"Bairro da prostituição" é alvo de operação de polícias e MP em SP

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As Polícias Civil, Militar e a Guarda Civil Municipal de Campinas, em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagraram, no final da tarde desta quinta-feira (20/8), uma operação no Jardim Itatinga, que ficou conhecido pela população como “bairro da prostituição” em Campinas, no interior paulista.Batizada de Operação Submundo, a ação ocorreu na região conhecida pela exploração sexual e incidência de outros crimes. O objetivo, segundo a Polícia Civil, foi de combater crimes contra a dignidade sexual, extorsão, falsificação e adulteração de bebidas e alimentos, além do tráfico de drogas e a exploração de jogos de azar.3 imagensFechar modal.1 de 3Veículos mobilizados na Operação SubmundoPolícia Militar/Divulgação2 de 3Veículos mobilizados na Operação SubmundoPolícia Militar/Divulgação3 de 3Veículos mobilizados na Operação SubmundoPolícia Militar/DivulgaçãoTambém auxiliaram na ação a Vigilância Sanitária de Campinas e agentes da Associação Brasileira de Bebidas.Segundo o relatório divulgado pelas autoridades, mais de 20 estabelecimentos foram fiscalizados, com vários deles terminando interditados em função das condições encontradas.A polícia também descobriu adulteração de bebidas e comercialização de medicamentos em estabelecimentos não autorizados. Leia também São PauloCâmara de Campinas veta condenados por maus-tratos em cargos públicos São PauloMistério: mulher é encontrada morta com sinais de facada em Campinas São PauloEx-funcionário é preso por incendiar loja de fotografia em Campinas São PauloMotorista perde controle do carro e invade fachada de loja em Campinas “Bairro da prostituição”O bairro Jardim Itatinga é um território isolado e cercado por rodovias em uma periferia de Campinas, e foi projetado para abrigar atividades ligadas à prostituição.Não é modo de dizer: o espaço foi projetado de forma deliberada pelo próprio poder público na década de 1960, durante a Ditadura Militar. O objetivo, de concentrar em uma única área toda atividade relacionada à prostituição, era claro e persiste até hoje.Entre as rodovias dos Bandeirantes e Santos Dumont, foram construídas diversas casas — de pequeno, médio e grande porte — para onde são atraídos homens e mulheres, trabalhadores ou clientes do sexo.2 imagensFechar modal.1 de 2Jardim Itapira fica em uma periferia de Campinas, e é cercado por rodoviasReprodução/Google Maps2 de 2Bairro foi projetado durante a ditadura militar para abrigar atividades associadas à prostituiçãoReprodução/Google MapsA “zona” surgiu inspirada no sistema regulamentarista francês, que via a prostituição como um “mal necessário”, a ser controlado e confinado. A intenção do distanciamento era de “higienizar” a cidade, mantendo seus valores e moral preservados.Além do planejamento geográfico, a institucionalização da prostituição no território logo levou a regulamentações, como o fichamento das prostitutas na delegacia de polícia e exames ginecológicos obrigatórios para as trabalhadoras do sexo.Em outras cidades do estado, como a capital paulista, essas práticas já haviam sido abolidas, mas foram adotadas pelo poder público de Campinas, se alinhando ao padrão de desenvolvimento urbano do município.