Entenda o sucesso dos ETFs atrelados ao CDIOs ETFs de renda fixa deixaram de ser coadjuvantes no mercado brasileiro e passaram a disputar a liderança da indústria de fundos negociados em bolsa. Em junho de 2026, o patrimônio líquido da categoria chegou a R$ 60,8 bilhões, superando os ETFs de ações, que somavam R$ 55,8 bilhões, segundo dados da Anbima.O avanço ocorre em um cenário de juros ainda elevados. Mesmo após o Banco Central reduzir a Selic para 14% ao ano em agosto, aplicações pós-fixadas continuam entre as principais alternativas para investidores conservadores.A combinação de juros altos, maior oferta de produtos e características como negociação em bolsa, transparência e estrutura tributária ajuda a explicar a expansão dos ETFs de renda fixa.Por que os ETFs ligados à Selic ganharam espaço?O investidor brasileiro já está familiarizado com aplicações atreladas ao CDI e à Selic. A diferença é que, nos ETFs, ele compra uma única cota negociada na B3 e passa a ter acesso a uma carteira de títulos definida por um índice.Para Rodrigo Araujo, head de ETFs da Itaú Asset, a expansão da categoria resulta de uma mudança no comportamento do investidor.“O crescimento dos ETFs de renda fixa no Brasil não é resultado de um único fator. Foi uma combinação. De um lado, o investidor passou a buscar soluções mais simples, transparentes e eficientes. De outro, houve evolução regulatória, avanço da educação financeira e uma expansão consistente da oferta de ETFs no país.”A tributação também é um dos pontos de diferenciação. Dependendo da estrutura, ETFs de renda fixa podem ter alíquota específica de Imposto de Renda e não estão sujeitos ao come-cotas dos fundos tradicionais.CDIB11 combina Selic e IPCA+Um dos exemplos recentes dessa expansão é o CDIB11, da Itaú Asset. Lançado em 2026, o ETF acompanha o Índice Teva ITBR Selic IPCA Target 800, composto majoritariamente por títulos públicos atrelados à Selic e por uma parcela menor de títulos indexados ao IPCA.A composição mais recente do índice mostra 90,4% de exposição à Selic e 9,6% ao IPCA. A estrutura foi desenhada para manter o perfil conservador da carteira e, ao mesmo tempo, permitir o enquadramento em uma alíquota fixa de 15% de Imposto de Renda sobre os ganhos.“O investidor compra uma única cota e, com ela, passa a ter acesso automático a toda a estratégia”, explica Araujo.Além da tributação, o CDIB11 não está sujeito ao come-cotas e possui negociação em bolsa. A taxa total informada atualmente pelo produto é de 0,20% ao ano.ETF não é sinônimo de CDIApesar da expansão dos produtos pós-fixados, nem todo ETF de renda fixa replica diretamente o CDI. Alguns acompanham índices compostos por Tesouro Selic; outros combinam títulos públicos de diferentes características.No caso do CDIB11, a exposição ao Tesouro IPCA+ pode fazer com que a cota oscile conforme mudam as expectativas para os juros de longo prazo. Por isso, o ETF não deve ser tratado exatamente como um CDB de liquidez diária.“Na prática, além de acompanhar o rendimento diário da Selic, o CDIB11 também pode se beneficiar de ganhos associados à mudança nas expectativas do mercado”, afirma Araujo.Mercado ainda tem espaço para crescerA expansão dos ETFs de renda fixa faz parte de um movimento maior. A B3 encerrou junho com 204 ETFs listados, contra 175 em dezembro de 2025. O estoque financeiro da indústria chegou a aproximadamente R$ 126 bilhões.Para Araujo, a tendência é de continuidade desse crescimento, impulsionada pela maior participação da pessoa física, pelo uso dos ETFs por assessores e planejadores financeiros e pelo lançamento de novas estratégias.“Essa expansão do uso do ETF por parte do investidor aproxima o mercado brasileiro do que já se vê há muitos anos em mercados mais desenvolvidos, como os Estados Unidos.”Com juros ainda elevados e uma oferta crescente de produtos, os ETFs de renda fixa começam a ocupar um espaço antes dominado por CDBs, fundos DI e Tesouro Direto, oferecendo ao investidor mais uma forma de acessar estratégias de renda fixa por meio da Bolsa.