Belo Horizonte – Moradores e integrantes da Kasa Invisível, ocupação que funciona como moradia e centro cultural na esquina da Avenida Bias Fortes, no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, são despejados do local na manhã desta sexta-feira (21/8). Segundo o coletivo responsável pelo espaço, um oficial de Justiça está no imóvel com a ordem de retirada.De acordo com a Kasa Invisível, o processo, que tramita desde 2018, ainda passaria pela fase de depoimento de testemunhas quando foi determinada a saída dos ocupantes. A decisão foi assinada pela juíza Miriam Vaz Chagas, da 17ª Vara Cível de Belo Horizonte.“Na última semana, os moradores e integrantes do coletivo gestor do espaço foram surpreendidos com a ordem de despejo movida pelo espólio de José Alves e seus herdeiros. O processo, que corre na Justiça desde 2018, ainda entraria na fase de escuta das testemunhas, mas sofreu um revés e a decisão de desalojo veio de forma imediata”, afirmou o coletivo nas redes sociais.Ainda segundo o grupo, os advogados que representam a ocupação tentaram reverter a ordem, mas não tiveram sucesso. O coletivo classificou a decisão como “injusta e arbitrária” e afirmou que pretende permanecer no imóvel.“Pedimos o apoio de todos nesse momento tão difícil da nossa história e em que várias ocupações urbanas estão ameaçadas de despejo. No mesmo dia da comemoração do Dia Nacional da Habitação, em que o presidente Lula visita a cidade e a Câmara de Vereadores vota a toque de caixa a chamada PL da Gentrificação, resistimos!”, declarou. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Kasa Invisível (@kasainvisivel)Segundo o coletivo, uma manifestação contra o despejo está marcada para as 15h, na Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte.Moradia e Centro CulturalA Kasa Invisível se define como um espaço de moradia e um centro social e cultural aberto à comunidade. Antes da ocupação, os três imóveis, ficaram abandonados por mais de 20 anos, segundo o coletivo.Construídas em 1938, as casas sofreram danos provocados pelo tempo e pela falta de manutenção, apesar de terem sido indicadas para tombamento por seu valor histórico e simbólico.Em 2013, os imóveis foram ocupados por um grupo formado por trabalhadores, desempregados e estudantes. Desde então, o coletivo passou a restaurar e reformar as casas de forma independente e comunitária.Além de servir como moradia, o local recebe feiras, oficinas, palestras, exibições de filmes e apresentações artísticas. O espaço também é usado por sindicatos, coletivos e movimentos sociais para a realização de eventos e reuniões.O espaço ainda conta com biblioteca, ateliê e cooperativas que produzem e distribuem arte e literatura ligadas a diferentes movimentos sociais, incluindo grupos indígenas, camponeses e quilombolasA reportagem do Metrópoles entrou em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte e com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e aguarda um posicionamento.