Malafaia: “Mendonça é esperança e Marçal é uma farsa”

Wait 5 sec.

O pastor Silas Malafaia volta a ocupar um lugar de destaque no debate político brasileiro às vésperas de uma eleição que, segundo ele, será decisiva para o futuro da relação entre os Poderes. Para o líder religioso, a escolha de dois senadores por Estado pode representar a principal oportunidade de reação ao avanço do Supremo Tribunal Federal sobre a política nacional.Malafaia também explica por que decidiu não participar da organização do ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista neste ano, diferencia manifestações públicas de atos partidários, comenta a disputa pelas vagas ao Senado e o embate com Sebastião Coelho.Na avaliação do pastor, a direita precisa evitar a divisão e eleger senadores que defendam a independência do Congresso. Ele também faz uma análise do voto evangélico, critica a aproximação de determinados candidatos com Lula e afirma que Pablo Marçal, apesar de sua habilidade nas redes sociais, “é uma farsa”.Supremo, Senado e reação popularEntrelinhas:  A Primeira Turma do STF abriu ação penal contra o senhor por declarações consideradas ofensivas ao então comandante do Exército, general Tomás Paiva. O caso começou após uma representação encaminhada à Corte e te coloca como réu em processo relatado por Alexandre de Moraes. Como o senhor recebeu a notícia?Malafaia: Vocês veem que essa gente não tem vergonha. É um negócio assim, tão vergonhoso e tão claro. O cara me manda pro Supremo Tribunal Federal, põe o nome do general que eu não citei, me encaminha para Alexandre Moraes, tudo armadinho, ninguém tem dúvida.E agora tem a cara de pau de pedir para tirar o filho do Lula, que está envolvido até o pescoço nessa lama do INSS.Entrelinhas: O senhor acredita que haverá algum freio ou algum limite para essa escalada do Supremo Tribunal Federal?Malafaia: O que pode parar essa escalada é o povo ter consciência de votar em dois senadores agora por Estado, independentes, que não sejam capachos de ministro do STF. É a única chance. Não temos outra. Lamento dizer: grande parte dos senadores que estão lá é uma cambada de capacho subserviente ao STF. Então, essa é a nossa saída.Ou então, aí eu vou usar minha fé, ok? Só uma intervenção divina. Ou uma revolta popular que chega no extremo do povo não aguentar mais. Você sabe que a pior coisa é quando um povo explode e não aguenta mais uma série de fatos.Entrelinhas: O senhor também tem criticado a tese de que houve uma tentativa de golpe de Estado durante o governo Bolsonaro. O que, na sua avaliação, desmonta essa narrativa?Malafaia: Essa conversa fiada de golpe! Eu fico com vergonha de ver um brigadeiro de quatro estrelas a serviço desse lixo, dessa farsa de pseudogolpe. Bolsonaro nunca apresentou nenhum documento para tentar dar golpe. É incrível. É só ir lá no depoimento dele. O documento de hipótese disso foi apresentado aos militares: “Vou convocar estado de sítio”, atribuição do Presidente da República, de pedir forças armadas.“Supremo Tribunal Político da Injustiça”Entrelinhas: Qual é sua opinião sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes?Malafaia: Olha, a missão de Moraes já declarou em 2018 que "extrema-direita tem que ser combatida na América Latina". Ele usa a mesma falácia da esquerda que rotula a direita como extrema-direita.Um ministro do STF não combate nem a extrema-direita nem a extrema-esquerda. Ele tem que ser imparcial.Agora, a reunião que ele fez entre Lula e Alcolumbre para selar a paz, é uma vergonha. Caminhos tortuosos. Que país é esse que nós estamos? Uma vergonha. Sabe o que que se tornou o Supremo Tribunal Federal? Supremo Tribunal Político da Injustiça.Entrelinhas: O senhor tem acompanhado também a atuação do ministro André Mendonça. Ele se tornou uma espécie de esperança de parte dos brasileiros que esperam um Supremo mais equilibrado. Como o senhor avalia a atuação dele?Eu tenho dito que o André Mendonça tem dado uma demonstração do que é ser ministro de uma Suprema Corte. Discrição, fala pouco, não tem show pirotécnico, não tem convites para entrevistas, muito discreto, muito técnico, e essa é a minha esperança.A minha esperança é aquilo que nós esperamos de qualquer ministro do STF: justiça, imparcialidade, discrição.Ele tem se conduzido, é cauteloso, não é afobado, não está usando instrumento político, a sua caneta e o seu cargo.Por que Malafaia não estará no 7 de Setembro da PaulistaEntrelinhas: Depois de cinco anos, pela primeira vez, o senhor vai ficar longe da organização do 7 de Setembro na Avenida Paulista. O que o motivou a se afastar do ato neste ano?Malafaia: Quem pediu para eu fazer organização dos atos na Paulista foi Jair Messias Bolsonaro, porque, com todo respeito, apesar das minhas falhas, eu conheço organização de atos. Eu tenho gente para botar ordem, para não virar bagunça. Todo mundo quer subir no trio, todo mundo quer falar, e eu era mão de ferro. Não sou político. Dizia: “Não, não fala, não sobe”. E Bolsonaro ficava numa boa.Quando eu organizei o ato do 7 de setembro de 2024, Bolsonaro não era candidato a presidente. Era um ato político sem questões de conotação partidária. Agora, o ato na Paulista é partidário.Entrelinhas: Então a sua decisão não é uma crítica ao ato em si?Malafaia: É um ato do PL, eu não tenho nada contra, entendeu? Não tenho nada contra o ato.Por exemplo, eu não fui no evento do Flávio por ser um ato partidário.Quando o Bolsonaro foi candidato à reeleição, no ato da campanha dele, partidário no Maracanãzinho, eu também não fui. Eu não vou a atos partidários. Eu vou a manifestações públicas.A disputa pelo Senado e o embate com Sebastião CoelhoEntrelinhas: Temos visto vários candidatos se lançando ao Senado em diferentes Estados. No Distrito Federal, há nomes como Bia Kicis, Michelle Bolsonaro e Sebastião Coelho. O senhor teve uma troca de farpas com Sebastião Coelho. O que aconteceu?Malafaia: Eu gravei um vídeo para Michelle, dizendo: “Bolsonaro apoia as candidaturas de Senado em Brasília, de Michelle e Bia Kicis”.E eu queria dar um alerta: se a direita se dividir, vai eleger alguém da esquerda. Não adianta alguém dizer que é amigo de Bolsonaro, é bolsonarista, se está dividindo. Essa foi a minha palavra, mas ele perdeu a linha. Não sei o que aconteceu, a carapuça entrou com força, me atacou profundamente.E o pior: ele é um ex-desembargador, conhece lei, usou uma peça criminosa contra mim. Ele usou aquele vazamento que a Polícia Federal fez para tentar me atingir, quando apreenderam meu passaporte, que eu falei palavras chulas e duras contra Eduardo. Ele usou isso para me atingir. Isso é uma vergonha.E outra: ele fez várias edições, coisa que a esquerda, quando quer denegrir pessoas, usando o método da esquerda para tentar me denegrir."Pablo Marçal é uma farsa"Entrelinhas: Falando em divisão, o senhor mencionou também que já havia alertado Bolsonaro sobre Pablo Marçal. O que aconteceu naquela ocasião?Malafaia: Pablo Marçal é uma farsa, sabe? Ele é uma inteligência. É um dos caras mais bem preparados para usar rede social. E ele usa técnica.Ele soltou a notícia dizendo que tinha R$ 7 bilhões na declaração, depois ele vem dizendo que houve um erro digital.Isso tudo é programado. Esse cara não faz nada espontâneo. Tudo dele é profissional para atrair pessoas.Para mim, ele não vai ser candidato, porque ele está inelegível por oito anos.Entrelinhas: O senhor já havia feito críticas a Marçal durante a eleição municipal de São Paulo. Naquele momento, qual era a sua principal preocupação?Malafaia: Quando acabou o primeiro turno da eleição de São Paulo, eu fui um dos maiores na briga para desmascarar Pablo Marçal.Avisei a família Bolsonaro que ele ia dividir. Mandei vídeo, mandei áudio, botei para quebrar, avisei, alertei, dei bronca em Bolsonaro: “Esse cara vai dividir a direita”.O Senado pode mudar o jogo?Entrelinhas: Uma iniciativa recente colocou em evidência os candidatos ao Senado que defendem publicamente o impeachment de ministros do Supremo. A fotografia que aparece hoje é de uma quantidade muito pequena de candidatos que assumem abertamente essa posição. Como o senhor avalia esse cenário?Malafaia: Lamentavelmente, nós temos uma direita prostituta. Enquanto o povo brasileiro não tomar uma consciência política, de fato, vamos ter gente que se alinha ao Centrão. Os candidatos precisam, no mínimo, pregar a independência do Senado.Já é um grande feito, porque agora, no período eleitoral, eu entendo o medo de alguns. Porque os caras estão retaliando. Os caras estão jogando o pesado para deixar inelegível.Entrelinhas: O senhor acredita que uma maioria no Senado seria suficiente para levar adiante um impeachment de ministros do STF?Malafaia: Para votar um impeachment, seja de ministro do STF ou de presidente da República, tem que ter uma coisa chamada apoio popular.Se não tiver apoio popular, senador nenhum mexe, move. Apoio popular é o povo. O poder humano é do povo.Ninguém aguenta pressão do povo sobre Senado e Câmara. Não tem político que aguenta um povo pressionando.Para deixar claro: "Débora do Batom" foi o caso em que o povo teve o maior conhecimento da injustiça, então houve uma pressão popular e o que o Alexandre Moraes fez? Amenizou a pena.O voto evangélico em 2026Entrelinhas: As pesquisas apontam uma diferença importante entre o eleitorado católico e o evangélico. Os evangélicos tendem a ser mais conservadores. Como o senhor analisa essa diferença?Malafaia: Os evangélicos também são influenciados por questões econômicas e de segurança pública. Isso se soma ao pensamento cristão. Por causa disso, é um voto inclinado mais à direita.Porque a esquerda apoia aborto, apoia ideologia de gênero. Lula, na campanha passada, fez uma carta aos evangélicos contra aborto e defendendo a vida. Primeiro ato da ministra da Saúde de Lula foi derrubar a portaria de Bolsonaro que dificultava o aborto.E, no primeiro mês do governo Lula, ele tirou o Brasil do Pacto das Nações Antiaborto. Não engana mais os evangélicos. Não vai enganar mais.Entrelinhas: O senhor acredita que candidatos que tentam se aproximar do eleitorado evangélico sem terem, de fato, os mesmos valores acabam provocando uma reação negativa?Malafaia: Não adianta querer enganar o povo evangélico. Você não precisa dizer que é evangélico para ter voto.O que vai nortear o nosso voto são princípios. E outra: quando alguém tenta enganar o eleitorado evangélico, a indignação aumenta.VEJA TAMBÉM:"Gambiarra do STF": Ágape explica Vaza Toga 5