A estudante de Ciências Biológicas Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, morreu por asfixia provocada por constrição cervical — condição que ocorre durante um aperto ou compressão no pescoço. A informação consta no laudo da Polícia Científica divulgado pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) nesta segunda-feira (17/8).O namorado da jovem, José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos, confessou o crime. Ele disse aos investigadores que matou Joviana com um golpe conhecido como “mata-leão” durante uma briga na casa do casal, em Sangão, no Sul de Santa Catarina.4 imagensFechar modal.1 de 4Joviana Evelyn Lankovski, de 19 anos, morta pelo namorado em Santa CatarinaReprodução/Redes sociais2 de 4José Gustavao Rabelo de Souza, de 21 anos, confessou o crimeReprodução3 de 4Joviana Evelyn Lankovski era estudante de ciências biológicasReprodução/Redes sociais4 de 4Joviana Evelyn Lankovski tinha 19 anosReprodução/Redes sociaisComo o crime aconteceuDe acordo com a polícia, o assassinato ocorreu entre a noite de quinta-feira, 6 de agosto, e a madrugada de sexta-feira, 7.O delegado responsável pelo caso disse que o casal discutiu depois que Joviana encontrou mensagens trocadas pelo namorado com outras mulheres. Segundo a PCSC, o relacionamento já era conturbado.Durante a briga, Joviana tentou sair de casa, no entanto, foi impedida e agredida por José. Em seguida, ele aplicou o mata-leão na jovem.Depois do crime, José colocou o corpo de Joviana dentro do próprio quarto e continuou morando na casa durante todo o fim de semana.A descoberta da morteA família desconfiou quando começou a receber mensagens no celular de Joviana. Para os parentes, os textos não pareciam ter sido escritos por ela.Foi só na manhã de segunda-feira, no dia 10, que José contou sobre a morte para a própria mãe e avó. As duas moravam na mesma casa, mas, segundo o delegado, não teriam visto o corpo no quarto. A investigação aponta que o suspeito recebia outras pessoas no local.Após a confissão para a família, José se apresentou à polícia e assumiu o assassinato. Leia também BrasilCorpo de estudante morta ficou 3 dias trancado no quarto do namorado BrasilNamorado se passou por jovem morta em mensagens à mãe: “Sem bateria” BrasilEstudante de biologia morta pelo namorado em SC é sepultada no PR BrasilSC: jovem foi morta após ver mensagens do namorado a outras mulheres O que diz a polícia e a famíliaA polícia informou que José não tinha antecedentes criminais. A família de Joviana, no entanto, afirma que o jovem já tinha histórico de violência.Em nota, a defesa de José disse que vai atuar de forma “técnica e responsável” e que não tem intenção de transformar a dor das famílias em disputa pública.“Seguiremos atuando de maneira técnica e responsável”, escreveu.A Polícia Civil segue com as investigações.A cerimônia de despedida da estudante ocorreu na manhã da última quarta-feira (12/8), em Pato Branco, no Paraná, cidade natal da jovem.Confira nota da defesa de José Gustavo Rabelo de Souza:A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza, diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do falecimento da jovem Joviana Evelyn Lankovski, ocorrido no município de Sangão/SC, vem, respeitosamente, prestar os seguintes esclarecimentos.Inicialmente, a defesa manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Evelyn, reconhecendo a profunda dor provocada por uma perda dessa natureza. Por respeito à vítima e aos seus familiares, a defesa entende que o momento exige, acima de tudo, responsabilidade, serenidade e respeito.O processo tramita sob segredo de justiça, justamente para resguardar informações, documentos e elementos relacionados ao caso e às pessoas envolvidas. Por essa razão, a defesa entende ser necessário agir com a mesma responsabilidade e preservar informações que não podem ser expostas publicamente, especialmente aquelas que dizem respeito à intimidade dos envolvidos.É importante, contudo, esclarecer uma informação que vem sendo divulgada de maneira imprecisa e que atinge diretamente a família de José Gustavo.A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.José residia com a mãe e a avó. Na rotina da residência, havia circunstâncias que contribuíram para que, naquele momento, não houvesse qualquer razão concreta para que familiares suspeitassem do que havia ocorrido. Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual.A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido. Tão logo teve conhecimento da situação, sua família o conduziu à Delegacia de Polícia, colocando-o à disposição das autoridades para que fossem adotadas as providências legalmente cabíveis.Esse comportamento, por si só, demonstra a postura adotada pela família diante de uma situação extremamente grave e inesperada: não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades. Ao contrário, houve a procura imediata da autoridade policial tão logo os familiares tiveram conhecimento dos fatos.A família de José Gustavo também deseja deixar claro que não compactua, sob nenhuma circunstância, com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Ao mesmo tempo em que enfrenta a própria dor e o impacto causado por toda essa situação, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joviana Evelyn Lankovski e respeito absoluto à dor de seus familiares.Quanto à dinâmica dos fatos, a defesa ressalta que qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório, incluindo os elementos periciais e demais provas que integram a investigação. Antecipar conclusões enquanto as apurações ainda estão em curso não contribui para o esclarecimento dos fatos e pode gerar interpretações equivocadas. José Gustavo encontra-se preso preventivamente, à disposição do Poder Judiciário, e sua defesa seguirá atuando de maneira técnica e responsável, dentro dos limites impostos pelo segredo de justiça e em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.A defesa reafirma, por fim, que não pretende transformar a dor de nenhuma das famílias em objeto de disputa pública. Seu compromisso é exclusivamente com a verdade dos fatos, com o respeito às instituições e com o exercício legítimo da defesa, permitindo que as autoridades competentes realizem seu trabalho e que as conclusões sejam alcançadas a partir das provas produzidas regularmente.