Chinesa busca acesso à Foz do Amazonas após descoberta da Petrobras

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Empresas do setor de petróleo começam a se movimentar de olho no potencial da Foz do Amazonas após a Petrobras identificar hidrocarbonetos na região.A chinesa CNOOC Petroleum Brasil pediu ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) acesso integral a um processo administrativo relacionado à área.O pedido foi apresentado nesta quarta-feira (19) por Yehua Huang, presidente da companhia. Documento publicado no Diário Oficial da União em junho identifica Huang como diretor-geral da companhia no país.No requerimento ao Ibama, ao qual a CNN teve acesso, a CNOOC solicita “vista do documento/processo” e marca a opção de cópia integral. Nas informações complementares, a empresa pede “acesso integral do processo 02001.035748/2025-13 no Sistema Eletrônico de Informações (SEI)”.O movimento ocorre poucos dias depois de a Petrobras anunciar a identificação de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, parte da Margem Equatorial brasileira. Leia Mais Petrobras aguarda Ibama para perfurar mais poços na Foz do Amazonas Petrobras já gastou cerca de US$ 300 milhões em poço na Margem Equatorial Petrobras vê Margem Equatorial como caminho para repor reservas do pré-sal O poço fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas, com lâmina d’água de 2.886 metros. A Petrobras é operadora e detém 100% de participação no bloco, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013. A perfuração continua para que a estatal obtenha mais informações sobre a área.A descoberta foi anunciada pela Petrobras em 14 de agosto, cinco dias antes da data do requerimento da CNOOC ao Ibama. A presença de hidrocarbonetos, porém, ainda não significa que exista uma reserva comercialmente viável. Serão necessárias novas avaliações para determinar as características e o potencial econômico da descoberta.O documento obtido pela CNN também não permite concluir que a CNOOC tenha decidido investir na Foz do Amazonas ou que negocie participação no FZA-M-59. O pedido comprova apenas o interesse da companhia em acessar integralmente o processo administrativo.Margem Equatorial no radarO movimento é estudado por outras petroleiras e não deve ser feito só pela CNOOC Petroleum Brasil. A estratégia se dá em um momento de crescente interesse da indústria pela Margem Equatorial, considerada uma das principais novas fronteiras exploratórias do país.Em junho, a ANP aprovou a indicação de outros 86 blocos exploratórios da Margem Equatorial para estudos com vistas a uma eventual inclusão em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão. Os blocos ficam nas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Barreirinhas. Eles não estarão, porém, no 6º Ciclo da Oferta Permanente, previsto para outubro.A agência também estima investimentos de US$ 196 milhões em exploração nas bacias marítimas da Margem Equatorial em 2026, equivalentes a 22% dos investimentos exploratórios previstos para o ano.A Petrobras conseguiu em outubro de 2025 a licença do Ibama para realizar a pesquisa exploratória no FZA-M-59, após um longo processo de licenciamento ambiental.A descoberta anunciada na semana passada adiciona um componente importante para as empresas que avaliam o potencial da região: a confirmação da presença de hidrocarbonetos no primeiro poço perfurado pela Petrobras nessa área.Ainda é cedo para saber o tamanho e a viabilidade econômica do achado, mas especialistas avaliam que o resultado reforça a tese geológica sobre o potencial petrolífero da Margem Equatorial.Agora, além dos próximos resultados da perfuração da Petrobras, o comportamento das demais petroleiras passa a ser um indicador importante para medir quanto a descoberta no Amapá poderá aumentar o interesse privado por essa nova fronteira exploratória.CNOOC amplia presença no BrasilA movimentação também ocorre em um momento de expansão da atuação da CNOOC no país. A companhia chinesa já participa de grandes projetos de petróleo em águas profundas brasileiras, entre eles o campo de Mero, no pré-sal.Em junho deste ano, a CNOOC e a Sinopec assinaram o contrato de partilha para exploração e produção no bloco Ametista, arrematado no 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha.A empresa também aparece entre as companhias com inscrição ativa na Oferta Permanente de Concessão da ANP, ao lado de nomes como BP, Chevron e CNODC.