O papel transformador da eficiência operacional da IA no setor bancário

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A inteligência artificial é já uma das principais forças de transformação do setor financeiro. De acordo com o Banco Central Europeu, mais de 85% dos bancos sujeitos à supervisão bancária europeia utilizam esta tecnologia. A Deloitte indica, por sua vez, que o acesso dos colaboradores a ferramentas de IA aumentou 50% ao longo de 2025, passando de menos de 40% para cerca de 60% dos trabalhadores.A mesma análise estima que o número de empresas com pelo menos 40% dos seus projetos de inteligência artificial em produção poderá duplicar num período de seis meses. Estamos, portanto, a passar da fase dos projetos-piloto para uma utilização mais ampla e integrada no funcionamento das organizações.No setor financeiro, as oportunidades são particularmente relevantes. A IA permite processar grandes volumes de informação, extrair e validar dados de documentos, identificar padrões de risco, detetar anomalias, prevenir fraude e automatizar tarefas administrativas. Pode também apoiar os profissionais, tornando a informação mais rapidamente acessível e permitindo respostas mais céleres e adequadas às necessidades de cada cliente.Quando corretamente aplicada, a inteligência artificial não afasta as organizações dos clientes. Pelo contrário, pode libertar os profissionais de tarefas repetitivas e permitir-lhes dedicar mais tempo às interações em que o conhecimento, a negociação, a empatia e o julgamento humano são indispensáveis.Um exemplo desta transformação é a automatização da transcrição e do resumo de chamadas relacionadas com processos financeiros. Tradicionalmente, depois de cada contacto, os profissionais tinham de organizar e introduzir manualmente a informação nos sistemas, um processo demorado e sujeito a diferenças de estrutura, detalhe e linguagem.A utilização de IA permite transcrever as conversas, produzir resumos padronizados e integrar a informação nos sistemas de gestão. O benefício não está apenas na eficiência operacional: a informação torna-se mais completa, estruturada e disponível para apoiar contactos futuros, melhorando também a continuidade do atendimento.Contudo, quanto maior for a influência da tecnologia sobre um processo, maior terá de ser a confiança na informação que o alimenta. Um modelo pode ser rápido e sofisticado, mas continuará a produzir resultados frágeis se trabalhar sobre dados incompletos, desatualizados, enviesados ou mal classificados.De acordo com a Deloitte, 60% dos executivos já utilizam regularmente IA para apoiar decisões. Ao mesmo tempo, 61% reconhecem a crescente importância de responder à deterioração da qualidade e da fiabilidade dos dados, mas apenas 5% afirmam estar a tomar medidas significativas para resolver o problema.A McKinsey chega a uma conclusão semelhante: embora 88% dos participantes no seu estudo global de 2025 afirmem que as respetivas organizações utilizam regularmente IA em pelo menos uma função, apenas cerca de um terço indica que a tecnologia está a ser aplicada de forma generalizada em toda a organização. Além disso, mais de metade das empresas que utilizam IA já registou pelo menos uma consequência negativa, sendo a falta de precisão um dos problemas mais frequentes.Estes indicadores revelam uma assimetria preocupante: muitas organizações estão a aumentar a capacidade de produzir análises e decisões mais depressa do que estão a reforçar a credibilidade dos dados e os mecanismos de controlo dessas decisões.O verdadeiro avanço será conseguir personalização sem intrusão, automação sem opacidade e velocidade sem perda de controlo. Porque, na finança digital, a inteligência artificial só cria valor quando gera confiança.O conteúdo O papel transformador da eficiência operacional da IA no setor bancário aparece primeiro em Revista Líder.