Raízen (RAIZ4): 1T27 mostra melhora, mas desalavancagem segue como grande desafio, diz BB Investimentos

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A Raízen (RAIZ4) mostrou uma melhora operacional no primeiro trimestre da safra 2026/27 (1T27), apoiada principalmente pelo desempenho da distribuição de combustíveis e pela recuperação da geração de caixa. Para o BB Investimentos, no entanto, o elevado endividamento ainda coloca a desalavancagem como o principal desafio da companhia.A recomendação do banco para as ações da Raízen segue em revisão, diante das incertezas relacionadas à reestruturação financeira e à estrutura de capital que resultará desse processo.Na avaliação dos analistas, o 1T27 trouxe números fortes, sustentados principalmente pela distribuição de combustíveis no Brasil, que compensou parte das dificuldades do segmento de Etanol, Açúcar e Bioenergia (EAB).A receita líquida cresceu 4% na comparação anual, para R$ 51,5 bilhões, enquanto o lucro bruto avançou 77%, para R$ 3,7 bilhões. O Ebitda ajustado mais do que dobrou, alcançando R$ 3,8 bilhões, beneficiado pelo desempenho da distribuição, pela melhora do capital de giro e por ajustes positivos relacionados ao encerramento das operações na Argentina. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "RAIZ4", "RAIZ4" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "9a94934"} ); Outro sinal positivo veio da geração operacional de caixa, que atingiu R$ 3,6 bilhões, revertendo o consumo de R$ 10,9 bilhões observado no mesmo período da safra anterior, principalmente devido à melhora na gestão do capital de giro.Desalavancagem ainda é o desafioApesar da evolução, o BB avalia que a estrutura de capital da Raízen continua desbalanceada. A dívida líquida avançou 15,5% em 12 meses, para R$ 56,9 bilhões, enquanto a alavancagem encerrou o trimestre em 4,8 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.O peso do endividamento também continua aparecendo no resultado. A Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão, 11% maior na comparação anual, enquanto o resultado financeiro líquido negativo aumentou 42,4%, para R$ 3 bilhões, diante do maior saldo médio da dívida e do aumento do custo financeiro.Segundo o BB, a recuperação do fluxo de caixa operacional e a virada para uma geração positiva de fluxo de caixa livre são sinais importantes da melhora financeira, porém ainda estão distantes de eliminar as preocupações relacionadas ao endividamento.A companhia vem adotando medidas para preservar liquidez e reduzir a alavancagem. Os investimentos recuaram 33% na comparação anual, com foco na manutenção dos ativos e na conclusão dos projetos prioritários de etanol de segunda geração (E2G).Para o banco, a redução de custos, a disciplina de Capex e a gestão do capital de giro já começam a apresentar resultados. Ainda assim, a tese de investimento permanece diretamente ligada ao sucesso da reestruturação financeira e às medidas previstas na recuperação extrajudicial.Distribuição sustenta resultadoDo lado operacional, a distribuição de combustíveis no Brasil voltou a ser o principal motor da Raízen.Os volumes cresceram 6,6% em relação ao 1T26, levando a um avanço de 16% da receita líquida. O Ebitda ajustado do segmento chegou a R$ 3,5 bilhões, mais de três vezes o registrado um ano antes.A margem Ebitda atingiu R$ 493 por metro cúbico, ante R$ 142/m³ no mesmo período da safra anterior. O BB ressalta que o patamar também ficou acima dos R$ 449/m³ reportados pela Ultrapar.Na leitura dos analistas, o desempenho reflete um ambiente competitivo mais favorável, incluindo ações de combate ao crime organizado no setor de combustíveis, além de ganhos de rentabilidade proporcionados pela maior volatilidade internacional dos derivados, cenário que favorece empresas mais estruturadas.Açúcar segue pressionandoJá no segmento de Etanol, Açúcar e Bioenergia, o cenário continuou mais difícil.A moagem recuou 2% na comparação anual, enquanto o ATR caiu 2,9% e a produtividade agrícola diminuiu 3,2%. A produção de açúcar foi 14% menor, enquanto a de etanol avançou 9,4%, com o mix mais direcionado ao biocombustível.Os menores preços do açúcar e a redução dos volumes comercializados fizeram o Ebitda ajustado do EAB cair 63%, para R$ 301 milhões.Entre os pontos positivos, o BB destaca a melhora da eficiência operacional, com redução de 18,4% no CPV caixa por tonelada de açúcar equivalente. Além disso, a Raízen possui 80% da safra de açúcar 2026/27 protegida por hedge, o que deve ajudar a mitigar parte da volatilidade dos preços.E a ação da Raízen?Apesar dos sinais de melhora apresentados no trimestre, o BB ainda enxerga um elevado grau de incerteza sobre os próximos passos da companhia.Para os analistas, o 1T27 mostrou uma Raízen operacionalmente mais forte, especialmente na distribuição, ao mesmo tempo em que a recuperação da geração de caixa e os esforços para reduzir investimentos apontam na direção correta.O problema é que o tamanho da dívida ainda mantém a tese condicionada à execução da reestruturação financeira.Essa incerteza já está refletida nas ações. Segundo o BB, RAIZ4 acumula queda de 79% nos últimos 12 meses, desempenho bastante inferior ao de Vibra (+80%) e Ultrapar (+101%).Entre as companhias sucroenergéticas, as quedas também foram menos intensas no período, com Jalles Machado recuando 34% e São Martinho, 10%.Para o BB, o desempenho mostra que os investidores já precificam cenários bastante negativos para a Raízen diante do processo de recuperação extrajudicial.