Com a Selic ainda em patamar elevado, as ações pagadoras de dividendos voltam ao radar dos investidores em busca de retornos acima da renda fixa. Em relatório, a Rico aponta que algumas companhias da Bolsa oferecem dividend yield superior à taxa básica de juros, mas alerta que a sustentabilidade dos pagamentos é tão importante quanto o percentual de retorno.Segundo os analistas, mesmo com os juros acima de 14% ao ano, ainda existem empresas capazes de entregar dividendos que superam o rendimento dos investimentos conservadores. Antes de se guiar apenas pelo dividend yield, no entanto, é fundamental avaliar se os proventos são recorrentes e se a companhia tem condições financeiras de mantê-los ao longo do tempo.O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic pela quarta reunião consecutiva, em 0,25 ponto percentual. Embora a decisão já fosse amplamente esperada pelo mercado, o comunicado adotou um tom mais cauteloso sobre os próximos passos da política monetária.No cenário-base da Rico, a expectativa é de uma pausa no ciclo de cortes após a redução deste mês, enquanto o Banco Central acompanha a evolução da inflação e os impactos dos cerca de R$ 200 bilhões em estímulos fiscais e parafiscais anunciados pelo governo.A projeção da corretora é de que a Selic encerre 2027 em 11,50%.Ações resilientes ganham destaque em ambiente de juros altosDe acordo com a Rico, juros elevados tendem a pressionar empresas mais endividadas ou dependentes de crédito para financiar suas operações. Em contrapartida, companhias com geração de caixa robusta e histórico consistente de distribuição de dividendos costumam atravessar esse cenário com menor impacto.Além disso, a renda fixa se torna mais atrativa quando os juros estão altos, o que pode reduzir o apetite por ações e pressionar suas cotações. Nesse contexto, o dividend yield pode subir mesmo sem um aumento nos dividendos pagos, simplesmente porque o preço da ação caiu.Por essa razão, os analistas ressaltam que um DY elevado pode representar tanto uma oportunidade quanto um sinal de alerta. Na avaliação da corretora, um dividend yield acima da Selic, por si só, não é suficiente para caracterizar um bom investimento.Além do indicador, é importante analisar a recorrência dos pagamentos, o nível de endividamento da empresa e a origem dos recursos distribuídos aos acionistas. Eventos extraordinários, como vendas de ativos ou reduções de capital, podem inflar temporariamente o rendimento dos dividendos sem indicar uma capacidade sustentável de geração de caixa.Estas ações pagam mais dividendos do que a SelicUm levantamento da Economatica, com data-base de 7 de agosto de 2026, identificou as ações do Ibovespa, do Idiv e do IBrX 100 que apresentam dividend yield superior à taxa básica de juros, considerando os proventos distribuídos nos últimos 12 meses.Entre os principais destaques estão a Syn Prop & Tech (SYNE3), com DY de 64,53%; a Grendene (GRND3), com 43,19%; a Vulcabras (VULC3), com 32,62%; a Log Commercial Properties (LOGG3), com 27,54%; e a Lavvi (LAVV3), com 27,26%.Os analistas, porém, fazem uma ressalva: o dividend yield dos últimos 12 meses pode ser influenciado por distribuições extraordinárias e, por isso, nem sempre reflete a capacidade recorrente de remuneração da companhia. Para minimizar esse efeito, o estudo também considerou a média do DY registrada entre 2023 e 2025, buscando identificar empresas com histórico mais consistente de pagamentos aos acionistas.A partir desse critério, apenas seis ações superaram 14%. Confira:TickerSetorDY Médio 3 AnosGRND3Têxtil21,68%VULC3Têxtil17,38%PETR4Petróleo e Gás17,29%PETR3Petróleo e Gás16,22%LEVE3Veículos e peças15,64%BRAP4Outros14,02%*Com supervisão de Juliana Américo