Análise: Trump pode levar adiante seu plano contra a economia do Irã?

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Sua nova abordagem é uma espécie de saída honrosa depois de ele não ter conseguido bombardear a República Islâmica até fazê-la se render, nem convencê-la a retomar as negociações nucleares com incentivos previstos em um memorando de entendimento. É a mais recente e vertiginosa reviravolta em um conflito que já produziu mais mudanças táticas e reversões de rumo do que é possível contar.O presidente interrompeu todas as conversas com o Irã, e a CNN informa que sua equipe disse a aliados políticos que ele está se acomodando a uma guerra de desgaste econômico que, segundo ele, vai destruir a economia iraniana e obrigar o país a capitular.“Agora, acho que a situação está muito boa”, disse Trump na quarta-feira (19) sobre uma guerra que ele declarou ter vencido depois de alguns dias, mas que agora já entrou em seu sexto mês.Em uma publicação posterior nas redes sociais, ele prometeu reprimir qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam qualquer tipo de suporte ao Irã. Ele escreveu: “Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada, tudo isso precisa parar AGORA.”“Vocês sabem quem são”, acrescentou o presidente.Muitos analistas duvidam que o regime revolucionário de Teerã, conhecido por impor forte repressão e dificuldades econômicas à população civil, recue em sua luta existencial contra os EUA. Afinal, o país suportou décadas de algumas das sanções econômicas mais severas do mundo.“Quem pensa que o Irã vai entrar em colapso sob pressão está, na minha opinião, enganado, apesar da situação econômica”, afirmou Daniel Citrinowicz, que atuou na Inteligência Militar de Israel, inclusive como chefe da área dedicada ao Irã na Divisão de Pesquisa e Análise.Citrinowicz disse à CNN International na terça-feira (18) que não há sinais de que o Irã esteja abandonando sua estratégia de tentar pressionar Trump por meio dos mercados internacionais. Ele acrescentou que, embora a pressão econômica possa impor custos severos ao Irã, “no fim das contas, não vejo o cálculo iraniano mudando por causa dessa pressão”. Leia Mais "Não vamos ceder", diz negociador do Irã após trocas de ataques com EUA Análise: Para líderes do Irã, sobreviver pode ser mais fácil que ganhar paz Irã diz manter negociações e contatos diplomáticos com os EUA O que Trump precisa mudarPara obter algum avanço, Trump não terá apenas que mudar o cálculo em Teerã. Primeiro, terá que mudar o próprio comportamento.Destruir a economia do Irã levaria meses ou até anos. Isso exigiria o tipo de paciência estratégica que Trump quase nunca demonstra. O Irã não estará sozinho se apostar que o presidente se cansará de seu novo plano muito antes de ele apresentar resultados.A nova abordagem de Trump também pode depender de uma mudança diplomática.A Casa Branca está depositando enorme confiança no poderio militar para impor um bloqueio aos navios e portos iranianos — algo exemplificado por uma publicação enganosa nas redes sociais nesta semana, na qual Trump declarou o Estreito de Ormuz como um novo território dos EUA. Mas uma tentativa realmente eficaz de isolar o Irã exigiria um esforço de grandes proporções, envolvendo o Golfo, a Europa e a Ásia.Há maneiras plausíveis de o governo americano impor custos reais ao regime iraniano.Ludovic Hood, pesquisador sênior do Hudson Institute, defende uma pressão regional e internacional sobre as receitas do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e uma nova ofensiva contra sua rede de grupos aliados na região.Em um artigo de opinião recente no Wall Street Journal, ele pediu o fortalecimento dos laços dos EUA com os governos de Bagdá e Beirute para desafiar o poder de Teerã em todo o Oriente Médio. Também recomendou que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, aumente a pressão econômica sobre a China, uma das principais compradoras de petróleo iraniano.Hood argumentou que uma pressão econômica sustentada agravaria a inflação e a fuga de capitais, desencadeando uma crise bancária que poderia enfraquecer o controle do regime.Um bloqueio seria ainda mais eficaz se os EUA recrutassem aliados para desmantelar a rede de acordos econômicos clandestinos e rotas comerciais que Teerã construiu para contornar as sanções. Mas esse tipo de cooperação dificilmente faz parte do repertório desta administração. A diplomacia de Washington em relação ao Irã, conduzida pelos enviados de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, tem sido frequentemente ingênua.E o presidente dos EUA afastou aliados ao iniciar uma guerra que ameaçou seus interesses de segurança nacional e econômica e depois os repreendeu por não participarem dela. Nesta semana, ele ameaçou bombardear Omã por causa de sua posição nas negociações com o Irã, que buscam reabrir o estreito.Um bloqueio total da economia iraniana não aconteceria sem decisões difíceis para Trump. Por exemplo, uma medida de grande impacto seria impor sanções a bancos chineses envolvidos em transações relacionadas às vendas ilícitas de petróleo do Irã. Mas Trump receberá o presidente chinês Xi Jinping para uma visita de Estado em setembro, um dos pontos altos de seu ano. Seria uma grande surpresa se ele azedasse o clima antes disso.Trump vai manter o rumo ou blefar e recuar?Mesmo que Trump esteja disposto a esperar que sua guerra econômica sufoque o Irã, há outra terceira variável: Teerã pode reagir.O Irã sabe que Trump está vulnerável a pouco mais de dois meses das eleições de meio de mandato. E parece determinado a humilhá-lo tão completamente quanto humilhou o presidente Jimmy Carter durante a crise dos reféns, antes da eleição de 1980.O Irã, portanto, tem uma forte motivação política para rejeitar a tentativa de Trump de acalmar a guerra durante a campanha eleitoral de outono. E também tem um incentivo geopolítico para escalar o conflito a fim de preservar seu principal ganho na guerra: a capacidade de retardar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.Novos ataques com drones ou mísseis contra embarcações aumentariam os custos econômicos para os eleitores americanos e os fariam lembrar o quanto detestam a guerra. Se o presidente reagisse, agravaria a crise. Se recuasse, pareceria fraco.Uma guerra aberta ou uma guerra econômica deixará oportunidades para os democratas. “Não estou interessado em uma guerra de desgaste econômico com o Irã, na qual o povo americano seja quem paga o preço do nosso lado da equação, no posto de gasolina e no supermercado”, disse na terça-feira o deputado democrata James Walkinshaw à CNN News Central.Apesar da mais recente explosão de Trump nas redes sociais, ainda não há um desfecho à vista.E o presidente continua lidando com a questão que o coloca em uma armadilha: a tolerância dos americanos às consequências da guerra vai acabar antes da tolerância do regime iraniano?