Pegadas e ossos: vestígios de animal selvagem no DF intrigam moradores

Wait 5 sec.

Fezes com vestígios de pelos, pegadas no chão e dejetos contendo fragmentos que aparentam ser de ossos. Esses foram algumas das possíveis pistas localizadas por Ana Lídia Gonçalves, 42 anos, brasiliense que perdeu quatro cães nas últimas semanas na casa onde mora, no Núcleo Rural Pipiripau II, em Planaltina (DF). Ana Lídia e a família suspeitam que um animal silvestre esteja rondando a região e atacando bichos de menor porte.O primeiro ataque aos cães de Ana Lídia teria acontecido no dia 3 de agosto, quando a cadela Lelê desapareceu de casa. Dois dias depois, o Garoto, um dogue alemão, também subiu da residência da família.“Eu escutei ele [Garoto] latindo, na madrugada de 3 de agosto, e um animal fazendo o que parecia ser um esturro na parte de preservação que a gente tem ao fundo da nossa chácara. Quando acordei, não consegui achar meu cachorro”, relata Ana Lídia.Após esse desaparecimento, outros dois cães, Pudim e Pretinha, não foram mais vistos. A moradora acredita que os cães foram pegos pelo animal silvestre, o qual ela deduz ser uma onça-preta. Ana Lídia diz, inclusive, que, na útlima segunda-feira (17/8), ficou “frente a frente” com o bicho não identificado.“O som ambiente da chácara estava muito silencioso naquela noite. Quando estava saindo da casa da minha sogra, passei pelo portão e fiz uma iluminação com a lanterna em um lado escuro, mas não avistei nada. Porém, ao passar a lanterna para o outro lado, vi um olho brilhando. Dei um passo atrás, abri o foco da lanterna e lá estava ele [o animal] no chão, deitado”, revelou.O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), no entanto, ainda não identificaram a espécie e não confirmam que trata-se de uma onça. As equipes seguem atuando e prestando assistência aos moradores da região. Leia também Na MiraMulher diz que ficou “frente a frente” com animal que matou cães no DF Na MiraMistério: polícia é acionada após ataques de animal em área do DF É o bicho!Luto pet: para o cérebro, perder um animal é como perder um familiar Segundo a moradora, o animal visto “frente a frente” já teria sido avistado por ela outra vez, junto de um filhote. Além disso, após esse novo encontro, ela afirma ter visto marcas de pegadas de tamanhos diferentes no chão do próprio quintal.“Eu fiquei apreensiva, mas lembrei de já ter visto ele tempos atrás. Ele está com um filhote, porque as pegadas que eles deixaram dentro do quintal são diferentes”, concluiu.6 imagensFechar modal.1 de 6Esta imagem circula em grupos de moradores do Pipiripau II. Eles desconfiam se tratar de uma onça-preta que estaria circulando a região, embora ainda não haja confirmaçãoImagem divulgada por moradores2 de 6Batalhão de Polícia Militar Ambiental foi ao localReprodução / PMDF3 de 6Moradores acreditam ter visto supostas de animal silvestreReprodução / PMDF4 de 6Pegadas do suposto animalImagem cedida ao Metrópoles5 de 6Fezes que seriam do suposto animal silvestreImagem cedida ao Metrópoles6 de 6Vários animais de Ana Lídia foram feridosReprodução / PMDFDiante da situação, Ana Lídia afirma que ela e outras famílias estão mudando a rotina para tentar evitar novos ataques e encontros com animais silvestres.“Todo dia a gente fica apreensivo. Temos oito cachorros que vivem na chácara e toda vez que acordamos, a gente conta cada um, porque fica com aquela agonia de mais um desaparecer”, relatou a moradora.PM monitora a regiãoPoliciais militares estiveram no local após os moradores relatarem diversos episódios envolvendo animais domésticos. Entre as informações apuradas pelas autoridades estão o desaparecimento de cães e o caso de um animal encontrado com ferimentos. Diante das ocorrências, os moradores levantaram a suspeita de que os ataques poderiam estar relacionados à presença de um animal silvestre na região.Durante a averiguação, os policiais realizaram buscas no entorno da residência de Ana Lídia, bem como em áreas de vegetação e nas proximidades de uma mina d’água existente na propriedade. A equipe identificou possíveis vestígios da passagem de um animal de grande porte. No entanto, devido às condições secas do terreno, as marcas estavam pouco definidas, o que impossibilitou a confirmação da espécie.O BPMA orientou os moradores a não se aproximarem nem tentarem capturar animais silvestres. Em caso de nova visualização, a recomendação é manter distância e redobrar os cuidados com os animais domésticos.Ibram acompanha o casoO Instituto Brasília Ambiental confirma a visita realizada nessa quarta-feira. “Uma equipe técnica responsável pela gestão de fauna esteve na região do Núcleo Rural Pipiripau 2 em busca de vestígios como pegadas, fezes, ranhuras que pudessem corroborar com a presença da onça-pintada avistada no local”, conta o órgão. “No entanto, nada foi encontrado até o momento”, esclarece.Servidores do órgão instalaram armadilhas fotográficas em pontos estratégicos da região e deixaram telefones para que os moradores contatem as equipes caso o animal ressurja na região. “A área técnica continuará acompanhando a situação.”