A Justiça do Trabalho condenou o Corinthians a pagar um conjunto de indenizações que somam quase R$ 3 milhões a um atleta que lesionou o joelho durante uma partida pelo Campeonato Brasileiro Sub-20. A decisão é da juíza Viviany Aparecida Carreira Moreira Rodrigues, da 63ª Vara do Trabalho de São Paulo.O jogador de futebol machucou o joelho depois de ter sofrido um escorregão na linha de fundo em um jogo contra o Grêmio, no Parque São Jorge, no dia 29 de dezembro de 2020. Após a reabilitação inicial, ele voltou a atuar pelo clube, mas novos microtraumas fizeram com que fosse necessário passar por outras cirurgias e sessões de fisioterapia, que não surtiram o resultado esperado. Leia também São PauloOrganizadas do Corinthians protestam no MPSP por intervenção no clube São PauloEnel apresenta alegações finais no processo que pode cassar concessão São PauloTRE-SP reverte decisão e libera vídeo com Tarcísio como boneco Chucky São PauloCandidato “ligado” ao PCC já foi condenado por tentativa de homicídio No entendimento da magistrada que proferiu a decisão, o atleta foi vítima de danos materiais e morais. Além disso, o Corinthians também deverá pagar indenização por não ter contratado um seguro obrigatório, previsto pela Lei Pelé, bem como um valor substitutivo da garantia de emprego, dada a constatação pericial de que a consolidação das lesões ocorreu após o término do contrato de trabalho.No entendimento da juíza, o atleta tinha uma promissora carreira que foi encurtada justamente pela lesão. Ela também afirmou que a readaptação dele não poderia se dar na atividade na qual ele se profissionalizou, o que configuraria dano material — por essa razão, o Corinthians terá de pagar uma indenização de R$ 2,2 milhões, a maior entre as quatro estipuladas.“A perda da capacidade de exercer sua profissão de origem, especialmente para um atleta de alta performance em formação como era o reclamante, com passagens pela seleção brasileira sub-20 e em um dos maiores clubes do país, acarreta dano material”, afirmou a magistrada.Pelos danos morais, o valor a ser pago é de R$ 200 mil. A juíza levou em consideração a responsabilidade do Corinthians, o fato de o atleta ter ficado totalmente e permanentemente incapacitado para a profissão, e o sofrimento em função das várias cirurgias e do tratamento prolongado, assim como cicatrizes decorrentes das operações.Outra indenização de R$ 240 mil se refere à não contratação do seguro obrigatório previsto no artigo 45 da Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé), e um último montante de R$ 261 mil diz respeito à indenização substitutiva da garantia de emprego do artigo 118 da Lei 8.213/91.Vale notar que todos os valores devem ser corrigidos monetariamente, e sofrem incidência de juros.Corinthians vive crise financeiraSegundo o balancete financeiro mais recente divulgado pelo Corinthians, em outubro de 2025, a dívida do clube está na casa dos R$ 2,7 bilhões, valor atingido após um crescimento de 67,2% (ou R$ 1,087 bilhão) desde 2021.Desse total, R$ 2 bilhões se referem a pendências do clube e outros R$ 655,3 milhões ao financiamento da Neo Química Arena, em Itaquera, onde o Corinthians realiza suas partidas como mandante.Os valores integrais da dívida devem ser atualizados nos próximos meses, com a divulgação de um novo balancete.