Mais do que desenvolver uma ideia, o objetivo passa por perceber se essa ideia resolve um problema real e se existe procura para a solução encontrada. Ao longo do programa, os participantes partem da identificação de uma necessidade e avançam até à construção e teste de um produto funcional.Seis sprints para testar uma ideiaO programa está estruturado em seis sprints, cada um dedicado a uma etapa do processo de desenvolvimento. As equipas trabalham sobre problemas concretos, contactam potenciais clientes, recolhem feedback e ajustam as soluções à medida que avançam.A metodologia procura aproximar os estudantes da realidade de quem desenvolve um produto tecnológico: testar cedo, identificar falhas e validar a procura antes de investir recursos significativos na construção de uma solução.Além das sessões semanais de mentoria, os participantes têm acesso a conversas com fundadores de start-ups e investidores. O programa inclui ainda duas semanas presenciais intensivas, realizadas entre Lisboa e Porto.Entre os mentores estão profissionais ligados à Armilar, Iberis Capital, Índico Capital Partners, Oxy Capital e Shilling VC.Para Beatriz Cardoso Fernandes, COO da 42 Portugal, o programa procura perceber até onde pode ser levada a metodologia de aprendizagem da própria escola. «A 42 já demonstrou que é possível formar profissionais de tecnologia através de uma metodologia baseada na autonomia, na colaboração e na aprendizagem pela prática.»A responsável acrescenta que o objetivo passa agora por perceber se esses mesmos princípios podem ser aplicados à criação de produtos e empresas: «Queremos perceber se esses mesmos princípios podem ajudar os nossos alunos a desenvolver produtos e a criar novas empresas.»Uma comunidade com perfis diferentesOs 24 participantes apresentam percursos bastante distintos. A idade média é de 28 anos, com quase metade dos estudantes abaixo dos 25, embora o grupo inclua participantes até aos 54 anos.As mulheres representam 33% dos participantes e estão presentes sete nacionalidades: Portugal, Brasil, Ucrânia, China, Paraguai, Angola e Peru.A diversidade também se estende às experiências profissionais. Entre os participantes encontram-se engenheiros de software, uma designer de UX, um músico, um atleta profissional, um chef e uma investigadora com doutoramento em Ciências da Saúde.A aposta procura, assim, cruzar competências tecnológicas com diferentes experiências e formas de identificar problemas. A expectativa é que essa combinação possa dar origem a projetos com aplicações para além do universo tradicional do desenvolvimento de software.Um primeiro passo para um venture studioO Infinite Improbability Engine tem ainda uma dimensão experimental para a própria 42 Portugal. O programa funciona como um primeiro teste à criação de um venture studio ligado à escola, dedicado ao desenvolvimento de projetos tecnológicos a partir das ideias e do talento da sua comunidade.A lógica passa por criar uma ponte entre formação, desenvolvimento de produto e empreendedorismo. Em vez de terminar a formação com competências técnicas, os estudantes podem ter também a oportunidade de transformar problemas identificados em projetos empresariais.A segunda fase do programa será destinada às equipas selecionadas no final do percurso.Os projetos chegam ao palco em setembroO programa termina com um Demo Day marcado para 16 de setembro, entre as 11h e as 17h, na Unicorn Factory Lisboa.Nesse dia, as equipas apresentam os produtos desenvolvidos à comunidade da 42 e a um júri composto por três a cinco fundadores. Para além da apresentação dos projetos, o momento servirá para avaliar o trabalho realizado durante as nove semanas e selecionar as equipas que avançarão para a segunda fase.A experiência pretende, no fundo, testar uma ideia simples: se a autonomia, a colaboração e a aprendizagem prática que estão no centro do modelo da 42 podem também servir para criar produtos, validar negócios e, eventualmente, lançar novas empresas tecnológicas.O conteúdo 24 alunos, nove semanas e uma missão: transformar ideias em produtos aparece primeiro em Revista Líder.