Autoridades do Líbano entregaram à Síria, nesta quarta-feira (19), um ex-oficial de alta patente do exército sírio para responder a acusações que incluem homicídio e tortura, informou o Ministério do Interior de Damasco.Essa foi a primeira entrega, pelo Líbano, de um oficial militar da era Assad desde que o ex-líder Bashar al-Assad foi deposto em 2024.O major-general Adel Issa — ex-comandante da 17ª Divisão do exército sírio e, posteriormente, das forças terrestres na província oriental de Deir Ezzor — foi transferido para a custódia síria após ter sido detido pelas autoridades libanesas no início deste mês. Leia mais EUA criam corredor secreto para transportar petróleo por Ormuz, diz site Trump anuncia medida econômica "mais devastadora" já tomada contra o Irã Mais de 750 militares dos EUA foram feridos na guerra contra o Irã O ministério informou que Issa era alvo de um mandado de prisão por acusações que incluem homicídio doloso, facilitação de crime grave, morte de mais de duas pessoas, tortura seguida de morte e crimes destinados a incitar guerra civil e conflitos sectários.O caso dele está agora sob análise de um juiz de instrução em Damasco, antes de poder ser encaminhado a um tribunal criminal para julgamento, acrescentou o ministério.Issa negou as acusações enquanto esteve detido no Líbano, segundo duas pessoas a par de sua prisão e extradição.A transferência pode abrir um precedente para dezenas de ex-oficiais de segurança e militares sírios que teriam fugido através da fronteira depois que rebeldes, liderados pelo atual presidente Ahmed al-Sharaa, derrubaram Assad em dezembro de 2024.Issa, de 67 anos, foi detido em 8 de agosto após comparecer à embaixada da Síria em Beirute para regularizar documentos. Funcionários da embaixada alertaram a promotoria do Líbano de que ele era procurado na Síria, e investigadores libaneses o detiveram, segundo as fontes.A transferência ocorre após meses de pressão de Damasco sobre Beirute para que agisse contra ex-oficiais de Assad que buscaram refúgio no Líbano após o colapso de seu governo.A Reuters noticiou em janeiro que autoridades sírias haviam entregue ao Líbano uma lista com mais de 200 ex-oficiais de alta patente procurados por Damasco. Um alto funcionário de segurança sírio havia viajado a Beirute em dezembro para discutir o paradeiro, a situação jurídica e a possível acusação ou extradição deles.As novas autoridades da Síria têm buscado responsabilizar ex-funcionários acusados de abusos durante o governo de Assad, ao mesmo tempo em que enfrentam questionamentos de grupos de direitos humanos sobre se os julgamentos atenderão aos padrões internacionais e garantirão o devido processo legal.Um tribunal de Damasco condenou Assad à morte à revelia, neste mês, por acusações que incluem homicídio, detenção arbitrária e tortura; ele havia fugido para a Rússia quando os rebeldes entraram em Damasco.A entrega de Issa poderá servir como um primeiro teste de como o Líbano lida com pessoas procuradas por Damasco, após décadas em que a Síria exerceu enorme influência política e de segurança sobre seu vizinho menor.