4 mostras gratuitas sobre natureza para aproveitar até setembro

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Para quem quer aproveitar o segundo semestre do ano para conhecer novas formas de olhar para a natureza, São Paulo reúne exposições que aproximam arte, fotografia, memória e ciência de temas ambientais. Com entrada gratuita, as quatro mostras selecionadas apresentam diferentes perspectivas sobre paisagens, biodiversidade, mudanças climáticas e a relação entre seres humanos e o meio ambiente. As opções abaixo listadas podem ser visitadas na capital paulista ao longo de agosto e setembro.Ana Leal: “Chão de Histórias”A artista visual Ana Leal apresenta no Museu da Imagem e do Som (MIS), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a exposição “Chão de Histórias”, com visitação até 20 de setembro. A mostra – que integra o Programa Nova Fotografia do MIS – marca sua primeira exposição individual em uma instituição museológica brasileira, reunindo um conjunto majoritariamente inédito de obras e apresentando, pela primeira vez, o projeto “Chão de Histórias” em sua forma integral.Dobra do Tempo 1, 2024, Ana Lea. Foto: Guilherme PucciConcebida especificamente para o espaço do MIS, a exposição reúne 21 obras entre fotografias, colagens, videoprojeção e intervenção espacial. Organizada como um percurso expositivo, apresenta as séries “Dobra do Tempo”, “Encontro” e “Álbum de Família”, além da videoprojeção “Aquilo que fica” e da intervenção textual “O Chão também tem pele“. A concepção artística e expográfica é de Ana Leal, desenvolvida em diálogo com a artista Sylvia Sanchez, responsável pelo acompanhamento artístico da pesquisa, com texto crítico de Éder Chiodetto.Encontro 5, 2024, Ana Leal. Foto: Guilherme PucciResultado de uma investigação iniciada em 2022, “Chão de Histórias” nasceu da primeira viagem da artista ao sertão pernambucano, região de origem de sua família paterna. A partir desse encontro com o território, Ana Leal desenvolveu uma pesquisa sobre memória, paisagem e ancestralidade que amplia a linguagem fotográfica por meio da colagem, do vídeo, da renda renascença, da argila e de arquivos familiares.Encontro 8, 2024, Ana Leal. Foto: Guilherme PucciSobre a artistaAna Leal (Recife, 1969) é artista visual radicada em São Paulo. Sua produção parte da fotografia e se expande para colagem, vídeo, objetos, instalação e processos híbridos, investigando memória, território, ancestralidade e impermanência. Nos últimos anos, seu trabalho vem conquistando reconhecimento nacional e internacional, com participações em exposições e festivais como a mostra dos Sony World Photography Awards na Somerset House (Londres), BBA Gallery (Berlim), Rencontres d’Arles, Fundação Iberê, Galeria Vermelho e Galeria Lica Pedrosa. Sua produção também foi publicada por Lenscratch, PhotoVogue, L’Œil de la Photographie e Musée Magazine.Família 4, 2024, Ana Leal. Foto: Ana LealSobre o Nova FotografiaO projeto anual do MIS seleciona, por meio de convocatória aberta ao público, novos fotógrafos para uma exposição individual no Museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS.Família 5, 2024, Ana Leal. Foto: Ana LealSobre o MISInaugurado em 1970 e vinculado à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, o Museu da Imagem e do Som (MIS) é um dos centros culturais mais dinâmicos da cidade. Seu acervo reúne mais de 200 mil itens entre fotografias, filmes, vídeos, cartazes e registros sonoros, e sua programação inclui exposições, cursos e eventos de cinema, música, fotografia e artes visuais para todos os públicos.“Chão de Histórias”Entrada gratuitaPeríodo de visitação: de 11 de agosto a 20 de setembro de 2026Local: Museu da Imagem e do Som | Av. Europa, nº 158, Jardim Europa, São Paulo/SPHorário de funcionamento: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18hJeane Terra: “Memória da Ecologia”No dia 19 de agosto é a vez da Casa Seva inaugurar, em parceria com Janaina Torres Galeria, a exposição individual Invenção da Paisagem-Memória, da artista visual mineira Jeane Terra. Em cartaz até 26 de setembro, a mostra apresenta pela primeira vez a pesquisa inédita “Memória da Ecologia”, dedicada à investigação dos mecanismos de resiliência da natureza diante da devastação provocada pela ação humana. Reunindo cerca de 12 obras entre pinturas, esculturas em vidro soprado, videoinstalação e uma instalação inédita, a exposição tem curadoria assinada por Heloísa Amaral Peixoto.Alma resiliente Pinheiro (série Pele de tinta), 2026, Jeane Terra. Foto: Filipe BerndtA pesquisa dá continuidade ao percurso que Jeane desenvolve em torno da memória e do apagamento de territórios. Após dedicar seus trabalhos recentes a cidades destruídas ou submersas, como em “Escombros, Peles e Resíduos” (2021), sobre Atafona, e “Territórios, Rupturas e suas Memórias” (2022), inspirada pelas cidades baianas inundadas pela construção da barragem de Sobradinho, a artista passa a investigar a própria natureza e as estratégias que plantas e paisagens desenvolvem para sobreviver e se regenerar diante da degradação ambiental.“É a regeneração da natureza através da memória da destruição”, resume Jeane Terra sobre a nova pesquisa, que parte da observação de espécies que rebrotam após queimadas ou colonizam em áreas alagadas, carregando em si uma memória de sobrevivência.Memória de um Manguezal (série Pele de tinta), 2026, Jeane Terra. Foto: Filipe BerndtAs obras de Jeane são pinturas em “pele de tinta”. Desenvolvida e patenteada pela artista, a técnica “pele de tinta” combina tinta acrílica, aglutinante e pó de mármore. Após a secagem, as superfícies recebem bordados em ponto cruz, técnica aprendida com sua avó e incorporada à sua prática artística.Entre os trabalhos inéditos estão três grandes pinturas pixeladas em “pele de tinta”, dedicadas ao aguapé e ao mangue, espécies que se fortalecem e se multiplicam em condições extremas de alagamento. Completa esse núcleo a instalação “Floresta de peles”, composta por moldes em látex retirados diretamente da casca de árvores. As peças preservam as texturas da vegetação como uma espécie de impressão digital da paisagem, propondo uma reflexão sobre memória, permanência e transformação.Marejar, 2022, Jeane Terra. Foto: Filipe BerndtOutro destaque é a série de esculturas em vidro soprado “Cápsulas de Memória”. Duas delas, uma de parede e uma de pedestal, recebem monotipias aplicadas sobre o vidro. Outras duas encapsulam moldes de cerâmica produzidos a partir de escombros recolhidos pela artista nas cidades de Remanso e Sento Sé, na Bahia.“O vidro nasce da areia do rio aquecida. Os materiais que utilizo também contam histórias: há uma circularidade neles, nada está ali por acaso”, explica Jeane Terra. Algumas esculturas incorporam água do Rio São Francisco, levada pela artista do sertão baiano para seu ateliê. Uma videoinstalação complementa esse conjunto. Projetada sobre uma escultura de vidro que incorpora água do Rio São Francisco, a obra apresenta imagens registradas pela artista no interior de uma caixa d’água em ruínas na antiga cidade de Remanso, local normalmente submerso e visível apenas durante os períodos de seca.Sobre a artistaJeane Terra (Minas Gerais, 1975) é artista visual radicada no Rio de Janeiro desde 2011. Durante dez anos foi assistente da artista plástica Adriana Varejão. Desenvolve uma pesquisa voltada às relações entre memória, território e questões ambientais, utilizando pintura, escultura, fotografia, instalação e videoarte. É criadora da técnica patenteada “pele de tinta”, que combina pintura e bordado em ponto cruz.Suas obras integram importantes coleções, entre elas as do Instituto Inhotim, do Museu de Arte do Rio (MAR) e do Centro Cultural dos Correios (RJ). Também participou de exposições no Brasil e no exterior, incluindo o Museu Ettore Fico, em Turim (Itália) e a Biwako Biennale, no Japão. Entre suas individuais mais recentes estão “Escombros, Peles, Resíduos” (2021), “Territórios, Rupturas e suas Memórias” (2022) e “Pele do Rio” (2025), sua primeira exposição individual em São Paulo, realizada na Galeria Janaína Torres.O Aguapé e Suas Memórias (série Pele de tinta), 2026, Jeane Terra. Foto: Filipe BerndtSobre a Casa SevaA Casa Seva é um espaço dedicado à sustentabilidade, à arte e à cultura, criado para estimular práticas mais sustentáveis no circuito artístico. Localizada na Vila Modernista, conjunto projetado por Flavio de Carvalho, promove exposições, palestras e workshops voltados à reflexão sobre arte, natureza e preservação ambiental.Invenção da Paisagem-MemóriaEntrada gratuitaAbertura: 19 de agosto, quarta-feira, das 18h às 21hPeríodo de visitação: de 19 de agosto a 26 de setembro de 2026Local: Casa Seva | Alameda Lorena, 1257, Vila Modernista, Casa 1, São Paulo/SPHorário de funcionamento: terça a sexta, das 11h às 18h; sábado, das 11h às 15hViviana Ximenes: “O Tempo que Não Cabe Aqui”Já de 20 de agosto a 19 de setembro, a artista visual Viviana Ximenes estreia nova exposição individual “O Tempo que Não Cabe Aqui”, no Ateliê Casa Um, fundado pela artista e que se tornou um importante espaço expositivo independente voltado à criação, à convivência e ao intercâmbio entre artistas contemporâneos.Com curadoria de Marina Bortoluzzi, a mostra marca um novo momento de inflexão na trajetória de Viviana. Até então, a sua produção se organizava em torno da pintura, mas nesta exposição, a artista amplia seu campo de atuação ao transformar a própria passagem do tempo em elemento constitutivo da obra. A pintura deixa de operar apenas como imagem para tornar-se procedimento, experiência e acontecimento.“O Tempo que Não Cabe Aqui” por Viviana XimenesDesenvolvida em seu ateliê na Serra da Mantiqueira (MG) e no Ateliê Casa Um, a pesquisa parte da compreensão de que a paisagem não é objeto de representação, mas agente ativo do processo artístico. “Elementos como chuva, vento, terra, luz, deslocamentos e variações climáticas deixam de funcionar como contexto para assumir papel decisivo na construção material das obras”, conta Viviana.A exposição reúne tecidos submetidos durante os últimos meses à ação da natureza, pinturas realizadas a partir de pigmentos naturais, registros fotográficos e em vídeo, instalações e trabalhos em aço corten compõem um conjunto no qual cada obra resulta da convivência entre gesto humano, matéria e duração. Em vez de controlar integralmente o processo, a artista incorpora à prática forças que escapam à sua vontade, compartilhando a autoria com o tempo, a natureza e o acaso.“O Tempo que Não Cabe Aqui” por Viviana XimenesEssa dimensão torna-se particularmente evidente na intervenção realizada na Serra da Mantiqueira no final de 2025. A palavra “TEMPO”, inscrita na paisagem, deu origem a uma ação coletiva posteriormente atravessada pela permanência dos tecidos na montanha. Mais do que documentar uma performance, as obras apresentadas na exposição condensam sucessivas camadas de ação, apagamento, erosão e transformação, fazendo do vestígio a matéria central da pesquisa.Sobre a artistaViviana Ximenes (São Paulo, 1979) é artista visual. Formada em Jornalismo e Artes Cênicas, iniciou sua trajetória artística em 2005, durante um período de estudos em Londres. Sua pesquisa investiga as relações entre pintura, matéria, tempo e paisagem, desenvolvendo trabalhos que transitam entre pintura, instalação, fotografia, vídeo e práticas processuais. Desde 2019 mantém um ateliê na Serra da Mantiqueira (MG), onde a convivência cotidiana com a natureza tornou-se parte fundamental de sua prática artística. A pintura de Viviana Ximenes nasce do encontro entre matéria, tempo e paisagem. Sua produção abstrata articula questões ligadas às transformações do mundo contemporâneo e às forças poéticas da natureza. Desenvolve um trabalho sustentado pelo gesto, pela construção de camadas e pela liberdade no uso de materiais, elaborando superfícies que parecem reter vestígios de tempo, deslocamento e experiência.Em sua trajetória, há um movimento contínuo de aproximação e distanciamento da paisagem. Entre o campo e a cidade, entre o orgânico e o construído, sua obra investiga modos de existência, permanência e transformação.“O Tempo que Não Cabe Aqui” por Viviana XimenesO Tempo que Não Cabe AquiEntrada gratuitaCuradoria: Marina BortoluzziAbertura: 20 de agosto de 2026Período expositivo: 20 de agosto a 19 de setembro de 2026Local: Ateliê Casa UmEndereço: Rua José Maria Lisboa, 873, Casa 1 – Jardins – São Paulo (SP)Visitação: terça a sexta-feira, das 14h às 18h, e sábados, das 11h às 15hWorld Press Photo 2026A exposição itinerante World Press Photo 2026, que fica em cartaz na CAIXA Cultural São Paulo até 7 de setembro, reúne projetos fotográficos que escancaram as contradições na forma como a humanidade se relaciona com a vida selvagem. Entre cenas de extermínio e iniciativas de preservação, as imagens colocam em evidência disputas éticas, ambientais e políticas que atravessam diferentes regiões do mundo.Entre os destaques está a fotografia “Quando os Gigantes Caem”, de Halden Krog, produzida para o Daily Mail, que documenta o abate de uma família de elefantes na Savé Valley Conservancy, no Zimbábue, em outubro de 2025. A ação faz parte de uma política governamental de controle populacional que, apenas naquele ano, autorizou a morte de 50 animais após uma operação ainda maior realizada no ano anterior.“Quando os Gigantes Caem” de Halden Krog, produzida para o Daily Mail. Foto: © Halden KrogA medida, defendida pelas autoridades como necessária diante do aumento da população de elefantes e da intensificação dos conflitos com comunidades humanas, é fortemente contestada por organizações ambientais. Especialistas alertam para os impactos do abate na estrutura social dos elefantes, animais altamente inteligentes e sociais, além do trauma causado nos sobreviventes, que pode agravar comportamentos agressivos e ampliar ainda mais os conflitos com humanos.Também abordando práticas de exploração e transição cultural, o projeto “Os Últimos Caçadores de Golfinhos”, de Matthew Abbott, acompanha a comunidade de Fanalei, nas Ilhas Salomão, onde a caça de golfinhos desempenha papel central na subsistência e nas tradições locais há gerações. Os dentes dos animais, por exemplo, são utilizados em rituais e trocas comunitárias.“Os Últimos Caçadores de Golfinhos”. Foto: © Matthew Abbott, Oculi, for The New York TimesEm contraste com essas narrativas, o projeto “Morador da montanha de Wanglang”, de Rob G. Green, traz um exemplo de conservação bem-sucedida. A imagem de um panda-gigante registrada por armadilha fotográfica na Reserva Natural Nacional de Wanglang, na China, simboliza os esforços contínuos para proteger uma das espécies mais ameaçadas do planeta.Com menos de 2.000 indivíduos vivendo na natureza, o panda é um ícone global da preservação ambiental. A reserva, criada em 1965, desempenha papel fundamental dentro do sistema do Parque Nacional do Panda-Gigante, sendo referência em pesquisa científica e cooperação internacional. O registro foi possível por meio de um programa de intercâmbio entre a National Geographic Society e biólogos locais, voltado ao monitoramento da vida selvagem.Exposição: World Press Photo 2026Entrada GratuitaLocal: CAIXA Cultural São Paulo Encerramento: 6 de setembro de 2026Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo – SPHorários de visitação: Terça a Domingo, das 9h às 18h.Classificação etária: 12 anos Leia também: 1.Festival Arte Serrinha celebra cultura e regeneração 2.Japonês transforma recorte de folhas em obras de arte The post 4 mostras gratuitas sobre natureza para aproveitar até setembro appeared first on CicloVivo.