Números da Quaest, por que Lula segue favorito e a questão que conta

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“Lula vai vencer a eleição?”Não sei. Avalio que segue sendo o favorito, mesmo com a Quaest-Globo apontando um novo empate na margem de erro, que é de dois pontos. O petista oscila um para baixo (43%), e Flávio Filho do Pai, dois para cima (40%) na pesquisa divulgada nesta sexta.O bolsonarismo certamente prefere esses números aos da CNT-MDA do começo da semana, que aponta uma diferença de nove pontos em favor do petista: 48% a 39%.Penso que os augúrios são favoráveis ao petista; avalio que a diferença entre Lula e Flávio será maior do que aquele 1,8 ponto que distanciou o agora presidente de Jair Bolsonaro em 2022, mas nada que cheire a uma lavada. A partir de domingo, os candidatos podem pedir votos abertamente, e a campanha no rádio e na TV começa no dia 28. As estratégias, então, vão se traduzir em palavras de ordem, slogans e valores simbólicos.Os pilares da postulação de Lula são mais claros: defesa dos programas sociais, das conquistas na economia — e elas existem — e, claro!, da soberania. Os da candidatura de Flávio repetem — e certamente há os que acham que assim deve ser — o discurso da direita desde as caravelas metafóricas: o país se encontraria à beira do abismo, e os brasileiros viveriam num vale de lágrimas, tragados pelo mal da corrupção. Assim, note-se, se matou Getúlio, deu-se o golpe de 1964 e se depôs Dilma. Adicionalmente, haveria a fagocitose dos supostos desmandos do STF.UMA NOTA À MARGEMUma nota à margem antes que siga: no que respeita ao tribunal, a extrema direita fala com o endosso da “extrema imprensa”, que elegeu notáveis e notórios fascistóides como defensores da “liberdade de expressão”. Nada mal para alguns potentados ainda valentes, ou decadentes, que trazem em sua biografia ideológica a defesa do golpe… A farsa da quebra de sigilo da fonte, que não aconteceu, revela-o à farta.A ser como querem alguns, logo o PCC e o Comando Vermelho vão descobrir que o melhor negócio é criar um veículo de comunicação e começar a publicar “offs” de criminosos contra autoridades da República, hipótese em que o sigilo da fonte protegeria não a liberdade de informar, mas a de praticar crimes. Dá vergonha até de escrever a respeito. Fim da nota à margem. Adiante.RETOMOO discurso que entendo fraudulento de Flávio, quando visto à luz da realidade, pode se sagrar vitorioso? Nestes dias, tudo pode. A margem do imponderável cresceu bastante na era das redes, mais do que aquela praia de “BC” para onde “eles vão descê”… Não parece, no entanto, que os fatores, digamos, estruturais joguem a seu favor.De Lula já se disse tudo e mais um pouco — o que explica parte considerável de sua rejeição. E há mentiras estupendas no que se divulga. Flávio, como observou ontem Gilberto Kassab (PSD), vice na chapa de Ronaldo Caiado, ainda é um relativo desconhecido: sim, todo mundo sabe quem é ele, mas ainda se ignora o que ele é. Concordo com Kassab quando sugere que os adversários ainda vão explicitá-lo — ou “explaná-lo”, como se diz hoje em dia.O petista não contará com a militância ativa do Centrão contra a sua postulação — no Nordeste, com raras exceções, será a favor. E conta com alguns trunfos, como o fim da jornada 6 X 1. Flávio tem o desafio de anunciar que vai cortar severamente os gastos, mas mantendo intocados os programas sociais, o reajuste real da aposentadoria e do BPC ou os desembolsos com saúde e educação. É a quadratura do círculo. Não toca nos gastos tributários, que fazem a alegria de muitos nababos. A conversa é fraudulenta. Vamos ver como ele embala a coisa. Seu modelo é Javier Milei, e o alvo do presidente argentino, como resta evidente, foram os pobres — para a glória futura dos despossuídos, é claro!!! A gente conhece a forma de a extrema direita operar “ajustes”…TRUMPNão haverá tempo para que as tarifas impostas pelos EUA e a reciprocidade impactem o bolso do eleitorado até outubro. As medidas punitivas de Trump, no entanto, são públicas e estão em curso. E há as obvias ameaças que são de natureza militar, cada vez mais explícitas.Parece-me que Lula poderá, com evidências, voltar o dedo contra Trump, sempre cobrando negociação, não confronto, e restará a Flávio voltar o dedo contra… Lula!!! Em princípio, não parecerá um bom negócio. Mas quem realmente conhece esses tempos, não é mesmo? Tudo indica haver uma firme disposição dos bolsonaristas, à falta de bons augúrios com que acenar, de tentar levar a campanha para uma disputa na lama. A questão é saber se eles têm como vencer essa batalha. Kassab, que costuma ser bem-informado, deu a entender que não…Lula segue favorito. Avalio, à diferença de parte considerável dos analistas, que tem muito a oferecer como coisa realizada. No que respeita ao futuro, há um ativo que lhe foi fornecido pelo adversário: “soberania ou entreguismo?”.“E se uma maioria apertada decidir que deve ser o entreguismo, Reinaldo?” Aí restará ao país ser governado por quem, segundo seus próprios termos, só entende a lógica do colonizador e do colonizado. E Flávio seria, nesse caso, governador-geral da matriz. Simples assim.