As diferenças entre os tipos de fundos de investimento estão em aspectos como os tipos de ativos que compõem a carteira, o nível de risco, a liquidez e o tipo de tributação que incide sobre eles.Para escolher em qual investir, é preciso se informar não só sobre as características gerais de cada um deles, mas também conhecer a tese de investimento e qual o gestor do fundo.Abaixo, além de entender o que muda entre um tipo de fundo e outro, veja o que é, como funciona e quais as vantagens.O que são fundos de investimento?Fundos de investimento são uma modalidade de aplicação em que os cotistas possuem uma parte do capital do fundo, proporcional ao valor investido. Assim, é uma forma coletiva de investir, com recursos administrados por um gestor. Andrea Minardi, professora do Insper e especialista em investimento e finanças, explica que este profissional é o responsável por tomar as decisões sobre o fundo no dia a dia.“Assim, você que investiu não precisa ficar de olho para saber o melhor momento para vender ou para comprar ativos”, detalha. “É o gestor quem cuida disso para você, quem toma conta do dinheiro, até por entender muito mais sobre como investir”.Além disso, os fundos de investimento apresentam opções tanto de renda variável quanto de renda fixa, e têm a obrigação de ter a sua tese de investimento detalhada, que é o que traduz a estratégia de gerência do fundo.Outras características incluem:Objetivo: ter ganhos com a valorização ou com os rendimentos gerados pelos ativos do fundoDiversificação: por ser um conjunto de ativos, é possível investir em diferentes classes deles, reduzindo a exposição a riscos específicosLiquidez: variada, há fundos com resgate imediato do valor eos que determinam um período mínimo em que o dinheiro deve ficar aplicadoRegulação e supervisão: feitas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que determina um padrão de conduta para a gestão do fundoOs investidores ainda têm acesso às informações sobre como está a composição da carteira de investimento, seu histórico de desempenho e custos associados ao fundo.Quais os principais tipos de fundos?Para saber a diferença entre os fundos de investimento, é preciso entender aspectos como riscos, rentabilidade, tributação, liquidez e tipos de ativos.Renda fixaOs fundos de renda fixa são aqueles com maior previsibilidade de retorno. Ou seja, ainda que tenha variação dos rendimentos, ela é menos volátil do que em outros cenários, como o investimento em ações. Por isso, é considerada uma modalidade de baixo risco.Os ativos incluem títulos públicos, debêntures, CDBs e letras de crédito, com taxas de juros que podem ser prefixadas, pós-fixadas ou híbridas. Os índices mais comuns são o CDI, a Selic e o IPCA.A tributação segue a tabela regressiva de Imposto de Renda sobre o rendimento, e a liquidez pode variar de fundo para fundo, apesar de muitos oferecerem resgates diários.MultimercadoOs fundos multimercado podem investir numa variedade de ativos, incluindo ações, títulos, renda fixa, moedas estrangeiras, entre outros. Suas estratégias podem ser:Macro: o foco é em tendências macroeconômicas globais ou regionais, com alocações em diferentes classes de ativos com base nas previsões econômicasTrading: são feitas operações de curto prazo, para aproveitar oportunidades momentâneas do mercado financeiro e obter ganhos rápidosLong & Short: tem tanto posições compradas (long) em ativos subavaliados quanto posições vendidas (short) em ativos sobrevalorizados. Assim, o lucro do fundo se dá pela diferença de desempenho entre esses ativosQuantitativo: usam modelos matemáticos e algoritmos, com base em dados históricos e padrões de mercado, para encontrar oportunidades de investimentoArbitragem: exploram as ineficiências dos preços entre os diferentes mercados ou ativos, como ações e seus derivativos.Fundos de Fundos: selecionam, a partir de uma análise criteriosa, fundos de terceiros com boas estratégias de investimentoPor conta das diferenças entre as estratégias, o risco é variável, podendo ser de baixo até muito alto.A tributação pode ser pela tabela regressiva do Imposto de Renda ou semestralmente, pelo Come-Cotas.AçõesOs fundos de ações são um tipo de renda variável. Por isso, devem aplicar no mínimo 67% do patrimônio neste tipo de ativo, incluindo:ações de companhias abertas negociadas em bolsa de valoresrecibos de açõesETFs (Exchange Traded Funds)e outros títulos e valores mobiliáriosO restante, 33%, pode ser investido em títulos de renda fixa, como CDB, Tesouro Direto, LCI e LCA, para equilibrar a carteira e o risco do investimento.Por conta das oscilações do mercado acionário, é considerado de alto risco, e a liquidez costuma ser alta.A tributação é de 15% sobre o ganho de capital no resgate, sem come-cotas. Além disso, os dividendos recebidos pelo fundo são isentos.Crédito privadoOs fundos de crédito privado são classificados como renda fixa, e concentram a carteira em títulos emitidos por empresas e instituições privadas. Os principais tipos incluem:CRA – Certificado de Recebíveis do AgronegócioCRI – Certificado de Recebíveis ImobiliáriosDebênturesNotas promissóriasFIDCs – Fundos de Investimento em Direitos CreditóriosA diferença aqui está no risco de crédito. Ou seja, na possibilidade de o emissor não honrar o pagamento. Por isso, seu risco é de moderado a alto.Ainda, a liquidez é menor, já que muitos têm prazos de resgate mais longos, como D+30 e D+60.A tributação também é pela tabela regressiva da renda fixa, com come-cotas. Leia Mais Banco digital ou banco tradicional: o que considerar além das tarifas? Cartão de crédito Inter para empresas de A a Z Como funciona a autenticação em duas etapas nas instituições financeiras? Como comparar e escolher entre os tipos de fundos de investimento?Os principais critérios para escolher entre os tipos de fundos de investimento são o seu objetivo financeiro, sua tolerância ao risco e o horizonte de tempo em que planeja ter o dinheiro aplicado.Com isso, identificar se a liquidez deve ser baixa ou alta, além de qual o tamanho de rendimento ideal e realista, fica mais fácil. Para facilitar, abaixo há quatro cenários comuns, exemplos com base na meta financeira:Reserva de emergênciaÉ o dinheiro para imprevistos e gastos extras, que podem acontecer a qualquer momento. Por isso, o fundo precisa ter alta liquidez, para que o valor investido possa ser resgatado a qualquer momento; e baixo risco, já que é necessária a segurança de que o dinheiro estará disponível.Compras de curto prazoMetas como viagens, compra de um carro ou reforma da casa. A liquidez pode ser menor, mas com prazo alinhado à data em que irá usar o dinheiro. Além disso, o risco de oscilação deve ser baixo.AposentadoriaPor ser um valor que será construído para garantir seu padrão de vida em um futuro ainda distante, quando deixar de trabalhar, a liquidez pode ser baixíssima. Aqui é possível aceitar algum risco de curto prazo em troca de maior potencial de crescimento no longo prazo.Manutenção de rendimentosÉ o dinheiro de quem já acumulou e quer gerar uma renda periódica, para ser sacado todos os meses ou a cada semestre, por exemplo. Por isso, o investimento precisa combinar fluxo de pagamentos previsível e risco moderado, equilibrando a proteção contra a inflação com a estabilidade necessária para que os rendimentos caiam regularmente na conta, sem grandes surpresas.Vale lembrar que tudo isso está relacionado ao seu perfil de investidor, que é definido por um questionário respondido nas plataformas das gestoras e instituições financeiras quando abre uma conta de investimento.Na Inter Asset, por exemplo, há várias carteiras disponíveis para investir. A gestora de investimentos é autorizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e faz parte do ecossistema do Grupo Inter.Fique atento a armadilhasSobre alertas, Andrea Minardi conta que a comparação deve ser feita apenas entre fundos que sejam similares, já que em casos como os de ações e os de renda fixa seus ativos são completamente diferentes. A professora ainda destaca que o retorno nunca é o único critério.“Esse é o maior erro que a gente pode cometer”, explica a especialista. “Porque em finanças a gente tem uma máxima muito válida: não existe almoço de graça. Assim, se você tem mais retorno, é porque você tem mais risco”.Outra dica é não se desesperar quando o rendimento do fundo cai ou fica negativo. Minardi esclarece que há muitas vezes em que o retorno tem um ajuste e volta a crescer, e que o excesso de reação do mercado pode fazer com que os cotistas resgatem na pressa e percam dinheiro.É interessante, na hora de acompanhar os investimentos, ter em mente tanto o planejamento de longo prazo quanto um valor máximo de tolerância para a perda. Assim, a decisão de vender ou não as cotas é equilibrada entre estes dois fatores.