Bastaram 11 pregões para o mercado perder R$ 306 bilhões, ou 6,2% de seu valor. Isso equivale praticamente a uma Vale (VALE3), com R$ 304,5 bilhões.Além do aumento do risco-país, com a inflação ainda alta, enquanto os juros estão na casa dos 14%, o mercado coloca no preço a possibilidade de reeleição do presidente Lula, considerado mais ‘gastador’ e, consequentemente, um nome visto como menos favorável para o ajuste das contas públicas do país.Se é possível enxergar algum lado positivo nessa história, é que o mercado puniu quem devia e quem não devia, criando oportunidades.Segundo o gestor Christian Keleti, da AlphaKey, a janela para compra é uma das melhores dos últimos 10 anos, não vista desde a era Dilma Rousseff, quando o Brasil estava em recessão.“Eu vejo uma simetria que eu não via, pelo menos, há uns 10 anos, quando a gente teve o estresse da Dilma”, disse, em entrevista ao Money Times.“Tirando a pandemia, que eu não comparo. Por quê? Porque não tinha dia seguinte na pandemia, você não sabia o que ia acontecer. Então, não acho que é uma janela de observação comparável”, completa.As apostas de KeletiNa carteira do gestor, as elétricas têm destaque. Segundo ele, as empresas do setor dois anos atrás chegaram a níveis de desconto elevados em relação aos títulos de renda fixa NTN-B, os famosos Tesouro IPCA+. Porém, hoje elas possuem uma vantagem: são privatizadas.“No caso da Copasa (CSMG3), ela passou por um processo de privatização. Isso é muito positivo. A Eletrobras, a Axia (AXIA3), também não era.”Nos seus cálculos, hoje a empresa possui potencial de distribuir dividendos entre 10% e 15%.“Naquela época, dois anos atrás, não tinha. A Copel (CPLE6), muito parecida, tem o potencial de distribuir dividendos de 10%.”A Equatorial chegou também a um desconto muito parecido em relação às NTN-Bs, mas com uma diferença: ela não tem o dividendo, porque está crescendo e investindo dinheiro em saneamento, com a compra de participações em Sabesp (SBSP3) e Copasa.Shoppings e construção civilOutros papéis que entram no radar do gestor são os de shopping centers. Segundo ele, o setor oferece uma combinação de retorno acima da inflação de 12% a 15%.“A Allos (ALOS3), que é a que eu mais tenho. Por quê? Porque tem uma combinação de crescimento de dividendos muito alta, mais um retorno de em torno de 4 pontos acima da NTN-B”, diz.Ele também diz que Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3) estão muito baratas, “mas não têm o dividendo que as outras têm”.“Então, eu particularmente prefiro, apesar de ter uma exposição a shoppings mais de classe média, a Allos pelo dividendo. O carrego é muito positivo.”Ele cita também Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), “empresas que estão a cinco, seis vezes o lucro, só que vão pagar 10% a 15% de dividendo”.“E o programa Minha Casa, Minha Vida ou Casa Verde e Amarela, independentemente de quem ganha, vai continuar, e eu não acho que a desaceleração será grande.”ExportadorasPara a Vale, Keleti não está tão animado. Em petróleo, a “Petrobras (PETR4) tem uma janela muito boa”, enquanto a Prio (PRIO3) chegou à produção-teto no momento e pode pagar bons dividendos.Celulose e agronegócio são outros setores dos quais o gestor prefere ficar de fora agora.