Patente da Meta mostra óculos inteligentes com reconhecimento facial

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A Meta registrou uma patente para um sistema de câmeras capaz de identificar pessoas por reconhecimento facial e gravar automaticamente suas ações em vídeo. Enviado ao escritório de patentes dos Estados Unidos em fevereiro e tornado público nesta semana, o pedido descreve o uso da tecnologia em dispositivos vestíveis, como óculos inteligentes.A proposta da empresa é usar inteligência artificial (IA) para organizar gravações e gerar pequenos clipes com momentos específicos de cada indivíduo. No entanto, a novidade reabre discussões sobre vigilância constante e invasão de privacidade em locais públicos.Por dentro da patente registrada pela MetaAo longo de dezenas de páginas com desenhos e explicações técnicas, a documentação mostra como uma câmera acoplada a um dispositivo pode processar imagens do ambiente em tempo real.O processo começa com a captação de imagens pela câmera dos óculos ou aparelho conectado. Na sequência, a IA analisa o ambiente e aplica o reconhecimento facial. Essa etapa permite que o software identifique quem está no campo de visão do usuário.Óculos inteligentes da Meta conseguiriam catalogar ações de pessoas – Imagem: ReproduçãoAlém de reconhecer o rosto, a tecnologia detecta comportamentos e movimentos do corpo. O sistema percebe, por exemplo, quando alguém pega um objeto, entra numa sala ou se junta a um grupo. Com base nisso, o programa cria arquivos de vídeo rotulados com o nome da pessoa, a ação executada e o horário exato.Esses “cortes” são enviados para o celular, óculos ou headset do usuário. O objetivo do projeto é evitar que a pessoa precise procurar manualmente um trecho específico em gravações longas. Em vez de rever horas de vídeo bruto, o usuário recebe um resumo organizado com as atividades registradas.Questões de privacidade e os limites da leiA repercussão da patente vem num momento delicado para a empresa de Mark Zuckerberg. Pesquisadores descobriram recentemente códigos ocultos de reconhecimento facial no aplicativo que acompanha os óculos inteligentes da Meta. A reação negativa fez a companhia remover esse recurso do sistema logo em seguida.Em nota enviada ao Olhar Digital em meados de julho, a Meta disse o seguinte: “Estamos desenvolvendo produtos que ajudam milhões de pessoas a se conectar e melhorar suas vidas. Embora escutemos com frequência sobre o interesse nesse tipo de recurso – e alguns produtos já existam no mercado – ainda estamos avaliando as opções e adotaremos uma abordagem cuidadosa se e antes de lançarmos qualquer coisa. Uma decisão que podemos deixar clara – não estamos construindo um banco de dados facial.”Óculos inteligentes desenvolvidos pela Meta em parceria com a Ray-Ban – Imagem: Alexander Fedosov/ShutterstockEspecialistas consultados pelo Olhar Digital alertam para os perigos desse tipo de monitoramento. A principal preocupação é o rastreamento de pessoas em espaços públicos sem o consentimento delas. A possibilidade de gravar ou identificar terceiros sem um aviso visual claro, como uma luz indicadora acesa, aumenta os riscos à intimidade.No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para a coleta de informações pessoais. Embora tirar uma foto simples na rua seja permitido, transformar o rosto de um desconhecido num dado biométrico para identificação automática exige bases legais claras. E as empresas que desenvolvem esses sistemas precisam seguir normas severas de transparência.Por causa dessas ameaças à privacidade, o uso de óculos inteligentes pode esbarrar em restrições em diversos locais. Estabelecimentos comerciais, cinemas e órgãos públicos, por exemplo, possuem respaldo jurídico para proibir a entrada de pessoas usando esses aparelhos. A tendência é que a fiscalização aumente conforme essas tecnologias cheguem ao mercado.Quer mergulhar nesse assunto? Confira esta reportagem exclusiva do Olhar Digital.O post Patente da Meta mostra óculos inteligentes com reconhecimento facial apareceu primeiro em Olhar Digital.