Ele recusou 20 ofertas de emprego e agora volta a ser bilionário com a Moderna

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O patrimônio de CEOs e fundadores costuma depender diretamente do desempenho das ações de suas empresas. Basta um resultado trimestral surpreendente ou uma notícia de grande impacto para transformar suas fortunas. Agora, o cofundador da Moderna, Robert Langer, voltou ao clube dos bilionários após resultados promissores dos testes de uma vacina contra o câncer impulsionarem as ações da companhia.Conhecido como o “Edison da Medicina”, Langer viu o valor de sua participação na empresa de biotecnologia dobrar, elevando sua fortuna para cerca de US$ 1,7 bilhão, segundo análise da Forbes.O salto patrimonial ocorreu após a notícia divulgada na quarta-feira de que a vacina de mRNA contra o câncer desenvolvida pela Moderna em parceria com a farmacêutica Merck atingiu seus objetivos em um estudo de fase 3 voltado ao tratamento do melanoma. O anúncio fez as ações da Moderna dispararem mais de 100%, levando a participação de aproximadamente 3% de Langer a ultrapassar novamente a marca de US$ 1 bilhão. Na terça-feira, sua fatia era avaliada em cerca de US$ 730 milhões.Esta é a segunda vez que Langer entra para o grupo dos bilionários. A primeira ocorreu em novembro de 2020, quando as ações da Moderna dispararam após a empresa divulgar resultados positivos da fase 3 de sua vacina contra a Covid-19. Durante o auge da pandemia, a Forbes chegou a estimar sua fortuna em US$ 4,9 bilhões, em 2021, antes de a forte queda das ações da empresa reduzir seu patrimônio e tirá-lo do ranking.A participação do cofundador, hoje com 77 anos, chegou a ser avaliada em apenas US$ 343 milhões no início de janeiro, quando as ações da Moderna atingiram a mínima de US$ 29,81. Agora, ele retorna ao grupo dos ultrarricos, mas continua aconselhando jovens profissionais a priorizar propósito e realização pessoal acima de dinheiro e estabilidade.Leia tambémComo a Moderna quase triplicou o valor de suas ações em um único diaA empresa viu sua sorte desmoronar à medida que a demanda por vacinas contra a Covid-19 despencava. Mas, enquanto isso, estava ocupada trabalhando em outra aposta“O que você realmente quer é que a pessoa tenha uma grande carreira e seja feliz”, afirmou Langer em entrevista ao Big Think, em 2018. “Meu conselho aos estudantes é: não escolham o que vai gerar mais dinheiro ou mais segurança, mas aquilo que vai fazê-los felizes.”A Fortune procurou a Moderna para comentar o assunto.Langer recusou 20 propostas de emprego para seguir seus sonhosO principal conselho de Langer aos jovens é manter a mente aberta quando se trata da carreira.A trajetória do bilionário foi marcada por decisões pouco convencionais. Antes de fundar uma das maiores empresas de biotecnologia do mundo, ele recusou propostas altamente lucrativas e enfrentou anos de rejeição profissional.Langer desenvolveu sua paixão pela ciência enquanto estudava engenharia química na Universidade Cornell. Posteriormente, concluiu seu doutorado no MIT em 1974. Ao se formar, recebeu uma enxurrada de propostas de trabalho.Naquele período, os Estados Unidos enfrentavam uma crise de abastecimento de combustível, e as petroleiras estavam em busca de engenheiros químicos como ele. Quase todos os seus colegas aceitaram empregos muito bem remunerados no setor.Um recrutador chegou a lhe dizer que um aumento de apenas 0,1% na eficiência de um processo petroquímico poderia gerar bilhões de dólares para uma empresa. Ainda assim, Langer não se animou com a ideia de dedicar a vida a aumentar margens de lucro no setor de petróleo.“Recebi 20 entrevistas e 20 ofertas dessas empresas, mas aquilo não me empolgava”, disse ao Big Think. “Eu simplesmente não via grande impacto nesse trabalho e continuei procurando maneiras de causar uma contribuição maior para o mundo.”Depois de recusar os empregos, enfrentou rejeiçõesAo abrir mão das vagas no setor petrolífero, Langer optou por um caminho alternativo e ingressou como pesquisador de pós-doutorado no laboratório de Judah Folkman, no Hospital Infantil de Boston.Durante três anos, trabalhou em formas mais eficientes de administrar medicamentos, desenvolvendo um sistema capaz de levar grandes moléculas, como proteínas, para dentro das células.A pesquisa era tão inovadora que boa parte da comunidade científica não acreditava nos resultados. Isso acabou criando obstáculos significativos em sua carreira.Seus nove primeiros pedidos de financiamento para pesquisa foram rejeitados. Quando buscou uma vaga como professor, descobriu que “nenhum departamento de engenharia química do mundo” queria contratá-lo.“Acabei indo para um departamento de nutrição, mas as pessoas de lá não acreditavam muito no que eu fazia e basicamente me disseram para procurar outro emprego”, recordou. “Não foi uma fase agradável. Se eu tivesse desistido naquela época, não sei o que teria acontecido.”Da academia à ModernaEm 1978, Langer conseguiu uma posição docente no MIT e, ao longo dos anos, construiu o maior laboratório de engenharia biomédica do mundo.Seu grande salto empresarial, porém, só veio depois dos 60 anos. Em 2010, ele cofundou a Moderna, transformando décadas de pesquisa acadêmica em uma empresa bilionária de biotecnologia.Hoje, a companhia, avaliada em cerca de US$ 56 bilhões, é reconhecida pelo desenvolvimento de uma das primeiras vacinas de mRNA bem-sucedidas contra a Covid-19 e pelos avanços recentes nos estudos contra o melanoma.Para Langer, a jornada exigiu persistência e concessões, mas a principal lição continua sendo a mesma:“Se você desiste com muita facilidade, isso não é bom. Claro que também não deve ficar batendo a cabeça na parede para sempre, então é preciso encontrar um equilíbrio”, afirmou. “Mas penso que, se tivesse desistido naquele momento, talvez também tivesse abandonado outras coisas importantes. Ainda bem que não desisti.”© 2026 Fortune Media IP LimitedThe post Ele recusou 20 ofertas de emprego e agora volta a ser bilionário com a Moderna appeared first on InfoMoney.