O anúncio de que a inteligência artificial (IA) Claude vai adicionar uma espécie de marca d'água invisível nos textos revoltou usuários do chatbot. Já são vários os relatos de assinantes que prometeram cancelar o plano pago da plataforma quando a tecnologia entrar em vigor.Segundo sites como o Business Insider e o TechCrunch, pesquisas em redes sociais como X (Twitter) e Reddit mostram a revolta de parte da comunidade com a nova funcionalidade. No geral, quem está descontente com a ferramenta reclama que agora será possível identificar se um texto provavelmente foi feito ou não pela IA.Algumas dessas pessoas entrevistadas pelas reportagens originais confirmam que o motivo do cancelamento é o medo de trabalhos feitos com IA aparecerem em textos ou códigos de clientes. Outras dizem estar apenas "desconfortáveis" com a implementação, mas termos como "antiético" e até "nojento" foram usados alguns críticos.As reclamações também sugerem que o Claude não deveria ser creditado por gerar um conteúdo que também não é dele, já que grande parte da base de dados que alimenta uma IA vem de materiais obtidos sem autorização. Já um engenheiro de software ouvido pelo Business Insider cita que a mudança reflete o risco de depender de só uma plataforma para várias tarefas."Quando seu fluxo de trabalho é construído inteiramente em torno de um software proprietário, o fornecedor pode alterar as regras, recursos, restrições ou condições desse fluxo de trabalho", reflete.As opiniões não são unânimes e, nas publicações de quem confirmou o cancelamento ou a intenção de deixar os planos Pro e Max, há também argumentos em defesa do mecanismo. Segundo esse grupo, ele torna o uso de uma IA mais transparente em processos generativos.A marca d'água no ClaudeO recurso de identificação de probabilidade sobre um texto ter sido escrito ou não pelo Claude foi anunciado na última semana e entra em vigor em breve nos modelos de linguagem da Anthropic.Em vez de ser um elemento gráfico ou caracteres escondidos no conteúdo, ele consiste em uma série de cálculos que avaliam os padrões de escrita do Claude e a chance da IA ter formulado uma sequência de frases, palavra por palavra;Segundo a companhia, o recurso não altera o significado nem a experiência de quem lê o texto, além de não custar mais tokens para ser gerado;A tecnologia usada é a SynthID-Text, uma criação do laboratório DeepMind da Google antes adaptado para imagens e vídeos. Em breve, uma API de detecção dessa marca d'água será disponibilizada pelo chatbot de uma forma ainda não confirmada;Não é só o Claude que deve ganhar esse tipo de ferramenta: a implementação global foi uma forma encontrada pela empresa de se adequar às novas leis da União Europeia sobre IA, o que significa que outros chatbots devem adotar algum tipo de detector no futuro.Sabia que 78% dos estudantes brasileiros admitiram que usam IA em tarefas? Saiba mais sobre essa pesquisa nesta matéria.