O setor de shopping centers brasileiro entrou no radar do Bank of America com uma visão seletiva entre as principais empresas listadas na B3. Em relatório divulgado recentemente, o banco reiterou a Allos (ALOS3) como sua principal escolha no segmento, enquanto manteve recomendação neutra para Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3). Para a LOG (LOGG3), ligada ao segmento logístico, a indicação é de venda (Underperform).Segundo o BofA, a tese para a Allos combina renda elevada de dividendos, resiliência dos aluguéis e possibilidade de novas vendas de ativos. O banco estima um dividend yield de aproximadamente 14% até 2027 e elevou o preço-alvo da ação de R$ 34 para R$ 35, mantendo a recomendação de compra.A casa destaca que as vendas mesmas lojas (SSS) da Allos desaceleraram de um pico de 7,1% no segundo trimestre de 2025 para 2,4% no segundo trimestre deste ano. Ainda assim, o crescimento real dos aluguéis permaneceu sólido, em 3,2%, ou 4,6% quando excluído o Shopping Tijuca. Na avaliação do BofA, os números mostram que os ativos dominantes da companhia continuam tendo poder de precificação mesmo diante de um ambiente de consumo mais fraco. A ocupação ficou em aproximadamente 96,2%, enquanto o custo de ocupação foi de 10,3%.Outro ponto considerado positivo é a possibilidade de a Allos voltar a reciclar seu portfólio. Uma eventual operação com o Kinea FII pode abrir espaço para novas vendas de ativos, liberando capital e sustentando dividendos elevados por mais tempo.Iguatemi aposta na reciclagem de ativos para bancar investimentosPara a Iguatemi, o BofA mantém recomendação neutra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 31 para R$ 30 por ação.A companhia está entrando em um ciclo de investimentos de aproximadamente R$ 700 milhões nos próximos três anos, envolvendo aquisições de ativos considerados premium e expansões no Iguatemi São Paulo e em Brasília, além das reformas do Pátio Paulista e do Rio Sul.Por outro lado, o banco vê uma importante fonte de financiamento na reciclagem de ativos. Os recursos provenientes de desinvestimentos, que somavam cerca de R$ 350 milhões antes da operação, poderiam alcançar aproximadamente R$ 1,3 bilhão caso a venda do portfólio para o TRXF11 seja concluída.O BofA estima ainda que essa operação poderia elevar em cerca de 5% o aluguel médio por metro quadrado da companhia. Projetos como a reforma do Market Place e o desenvolvimento do Bairro Casa Figueira, em Campinas, não estão incorporados aos números divulgados pela empresa, segundo o banco.Multiplan: investimentos passaram do pico, mas ação fica neutraNo caso da Multiplan, o BofA também mantém recomendação neutra, mas elevou o preço-alvo de R$ 35 para R$ 36 por ação.A companhia segue apresentando, na avaliação do banco, um dos melhores desempenhos operacionais do setor. As vendas mesmas lojas desaceleraram de 10,9% no segundo trimestre de 2025 para 4,3% no segundo trimestre de 2026. Já o crescimento das vendas mesmas lojas em termos reais caiu de 9,3% para 4,1%.A ocupação permaneceu próxima de 96,2%, enquanto o custo de ocupação ficou em 12,3%. A inadimplência líquida, por sua vez, ficou negativa em 1,2% no segundo trimestre, um sinal considerado positivo sobre a qualidade de crédito dos lojistas.O banco avalia que o capex da Multiplan já passou do pico, e que expansões recém-entregues devem começar a contribuir para o crescimento orgânico dos indicadores.Ainda assim, há novos projetos no radar, incluindo o Lake Baikal, no empreendimento Golden Lake, e quatro expansões ainda não anunciadas oficialmente, que somam cerca de 33 mil metros quadrados. Esses projetos não estão incorporados às estimativas do BofA e, portanto, representam potencial adicional para os resultados.LOG: mercado já precifica crescimento que ainda não apareceuEmbora não seja uma operadora de shoppings, a LOG também aparece na análise do BofA por sua exposição ao setor imobiliário. Para a companhia, o banco mantém recomendação Underperform, que equivale a venda, com preço-alvo de R$ 22.A avaliação é que o modelo de negócios da LOG tem capacidade de criar valor, mas o preço da ação já incorpora um ritmo de vendas de ativos e crescimento de aluguéis que ainda não foi entregue.O BofA projeta vendas de aproximadamente 360 mil metros quadrados por ano durante cinco anos, acima da média de 330 mil metros quadrados registrada em 2024 e 2025. O banco também trabalha com crescimento real dos aluguéis de cerca de 2,4 pontos percentuais acima da inflação em 2027 e 2028, ritmo considerado difícil de sustentar.Veja a recomendação para os shoppingsShoppingRecomendaçãoPreço-alvoAllos (ALOS3)CompraR$ 35Iguatemi (IGTI11)NeutraR$ 30Multiplan (MULT3)NeutraR$ 36LOG (LOGG3)Venda (Underperform)R$ 22