Marçal transforma incerteza eleitoral em exposição e engajamento nas redes

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O registro da candidatura de Pablo Marçal (PRTB) à Presidência, apresentado na reta final do prazo eleitoral e cercado de dúvidas jurídicas, parece ter produzido um efeito imediato antes mesmo de qualquer decisão definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A discussão recolocou o empresário no centro do debate político e ampliou sua exposição nas redes sociais.Para Paulo Gama, head de Análise Política da XP, há sinais de que o movimento pode ter sido pensado justamente para gerar engajamento e mídia espontânea, ainda que não seja possível afirmar se toda a operação foi previamente articulada.“A discussão sobre a candidatura dele existiu lá atrás, no começo do ano, estava fora do radar da política de maneira geral. Não tenho na cabeça aqui, mas, se você for ver a quantidade de mídia espontânea gerada a partir disso, a quantidade de engajamento nas redes […] parece que foi uma estratégia ali de gerar engajamento, de participar de uma maneira mais efetiva da disputa em si”, afirmou durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney. Leia tambémSTF pode “atropelar” decisões do TSE durante eleição, diz advogadoGustavo Bonini Guedes avalia que Supremo pode rever entendimentos da Justiça Eleitoral em temas considerados relevantes pelos ministrosGama citou como exemplo a repercussão provocada pela declaração de bens apresentada no registro, que chegou a informar um CDB de R$ 7 bilhões. O valor entrou rapidamente no noticiário e nas redes, acrescentando mais um elemento de repercussão à candidatura.Na avaliação do analista, a forma como Marçal entrou na corrida também permitiu que ele voltasse a ocupar um espaço político que havia perdido ao longo do ano. Partidos de centro que chegaram a ser vistos como possíveis caminhos para uma candidatura presidencial acabaram optando pela neutralidade, deixando o empresário fora das principais articulações partidárias.Quando serão os debates presidenciais de 2026? Veja o calendário completo“Os partidos todos ali de centro acabaram tomando uma decisão completamente diferente. Não só não apostaram na candidatura do Pablo Marçal, como preferiram optar pela neutralidade diante de um contexto político completamente diferente”, disse Gama.Foi nesse cenário que Marçal retornou ao PRTB, partido pelo qual disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, e registrou a candidatura presidencial pouco antes do encerramento do prazo.Debate ampliaria exposiçãoPara Gama, o maior ganho potencial para Marçal estaria na possibilidade de participar dos debates presidenciais. A exposição em rede nacional poderia ampliar o alcance de uma candidatura que já conta com milhões de seguidores nas plataformas digitais e que construiu parte de sua trajetória política em torno da capacidade de produzir cortes e repercussão online.“Parece que foi uma estratégia ali de gerar engajamento, de participar de uma maneira mais efetiva da disputa em si. Poderia trazer um desequilíbrio, ou pelo menos alterar o equilíbrio posto hoje”, avaliou.Esse caminho, no entanto, foi limitado nesta quinta-feira (20). O TSE impediu, em decisão liminar, a participação de Marçal em debates e na propaganda eleitoral gratuita, além de bloquear o acesso a recursos públicos de campanha enquanto analisa a viabilidade do registro.Gama considera justamente a restrição aos debates o elemento politicamente mais relevante da decisão.“O impedimento de participação em debate é o que talvez seja mais significativo em termos de impacto nas outras candidaturas. […] A presença dele no debate poderia ser um fato gerador de confusão e tudo mais”, afirmou. O advogado eleitoral Gustavo Bonini Guedes também avaliou, durante o programa, que o debate representava o maior potencial de exposição para Marçal. Segundo ele, mesmo que o PRTB tivesse pouco espaço na propaganda de televisão, o histórico do candidato em São Paulo faria com que emissoras tivessem interesse em convidá-lo.“Para mim, o impacto maior é, sem dúvida nenhuma, da participação em debates. Porque, ainda que o PRTB não tivesse direito obrigatório a participar desses debates, certamente ele seria chamado, até pela repercussão que já teve nas últimas eleições”, afirmou. Barulho pode continuar A eventual rejeição definitiva do registro também não significa, na avaliação dos participantes, que Marçal desaparecerá da campanha.Gama lembra que sua principal ferramenta política continua sendo a presença digital, onde as limitações impostas pelo TSE não eliminam a capacidade de produzir conteúdo e participar do debate público.“É uma candidatura com visibilidade, uma candidatura com milhões de seguidores nas redes […] faria bastante barulho e continuará fazendo até que você tenha o registro definitivo não concedido. Mas continuará fazendo mesmo com o registro não concedido”, afirmou.Para o analista, porém, esse barulho não significa necessariamente uma mudança relevante na distribuição dos votos. Gama considera que a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro está mais consolidada do que o cenário encontrado por Marçal na eleição paulistana de 2024.The post Marçal transforma incerteza eleitoral em exposição e engajamento nas redes appeared first on InfoMoney.