Caminhão da JBS (JBSS32) roda 500 mil km só com biodiesel e coloca resistência ao B100 à prova

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Um caminhão da JBS (JBSS32) alcançou a marca de 500 mil quilômetros rodados utilizando exclusivamente biodiesel (B100), sem adaptações no veículo, falhas no motor ou desgaste prematuro de componentes.O resultado divulgado nesta quinta-feira (20) pela companhia adiciona um novo elemento ao debate sobre o aumento da participação do biodiesel no diesel vendido no Brasil, em meio às discussões sobre a viabilidade técnica de misturas maiores do biocombustível no transporte pesado.O veículo faz parte de um projeto conduzido pela TRS, transportadora da JBS, e pela Biopower, produtora de biodiesel do grupo. Em operação há três anos, o caminhão percorre diariamente o trajeto entre Lins, no interior de São Paulo, e o Porto de Santos.O teste foi realizado em condições consideradas exigentes para o transporte rodoviário. Utilizado como rodotrem, o veículo enfrentou trechos de serra, com subidas e descidas acentuadas, carregando até 74 toneladas.Segundo a JBS, os dados acumulados apontaram consumo equivalente ao do diesel convencional e desempenho mecânico consistente, sem necessidade de manutenção corretiva no motor durante o período analisado.“Não notamos nenhuma dificuldade na movimentação da frota abastecida com B100 em nenhuma das fases do teste”, afirma Márcio Salaber Pereira, diretor da TRS.De acordo com o executivo, avaliações realizadas inclusive em parceria com montadoras mostraram desempenho satisfatório e não identificaram aumento no consumo de combustível.B100 ganha espaço na frota da JBSO projeto não está restrito ao caminhão que atingiu os 500 mil quilômetros. Outros cinco veículos da TRS já operam exclusivamente com B100 no transporte de bovinos vivos.Desde o início dos testes, em 2023, a frota abastecida integralmente com biodiesel acumula mais de 1,1 milhão de quilômetros percorridos.A TRS possui mais de 1.300 caminhões, enquanto o combustível utilizado nos testes é fornecido pela Biopower, uma das maiores produtoras de biodiesel do país.O abastecimento ocorre em uma unidade da companhia no complexo da JBS em Lins, onde está localizado, segundo a empresa, o primeiro ponto de abastecimento de B100 homologado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no Brasil. O chamado “bioponto” possui duas bombas e capacidade de 46 mil litros.O biodiesel utilizado é produzido a partir de matérias-primas renováveis, incluindo resíduos do processamento de bovinos e óleo de cozinha usado.E as emissões?Além de testar a viabilidade operacional do B100, a JBS busca medir o impacto do combustível sobre as emissões de sua logística.Com base na metodologia do GHG Protocol Brasil, da Fundação Getulio Vargas, a companhia afirma que o uso do B100 pode proporcionar redução de até 99% nas emissões de CO₂ em comparação ao diesel convencional.Considerando os seis caminhões envolvidos no projeto, a empresa estima ter evitado aproximadamente 1 mil toneladas de CO₂ equivalente desde 2023 — volume que compara à retirada de 232 automóveis de passeio das ruas durante um ano.“O projeto mostra como o biodiesel pode conectar economia circular e descarbonização logística”, afirma Alexandre Pereira, diretor comercial da Biopower.Para o executivo, os resultados mostram que o B100 pode ser utilizado como uma alternativa para reduzir as emissões do transporte pesado, aproveitando matérias-primas renováveis geradas dentro da própria cadeia produtiva da JBS.