Ibovespa cai pela 10ª vez seguida com saída de estrangeiros e petróleo no radarO Ibovespa encerrou esta segunda-feira (17) em leve queda e chegou à décima sessão consecutiva no vermelho, ampliando uma sequência negativa marcada pela saída de investidores estrangeiros, pelas dúvidas com o cenário fiscal e eleitoral e pelo aumento da aversão ao risco no exterior. O principal índice da B3 recuou 0,09%, aos 166.784 pontos, apesar de ter recuperado boa parte das perdas na reta final do pregão.A pressão sobre o mercado brasileiro também veio do exterior. A persistência das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a impulsionar o petróleo e elevou as preocupações sobre a inflação global e a possibilidade de juros elevados por mais tempo.Cotação do dólar hojeDólar comercial: fechou em queda de 0,36%, cotado a R$ 5,201, interrompendo uma sequência de cinco pregões consecutivos de alta.Mesmo com a valorização do real, o ambiente doméstico permaneceu cauteloso. Os investidores repercutiram a desaceleração da atividade econômica e novas revisões das expectativas de inflação, enquanto o fluxo estrangeiro continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre a bolsa.Ibovespa chega ao décimo pregão seguido de quedaO índice chegou à décima sessão consecutiva no vermelho em um cenário de perda de atratividade relativa do mercado brasileiro. Desde a máxima do ano, registrada em abril, o Ibovespa acumula uma correção expressiva, enquanto outros mercados emergentes apresentaram desempenho mais favorável.Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, afirma que o ambiente global continua desafiador, especialmente pela combinação entre tensões geopolíticas e valorização do petróleo.“Essa alta do petróleo é o gatilho que mais nos preocupa no curto prazo: pressiona a inflação global e, por consequência, aumenta o risco de desaceleração mais acentuada da atividade econômica.”Segundo o analista, o movimento de alta dos Treasuries americanos também reforça a perspectiva de juros elevados por mais tempo, cenário que tende a reduzir o apetite dos investidores por ativos de risco.Economia desacelera, mas inflação ainda preocupaNo Brasil, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,64% em junho, reforçando os sinais de perda de força da economia. O resultado, em tese, poderia aumentar o espaço para novos cortes da Selic, mas as expectativas de inflação continuam limitando essa possibilidade.O Boletim Focus trouxe nova revisão para cima da projeção de inflação de 2027, que passou para 4,24%, mantendo as expectativas acima do centro da meta.“Já o Boletim Focus trouxe como novidade a revisão para cima da projeção de IPCA para 2027 — um dado ruim, que reduz o espaço para uma postura mais leniente do Banco Central adiante”, afirma Bresciani.Outro fator de preocupação foi o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, que ampliou o alerta dos investidores sobre os efeitos dos juros elevados sobre empresas mais endividadas.Vale (VALE3) ajuda a limitar perdasApesar do cenário predominantemente negativo, Vale (VALE3) esteve entre os papéis que ajudaram a amortecer as perdas do índice ao longo da sessão.Bresciani destaca que, sem o suporte da mineradora, o desempenho do mercado brasileiro poderia ter sido ainda mais negativo.Já as preocupações com o petróleo permaneceram no radar. A alta da commodity, provocada pelas dificuldades de negociação entre Estados Unidos e Irã, favorece empresas do setor no curto prazo, mas aumenta o temor de novas pressões inflacionárias.Fechamento das bolsas americanasWall Street também encerrou esta segunda-feira em queda, pressionada pelo avanço do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries.Dow Jones: queda de 0,51%, aos 53.459,78 pontos;S&P 500: baixa de 0,52%, aos 7.745,06 pontos;Nasdaq: recuo de 0,31%, aos 26.644,91 pontos.Nesta semana, o mercado acompanhará principalmente a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), em busca de novas pistas sobre a trajetória dos juros americanos.A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de sexta-feira (14), foi de 166.934,20 pontos, com queda de 0,10%.