A procura por profissionais com conhecimentos em inteligência artificial (IA) quase triplicou no Brasil em 2025. A informação consta do Barômetro de Empregos de IA 2026, estudo da PwC.De acordo com o levantamento, a participação das vagas que exigem competências relacionadas à tecnologia passou de 1,1% para 3,6% do total de anúncios de emprego no país entre 2024 e 2025. O avanço equivale à abertura de quase 119 mil novas oportunidades em apenas um ano.O levantamento analisou mais de 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes e aponta que a expansão da IA não está restrita a cargos técnicos.À medida que a tecnologia assume tarefas rotineiras, cresce a demanda por competências associadas à tomada de decisão, criatividade, liderança e capacidade de julgamento.IA impulsiona vagas e pressão por qualificaçãoDe acordo com a PwC, as funções mais expostas à inteligência artificial passam por uma transformação mais acelerada do que as demais.No Brasil, a mudança nas competências exigidas alcançou índice médio de 1,43 entre 2021 e 2025 nas ocupações mais expostas à IA. Nas funções menos impactadas pela tecnologia, o indicador ficou em 0,64 no mesmo período.A pesquisa também mostra que essas ocupações incorporaram, em média, 314 novas habilidades por profissão, ante 88 nas funções menos expostas à tecnologia.Segundo o estudo, as novas exigências estão cada vez mais ligadas a competências humanas, como empatia, criatividade e discernimento, que ganham importância à medida que ferramentas de IA passam a executar atividades repetitivas.Salários crescem mais em funções especializadasO relatório identifica dois movimentos distintos no mercado de trabalho.Em algumas ocupações, a IA torna determinadas tarefas mais acessíveis e reduz a necessidade de especialização técnica. Em outras, a tecnologia aumenta a demanda por profissionais capazes de supervisionar processos, interpretar informações e tomar decisões mais complexas.Globalmente, os empregos classificados pela PwC como “profissionalizados” pela IA crescem duas vezes mais rápido do que os chamados empregos “democratizados”. Além disso, os salários dessas funções avançam 42% mais rapidamente desde 2021.Vagas de entrada exigem experiência mais cedoO avanço da inteligência artificial também está alterando o perfil das vagas destinadas a profissionais em início de carreira.Segundo a pesquisa, ocupações de entrada mais expostas à IA têm sete vezes mais probabilidade de exigir competências tradicionalmente associadas a profissionais mais experientes, como liderança e pensamento estratégico.Ao mesmo tempo, as posições de entrada que demandam habilidades de nível mais sênior cresceram 35% desde 2019.Para a PwC, esse movimento tende a exigir mudanças nos programas de treinamento e desenvolvimento das empresas, que precisarão preparar profissionais para assumir responsabilidades mais complexas em menos tempo.Empresas mais expostas à inteligência artificial contratam maisO estudo também aponta que as empresas com maior exposição à inteligência artificial registraram ganhos de produtividade superiores aos observados nas companhias menos expostas.O grupo mais avançado alcançou crescimento médio de produtividade de 163% desde que a adoção da IA se acelerou.Segundo a PwC, essas empresas não estão usando a tecnologia apenas para reduzir custos. O levantamento mostra que os grupos com maior exposição à IA também ampliam o quadro de funcionários e registram aumento salarial mais forte do que os demais.Tecnologia lidera contrataçãoEntre os setores analisados, Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT) lidera a contratação de profissionais relacionados à IA no Brasil.Em 2025, cerca de 13% das vagas abertas no setor já estavam ligadas à tecnologia.O estudo também destaca o avanço dos serviços profissionais, como consultorias e escritórios de advocacia, e do segmento de energia, utilities e recursos naturais. Neste último caso, 92% das vagas relacionadas à IA são voltadas à utilização da tecnologia, e não ao seu desenvolvimento.Segundo a PwC, a tendência indica que o uso da inteligência artificial está se espalhando para áreas como marketing, vendas, operações e finanças, reduzindo a concentração da tecnologia apenas nos departamentos de TI.*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.