A Oncoclinicas (ONCO3), que passa por momento delicado na Bolsa, viu os seus números pioraram no segundo trimestre de 2025, com prejuízo de R$ 475,7 milhões, alta de 234% em relação ao mesmo período do ano passado, quando reportou prejuízo de R$ 142 milhões, mostra documento enviado ao mercado nesta segunda-feira (14).A empresa também registrou prejuízo de R$ 275 milhões quando se considera o resultado com itens não recorrentes, ante os R$ 62 milhões do ano passado. Em agosto, a Justiça deu ‘ok’ para a companhia seguir com sua recuperação extrajudicial.Ao todo, a Oncoclínicas busca o reperfilamento de dívidas financeiras quirografárias de aproximadamente R$ 5,1 bilhões, além de créditos intercompany.Por outro lado, a companhia conseguiu terminar o trimestre com Ebitda, que mede o resultado operacional, ajustado positivo em R$ 34,2 milhões, alta de 170% contra o primeiro trimestre, com margem de 3,3%, mas queda de 85,1% em relação ao mesmo período do ano passado.Segundo a Oncoclínicas, o número foi ajudado pela desalavancagem operacional do período, ocasionada pelo menor volume de atendimentos e, consequentemente, por uma menor receita, enquanto as despesas fixas permaneceram elevadas.A receita líquida, por sua vez, atingiu R$ 1,0477 bilhão, queda de 28,5%, em uma “dinâmica relacionada ao volume de provisões de PCLD durante o trimestre”.A empresa diminuiu ainda o número de procedimentos, que atingiu um total de aproximadamente 114 mil no segundo trimestre, marcando uma redução em relação aos períodos anteriores.O ticket médio cobrado dos pacientes, por sua vez, cresceu 9,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, resultado do repasse da inflação.As despesas operacionais subiram 30%, para R$ 513 milhões.Ajustes contábeis da OncoclinicasA empresa informou ainda que reconheceu alguns ajustes contábeis que impactaram “significativamente” o resultado.Entre eles, está um impacto não recorrente de anos passados, que gerou um efeito de aproximadamente R$ 72 milhões no trimestre.As despesas operacionais foram impactadas pelo reconhecimento de:R$ 30,5 milhões de provisionamento de risco de perda de crédito relacionado à Unimed Leste Fluminense;R$ 78 milhões de impairment do BTS de Goiânia; eR$ 76 milhões de multa pela rescisão do contrato de locação do imóvel do Centro Paulista de Oncologia, na Avenida Angélica, em São Paulo.Como a Oncoclínicas chegou a esse ponto?A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de eventos, sendo o principal deles a tentativa de expansão da companhia após sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) em 2021.Isso porque a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, expandiu o foco de clínicas que realizavam diagnóstico e tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.