A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), por meio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), vai contar com mais dois membros no combate ao crime organizado no estado. Peludas e atentas, as cadelas Cora e Lola, de 1 ano e 4 meses, estão sendo treinadas para localizar restos mortais em cemitérios clandestinos — comumente operados por facções criminosas. A missão é pioneira no país e tem como principal objetivo localizar cadáveres escondidos em áreas de mata e locais de difícil acesso. Leia também Mirelle PinheiroRJ: mulher é presa após matar idoso a facadas com ajuda do companheiro Mirelle PinheiroDupla é presa pela PF com 1 tonelada de cocaína escondida em carro Mirelle PinheiroPF prende policial militar com 652 celulares sem nota fiscal no MS Mirelle PinheiroDelegado da PF é alvo de operação por vazamento de informações Da raça pastor-belga-malinois, Cora e Lola fazem parte do seleto grupo de 15 cães da Seção de Operações com Cães (SOC). Os animais têm um grande desafio pela frente e auxiliam em diversas operações complexas e de alto risco em todo o estado.Os cães são especializados na detecção de drogas, armas, munições e explosivos. O grupo recebe treinamento diário em três frentes: fundamentos relacionados à socialização e à ambientação; detecção de odores; e condicionamento físico.Os cemitérios das facçõesConforme noticiou a coluna em matéria especial publicada em dezembro de 2025, os assassinatos de pessoas sentenciadas por facções criminosas não se limitam a execuções violentas. A dinâmica posterior aos homicídios torna essas sentenças ainda mais brutais. Com o objetivo de ocultar os crimes, eliminar vestígios e se livrar de provas, integrantes de facções criminosas chegam, inclusive, a reduzir os cadáveres a pó.Antes de chegarem aos chamados cemitérios clandestinos, as vítimas — que são majoritariamente rivais pertencentes a facções inimigas — são expostas a intenso sofrimento.Isso porque há um ritual seguido pelos criminosos. Conhecida popularmente como “tribunal do crime”, a sessão envolve tortura psicológica e física, utilizada para que os integrantes da facção decidam o destino do alvo.Após esquartejar os corpos para dificultar a identificação, os faccionados descartam as vítimas em locais ermos. Áreas de mata fechada em zonas rurais, distantes dos grandes centros urbanos, e casas abandonadas são os pontos preferidos para a criação de cemitérios clandestinos.Nesses casos, os cães conseguem localizar vestígios que o olho humano não consegue identificar, desvendando o rito cruel e dando às famílias a possibilidade de, ao menos, enterrar os corpos.