O Ibovespa (IBOV) registrou a primeira alta após a sequência de 11 quedas consecutivas, a maior desde 2023, com a melhora do humor externo. Nesta quarta-feira (19), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com avanço de 0,90%, aos 167.830,27 pontos. Na máxima intradia, o IBOV registrou salto de 2,41% (170.340,60 pontos). Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1766, com queda de 0,86%.Por aqui, o cenário fiscal continuou no radar, com os agentes financeiros acompanhando o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da escala de trabalho 6×1. Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, o mercado brasileiro teve um “respiro temporário”. “O cenário não mudou. O que aconteceu hoje foi um alívio externo e temporário, mas nada de uma solução doméstica. Os fatores que derrubaram a bolsa em agosto continuam todos no mesmo lugar e o fluxo estrangeiro ainda segue no negativo”, avalia Gass. “Para falar em reversão [do movimento baixista no curto prazo], precisamos ver o estrangeiro voltando a comprar [bolsa] de forma consistente”, acrescentou. Altas e quedas do IbovespaCom a retomada do fôlego doméstico, as blue chips avançaram e patrocinaram o dia de ganhos do Ibovespa.As ações da Petrobras (PETR4;PETR3) operaram em forte alta, beneficiadas pela valorização dos preços do petróleo Brent no mercado internacional e sinais de entrada de capital estrangeiro. PETR3 subiu 1,28% (R$ 48,14) e PETR4 registrou ganho de 1,20% (R$ 43,11). Já Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, teve avanço 2,85%, a R$ 72,16. O setor de bancos também terminou o dia com desempenho positivo: o Índice Financeiro (IFNC) subiu 0,25%, puxado pela alta de 0,47% (R$ 38,37) do Itaú Unibanco (ITUB4).Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.A ponta positiva, porém, foi liderada por Cosan (CSAN3), com salto de 8,31% (R$ 7,65) e MBRF (MBRF3), que teve alta 7,65% (R$ 17,31), com agentes avaliando melhora das margens e de processamento de carne bovina.Já na ponta negativa, a ação com pior desempenho no IBOV foi Magazine Luiza (MGLU3), com queda de 5,37% (R$ 4,05), em realização dos fortes ganhos das duas sessões anterior; no início da semana, a varejista foi beneficiada pela troca intrasetoral após Casas Bahia (BHIA3) entrar em recuperação judicial.Gerdau (GGBR4), com baixa de 5,21% (R$ 22,94), e Metalúrgica Gerdau (GOAU3), que recuou 4,60% (R$ 10,37), também se destacaram entre as maiores quedas. Exterior Os índices de Wall Street encerraram o pregão em alta com intervenção do Tesouro no mercado de títulos de dívida e ata da última decisão do Federal Reserve (Fed). Mais cedo, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma operação ampliada de recompra de títulos de longo prazo, dobrando o tamanho das operações de recompra de suporte de liquidez para títulos de cupom nominal de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos.A medida foi anúncia após o forte estresse sobre os títulos de longo prazo na véspera. Nesta terça-feira (18), o rendimento (yield) dos título do Tesouro norte-americano, Treasury, de 30 anos – referência para hipotecas de longo prazo – atingiu 5,337%, o nível mais alto em duas décadas.Confira o fechamento dos índices:Dow Jones: +0,22%, aos 53.463,05 pontos;S&P 500: +0,21%, aos 7.707,98 pontos;Nasdaq: +0,16%, aos 26.331,09 pontos.Na Europa, os mercados terminaram a sessão em tom misto à espera da ata do Banco Central Europeu (BCE). O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou com queda de 0,11%, aos 651,16 pontos.Na Ásia, os índices também fecharam o pregão sem direção única: o índice Nikkei, do Japão, caiu 3,16%, aos 65.326,42 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong teve leve alta de 0,09%, aos 25.495,07 pontos.