A Casas Bahia (BHIA3) apresentou pedido de recuperação judicial na noite deste domingo (16). Para Renato Fraklin, CEO da companhia, o instrumento já não representa uma ameaça para companhias, como poderia ser no passado, e oferece a garantia de proteção que a Casas Bahia precisa para realizar renegociações. O ponto principal, para Fraklin, é a reformulação de passivos da companhia, de forma a proteger o caixa da companhia e garantir a continuidade da operação. “A recuperação judicial é um instrumento para fortalecer a continuidade da operação”, diz. “Há ajuste de rota, mas não ajuste de destino”. Leia tambémCasas Bahia em RJ: R$ 17 bi de dívida e queda de 78% da ação; o que esperar de BHIA3?Pedido de recuperação judicial confirma cenário já antecipado pelo mercado após prejuízo bilionário, patrimônio líquido negativo e alerta da auditoria sobre a continuidade operacional da varejistaO executivo afirma que a recuperação judicial garante que as “fortalezas da companhia fiquem preservadas”. Em sua visão, a escala comercial oferece muita relevância e garante a possibilidade de bons acordos, em especial com grandes bancos que permitiriam uma negociação organizada.“Temos expectativa de termos mais estabilidade nas vendas do que se viu no passado, temos mais canais de venda funcionando”, diz. Além disso, o CEO diz ver oportunidades de gerar valor sendo as mesmas. Piora do cenárioO executivo afirmou que a piora do cenário tanto exterior quanto doméstico fez com que a companhia não conseguisse seguir o plano de recuperação que já estava em curso. “Em abril, começamos a ter um cenário macro muito diferente, em decorrência dessa guerra, que gerou pressão inflacionária e impacto na curva de juros”, afirma o CEO. Fraklin também citou turbulências eleitorais, com a divulgação de alguns episódios (sem especificar quais), como causadora da situação mais apertada no macro. Segundo a companhia, algumas expectativas iniciais decorrentes da transformação do balanço não se concretizaram. Em sua visão, o consumidor tem sido impactado pela taxa de juros alto, que atrapalha o consumo discricionários, o endividamento das famílias, que impede a concessão de crédito, e também os gastos da famílias disputados por diversas frentes, desde concorrência até Bets. “A classe mais baixa é mais dependente de crédito então há problemas”, diz. “Não trabalhamos com melhora no cenário macro e pensamos no plano com um 2027 pior do que 2026. Consideramos que ainda podemos ter uma deterioração no cenário de crédito”.O plano atual garantiria os ajustes necessários para seguir em um cenário ainda pior, mas não descarta realização de novas correções na rota se a conjuntura assim exigir. Elcio Ito, CFO da Casas Bahia, afirmou que a melhora na margem acontece quando há cenário de melhora no macro. “Vamos enfrentar sempre essas ondas, no positivo e no negativo, de forma mais acelerada”, diz. Sobre o Plano de Transformação Fase 2, o executivo citou a importância de ajustar a rota com a mesma estratégia, mas com nova trajetória. Entre os principais pontos, estão revisar contratos e Capex da companhia, com redução do gastos de capital para manutenção apenas de projetos essenciais, fechamento de lojas menos rentáveis e redução do custo financeiro. The post Casas Bahia: recuperação judicial é para continuidade da operação, diz CEO appeared first on InfoMoney.