A Região de Lisboa apresenta um PIB per capita 30% superior à média nacional, mas continua a enfrentar dificuldades que condicionam o bem-estar dos residentes. O retrato é traçado pelo Barómetro da Qualidade, desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS) e pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ).O estudo cruza indicadores estatísticos com a perceção dos cidadãos em áreas como a saúde, a habitação, a educação, a segurança, o ambiente, a economia, a mobilidade e a coesão social. A análise corresponde à unidade territorial NUTS II de 2024, que integra a Grande Lisboa e a Península de Setúbal. Lisboa concentra riqueza, qualificações e empresasA competitividade económica é uma das principais forças da região. O PIB per capita atinge 30.439,70 euros, face aos 23.430,30 euros registados no conjunto do país.Entre a população com ensino superior, a taxa de desemprego situa-se nos 4,3%, abaixo dos 5,9% nacionais. A região apresenta também uma taxa de constituição de pessoas coletivas de 4,4%, superior à média portuguesa de 3,3%.A vantagem prolonga-se à educação: a taxa de escolarização no ensino superior chega aos 62,2%, enquanto a média nacional se fica pelos 43,1%. Habitação e desemprego de longa duração expõem fragilidadesO desempenho económico favorável convive, contudo, com problemas estruturais. A proporção de desempregados de longa duração é de 3,5% na Região de Lisboa, acima dos 2,4% observados a nível nacional.A habitação constitui outro dos principais desafios. A taxa de sobrecarga das despesas habitacionais atinge 9,6%, contra 6,9% no país. Apenas 15,7% dos alojamentos foram construídos depois de 2000, uma proporção inferior à média nacional de 19,4%.Na segurança, os roubos por esticão e na via pública atingem 1,3 ocorrências por cada mil habitantes, quase o dobro das 0,7 registadas no conjunto de Portugal. Menos médicos de família, respostas sociais e espaços verdesNa dimensão social, a região apresenta uma menor percentagem de idosos em situação de vulnerabilidade — 0,2%, face a 1,8% no país —, mas também uma cobertura inferior das respostas sociais dirigidas à população idosa: 8,6%, contra 12,9%.O acesso à saúde revela igualmente uma diferença significativa. Apenas 69,2% dos residentes têm médico de família, enquanto a média nacional chega aos 84,3%.A distância é ainda maior no acesso a espaços verdes urbanos. A Região de Lisboa disponibiliza 40,2 metros quadrados por habitante, bastante abaixo dos 104,2 metros quadrados registados no país.Em sentido contrário, Lisboa apresenta resultados superiores na reutilização e reciclagem de resíduos urbanos, com uma taxa de 31,4%, face a 25%, e na cobertura de acesso à banda larga, que chega aos 48,5%, acima dos 43,5% nacionais. Turismo e cultura reforçam a atratividade regionalA oferta cultural e turística confirma a capacidade de atração de Lisboa. Os museus da região recebem, em média, 2,6 visitantes por residente, contra 1,7 no país.O rendimento médio por estabelecimento turístico ultrapassa o dobro da média nacional: 1.192,8 milhares de euros na Região de Lisboa, comparativamente com 536,8 milhares de euros em Portugal. Transportes e teletrabalho agradam, mas ruído e estacionamento penalizamOs residentes avaliam favoravelmente a qualidade e cobertura dos transportes públicos, as opções de teletrabalho, o voluntariado e as condições oferecidas às famílias com crianças pequenas.As opiniões tornam-se menos positivas quando estão em causa a limpeza e higiene urbana, o estacionamento, o ruído, a segurança, a conciliação entre a vida profissional e pessoal e o impacto do turismo.Para Pedro Simões Coelho, professor da NOVA IMS e responsável pelo projeto, «o valor distintivo do Barómetro está na capacidade de passar da medição à explicação e da explicação à ação». O modelo permite identificar as dimensões que melhor explicam o desempenho de cada território, estimar os efeitos de diferentes intervenções e perceber onde uma política pública poderá gerar maior valor.O Barómetro pretende, assim, funcionar como uma ferramenta de diagnóstico, simulação e recomendação, apoiando decisores públicos, empresas, investigadores e cidadãos na definição de políticas mais eficazes e orientadas para a qualidade de vida.O conteúdo Lisboa tem PIB 30% superior à média, mas fica aquém na habitação e na saúde aparece primeiro em Revista Líder.