Crescimento do Japão no 2º trimestre fica abaixo do esperado por queda nos gastos e investimentos

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A economia do Japão desacelerou no segundo trimestre e ficou aquém das previsões do mercado devido à fraqueza nos gastos das famílias e das empresas, destacando a fragilidade de sua recuperação, enquanto a guerra no Oriente Médio afeta as perspectivas.No entanto, os rendimentos dos títulos de longo prazo atingiram o maior nível em três décadas, já que os investidores deixaram de lado os dados fracos, considerando-os reflexo de fatores pontuais, e se concentraram mais nos crescentes riscos inflacionários que podem levar o Banco do Japão a aumentar a taxa de juros no próximo mês.O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em termos anualizados, segundo dados do governo divulgados nesta segunda-feira, ficando abaixo da estimativa mediana de 2,0% em uma pesquisa da Reuters e abaixo da expansão revisada de 1,9% no trimestre anterior.Embora os dados tenham revelado algumas fraquezas temporárias na demanda, analistas afirmam que o ímpeto subjacente robusto e as pressões persistentes sobre os preços provavelmente manterão intactos os argumentos a favor de aumentos iminentes da taxa de juros.“Os dados do PIB de hoje foram um pouco fracos, mas é provável que a economia continue se recuperando moderadamente”, disse Naoki Hattori, economista-chefe para o Japão do Instituto de Pesquisa Mizuho. “Dados os riscos de a inflação subjacente ultrapassar a meta, é provável que o Banco do Japão prossiga com um aumento dos juros no próximo mês.”Fontes informaram à Reuters que o Banco do Japão deve elevar os juros já em setembro e está considerando aumentos mais agressivos a partir de então para evitar ficar atrás da curva em relação à inflação.O consumo privado foi a maior decepção nos dados do PIB, caindo 0,02% contra expectativa de aumento de 0,5%, a primeira queda em oito trimestres.Analistas afirmaram que a fraqueza se deveu, em parte, à redução das mensalidades escolares pagas pelas famílias graças a subsídios, o que pressionou para baixo o consumo privado geral, mas elevou os gastos do governo.Os gastos de capital, um dos principais motores da demanda privada, caíram 1,2% no segundo trimestre, contrariando as previsões de um aumento de 0,4%. No entanto, os gastos de capital, assim como o PIB preliminar geral, tendem a ser revisados para cima com a divulgação de números atualizados.As exportações mantiveram-se resilientes graças à sólida demanda dos EUA por veículos híbridos japoneses e ao investimento global sustentado em inteligência artificial, que impulsionou as remessas de equipamentos e componentes relacionados a chips.A demanda externa líquida, ou seja, exportações menos importações, contribuiu com 0,5 ponto percentual para o crescimento, em grande parte porque as importações caíram acentuadamente após interrupções temporárias nos embarques de petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz.“Não creio que o Banco do Japão esteja muito preocupado com os dados do PIB divulgados hoje, já que a economia está demonstrando notável resiliência diante dos ventos contrários decorrentes da guerra no Irã”, afirmou Yoshiki Shinke, economista executivo sênior do Instituto de Pesquisa Daiichi Life.O governo manteve sua visão otimista sobre a economia.“A economia continua em uma trajetória de recuperação moderada, com o crescimento impulsionado pelas exportações compensando a fraqueza da demanda interna”, afirmou o ministro da Economia, Minoru Kiuchi, em comunicado.