mais intensos enquanto outras passam pela menopausa com poucas manifestações. Diney Albuquerque explica que a diferença é esperada. “Essa diferença é esperada. Duas mulheres podem ter a mesma faixa etária e respostas completamente diferentes. Peso, prática de atividade física, qualidade do sono, tabagismo, histórico de ansiedade ou depressão, cirurgias, quimioterapia, menopausa precoce e predisposição genética mudam bastante a intensidade dos sintomas. Além disso, a percepção de dor e o suporte social também influenciam. Por isso o acompanhamento precisa ser individualizado: não existe uma receita única para todas”, apontou. O ortopedista Dr. Kaleu Nery ainda destaca que a redução do estrogênio pode provocar mudanças nos músculos, tendões, ossos e articulações. Algumas mulheres percebem aumento de dores, rigidez e perda de força, inclusive em atividades que antes eram realizadas normalmente. No entanto, ele ressalta que nem toda dor durante a menopausa é, necessariamente, causada pelo período em si. “Mas aqui existe um cuidado importante: nem toda dor depois da menopausa é causada pela menopausa. E essa diferença importa. Uma dor mais espalhada pelo corpo pode estar relacionada às mudanças dessa fase. Já uma dor localizada, principalmente quando aparece em determinados movimentos, vem acompanhada de perda de força ou limita atividades do dia a dia, merece uma avaliação mais cuidadosa”, explica o ortopedista. Para Diney Albuquerque, uma das pistas de que a dor pode estar relacionada à menopausa é a presença simultânea de outros sintomas. “Agora, atenção: se a dor for intensa ou estiver piorando, houver inchaço, vermelhidão, calor na articulação, perda importante de força, dificuldade persistente para se movimentar, febre, trauma ou uma dor que começa a atrapalhar seu sono e sua rotina, procure avaliação médica. Não normalize uma dor importante simplesmente porque você entrou na menopausa”, indicou. Para o Dr. Kaleu Nery o ponto principal é sempre investigar e não se basear em indagações. “Cuide da sua força, dos seus ossos e dos seus movimentos. E, quando alguma coisa não estiver bem, investigue”, disse. Menopausa: o que muda no corpo da mulher? Especialistas explicam | CNN SINAIS VITAISTerapia hormonal como alternativa A terapia hormonal pode ser uma alternativa para mulheres que apresentam sintomas da menopausa e não possuem contraindicações. O ginecologista Dr. Diney Albuquerque explica que a reposição não vai sanar os sintomas, mas pode amenizar. “A terapia hormonal não é um analgésico direto, mas pode ajudar bastante quando os sintomas vêm da queda estrogênica. Com melhor sono, menos fogachos e melhor bem-estar geral, muitas pacientes relatam redução da fadiga e da dor no corpo. Isso vale principalmente para mulheres sintomáticas, sem contraindicações, e com avaliação médica completa. Em alguns casos, associamos mudança de hábitos, fisioterapia, vitamina D, controle de peso e cuidado com saúde mental para potencializar o resultado”, explica. O médico ginecologista ressalta que, quando bem indicada, a terapia hormonal pode melhorar as ondas de calor, suores noturnos, insônia, irritabilidade, ressecamento vaginal, dor na relação sexual e qualidade de vida. Também ajuda na prevenção da perda óssea. Quanto aos riscos da reposição, Dr. Diney Albuquerque aponta que existe um risco quando há históricos de doença. “Os riscos variam conforme o perfil: histórico de trombose, alguns tipos de câncer, doença cardiovascular não controlada e tabagismo pedem avaliação criteriosa. O ponto-chave é não demonizar nem glamourizar a terapia. Com indicação correta, na dose certa e com seguimento médico, ela pode ser uma grande aliada”, finalizou.