Fatores biológicos, genéticos e socioculturais estão entre os principais elementos que contribuem para o desenvolvimento de transtornos alimentares, segundo especialistas do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da FMUSP.O tema foi debatido no programa CNN Sinais Vitais de sábado (15), em que o Dr. Roberto Kalil recebeu o psiquiatra Fábio Salzano e a nutricionista Andrea Vargas.Salzano explicou que a origem dos transtornos alimentares ainda não é completamente compreendida pela ciência, sendo resultado de uma combinação de múltiplos fatores. Leia Mais Críticas a Ariana Grande reacendem debate sobre transtornos; entenda sinais Por que ficamos irritados ao sentir fome? Estudo investiga motivos Vício em alimentos ultraprocessados é real e está aumentando Para ilustrar a dimensão genética, ele citou estudos com gêmeos: “Se eu tenho anorexia nervosa, meu irmão gêmeo idêntico também pode vir a ter esse transtorno em uma proporção muito maior do que os gêmeos que não são iguais”, destacou.Além disso, Salzano apontou que alterações no funcionamento cerebral e nos transmissores cerebrais também podem facilitar o aparecimento desses quadros.Fatores socioculturaisSalzano ressaltou que os fatores socioculturais são igualmente determinantes no desenvolvimento dos transtornos alimentares.Ele mencionou estudos realizados em diversas culturas e países que demonstram como populações isoladas de padrões de beleza ocidentais passaram a apresentar comportamentos alimentares problemáticos após o contato com esses modelos.“Você pega, por exemplo, as Ilhas Fiji, no meio do Pacífico, quando elas passaram a ter contato com esses modelos de origem caucasiana”, exemplificou.Segundo ele, a exposição a imagens de mulheres muito magras gerou dificuldades na aceitação do próprio corpo, levando ao surgimento de dietas restritivas, uso de laxantes e prática excessiva de atividade física.Redes sociaisA nutricionista Andrea Vargas abordou o impacto das redes sociais na relação das pessoas com o corpo e com a alimentação.Para ela, filtrar o excesso de informações sobre dietas e padrões estéticos é praticamente impossível diante do uso constante do celular. “Qualquer criança de 3, 4 anos já tem um celular na mão”, observou.Segundo Vargas, o fluxo incessante de imagens sobre o “comer perfeito” e o “corpo perfeito” gera grande confusão, levando as pessoas a não saberem mais o que consumir.“Esse ‘ser saudável’ está deixando a população cada vez mais doente, porque acaba indo para os extremismos”, alertou.Vargas defendeu ainda a importância de compreender que cuidar da saúde vai além da dieta. “Alimentação é um ponto. Eu preciso cuidar da minha saúde mental, do meu físico, é um conjunto”, disse.A nutricionista sugeriu um retorno a hábitos mais simples, semelhantes aos de gerações anteriores, sem as preocupações excessivas que hoje cercam as escolhas alimentares.Ela também questionou crenças populares sem embasamento, como a ideia de que o consumo de arroz leva ao ganho de peso. “Não sei de onde tiraram isso”, destacou. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.