O general da reserva Sergio Etchegoyen, ex-ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) durante o governo Michel Temer, afirmou que a discussão sobre a segurança do voto eletrônico não deve se concentrar apenas na urna, mas em todo o processo que envolve a realização das eleições.Em entrevista ao WW, da CNN Brasil, Etchegoyen disse não questionar a confiabilidade da urna, mas afirmou ter dúvidas sobre a possibilidade de a sociedade verificar e confirmar todas as etapas do sistema eleitoral.“Eu não questiono a confiabilidade da urna, até não tenho capacidade, do sistema como todo”, declarou. Para o general, a discussão “se concentrou equivocadamente na urna”, que, segundo ele, representa apenas “o último passo de um processo”.Etchegoyen citou etapas como a aquisição dos equipamentos, armazenamento, processamento, transporte e programação. “Todos esses processos, todo esse processo que é longo, ele apresenta em cada momento riscos, como todos os processos”, disse. Leia Mais "Não tivemos golpe porque Forças Armadas não aderiram", diz general à CNN TSE terá "sala de situação" com big techs nos dias das eleições em 2026 Nunes Marques defende urnas e diz que dúvidas “desconvidam” o eleitor Segundo o general, a questão central não seria a existência de fraude, mas a necessidade de mecanismos que permitam à população verificar o funcionamento do processo. “Eu não acho que a administração pública tenha o direito de dizer confie porque é confiável”, destacou.Para ele, cabe ao poder público demonstrar a confiabilidade do sistema. “A administração pública tem que demonstrar que é confiável e o demonstrar que é confiável é achar uma solução que a pessoa possa conferir, possa recontar, possa fazer isso”, comentou.Análise: Relato de ex-chefe da FAB expõe tensão com Bolsonaro | WWEtchegoyen ressaltou que sua posição não representa uma acusação contra o processo eleitoral. “Veja bem, eu não estou questionando, são duas coisas diferentes, eu não estou questionando o processo eleitoral”, declarou.Na entrevista, o general comparou a situação ao funcionamento de um banco. Segundo ele, seria difícil aceitar uma instituição que afirmasse possuir um sistema de segurança tão eficiente a ponto de tornar desnecessária a emissão de extratos.“Quem abriria a conta nele [no banco]? Não é uma questão de desconfiar, é uma necessidade que eu acho que existe na administração pública, que eu acho que é da natureza da administração pública, de confirmar o que está fazendo”, explicou.Ao abordar como esse mecanismo de verificação poderia ser implementado, o próprio Etchegoyen ponderou: “Como fazer? Bom, aí os técnicos saberão”.Análise: Ex-chefe da FAB expõe crise militar na trama golpista | WW