A IA já saiu da Big Tech: Coca-Cola, Ferrari e Visa estão a otimizar operações

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Durante os últimos anos, a narrativa de investimento em inteligência artificial esteve concentrada em empresas como a Nvidia, a Microsoft, a Broadcom e a TSMC. Os resultados apresentados por algumas das maiores organizações mundiais mostram, contudo, que a tecnologia está a expandir-se para praticamente todos os setores da economia.Segundo uma análise da Freedom24, a IA ainda não alterou significativamente os hábitos dos consumidores, mas já está a transformar as empresas: permite personalizar campanhas, antecipar a procura, otimizar operações, prevenir fraudes e desenvolver novos serviços. Coca-Cola usa IA para conhecer melhor os consumidoresA Coca-Cola é um dos exemplos desta transformação. No segundo trimestre, a empresa aumentou as receitas em 7%, para 13,4 mil milhões de dólares, enquanto as receitas orgânicas cresceram 6%. O volume de vendas avançou 5% e o lucro por ação subiu 16%, para 1,03 dólares.A empresa está agora a desenvolver um sistema global de marketing personalizado apoiado por inteligência artificial. Durante o Campeonato do Mundo de Futebol, recolheu mais de 25 milhões de novos perfis próprios de clientes, que deverão servir de base a campanhas publicitárias mais direcionadas.A IA permite ainda analisar mais rapidamente o comportamento dos consumidores e acelerar o lançamento de produtos. Índia, China, Estados Unidos e Brasil estiveram entre os mercados com melhor desempenho da Coca-Cola.Também a Procter & Gamble manteve um desempenho sólido. No exercício fiscal de 2026, as vendas aumentaram 3%, para 87 mil milhões de dólares, e o fluxo de caixa livre aproximou-se dos 20 mil milhões. A empresa distribuiu mais de 15 mil milhões de dólares aos acionistas através de dividendos e programas de recompra de ações. Ferrari cresce, mesmo vendendo menos automóveisNo segmento de luxo, a Ferrari aumentou as receitas trimestrais em 8%, para 1,94 mil milhões de euros, enquanto o resultado operacional cresceu 10%, para 605 milhões. O lucro líquido avançou 9%, para 463 milhões de euros.A fabricante conseguiu aumentar os resultados apesar de ter entregado menos veículos: 3.366 unidades, comparativamente às 3.494 registadas no mesmo período do ano anterior. O crescimento foi impulsionado pelo maior peso dos modelos de gama superior e dos programas de personalização, áreas que geram margens mais elevadas.A produção prevista para 2027 encontra-se já totalmente assegurada, segundo o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna. A empresa prevê agora receitas próximas dos 7,6 mil milhões de euros em 2026.Os resultados da Coca-Cola e da Ferrari apontam, assim, para a resiliência do consumo em segmentos distintos: dos bens essenciais aos produtos de luxo. Viagens, restauração e experiências mantêm procura elevadaO consumo de experiências também continua a crescer. A Royal Caribbean aumentou as receitas em 6%, para 4,8 mil milhões de dólares, e transportou 2,4 milhões de passageiros no segundo trimestre, um novo máximo histórico. A taxa média de ocupação dos navios atingiu 110%.A empresa está a investir em plataformas tecnológicas destinadas a personalizar a experiência de cada passageiro, aumentar o consumo a bordo e incentivar novas reservas.Na restauração, a Chipotle aumentou as receitas em 9,3%, para 3,3 mil milhões de dólares. As encomendas digitais já representam 38,3% das receitas totais. A empresa utiliza dados, ferramentas de análise e o seu programa de fidelização para prever a procura, otimizar a capacidade dos restaurantes e personalizar ofertas. Visa e Mastercard transformam a IA num novo serviço financeiroO impacto da inteligência artificial é particularmente visível nos pagamentos. A Visa aumentou as receitas em 14%, para 11,6 mil milhões de dólares, enquanto o volume de pagamentos cresceu 10% e as transações internacionais avançaram 13%.A Mastercard também registou um crescimento de 14% nas receitas, para 9,3 mil milhões de dólares. O volume de compras subiu 10%, os pagamentos transfronteiriços aumentaram 12% e o lucro líquido avançou 19%, para 4,4 mil milhões.Na Mastercard, a divisão Value Added Services, que integra soluções de cibersegurança, prevenção da fraude, análise de dados e identificação digital, aumentou as receitas em 20%, superando a evolução do negócio tradicional de pagamentos.A empresa está igualmente a desenvolver a plataforma Agentic Payments, apontada como um dos pilares da próxima geração de pagamentos apoiados por IA. A Visa, por sua vez, está a reforçar a aposta na inteligência artificial, nos pagamentos empresariais, nas transferências e nos serviços de valor acrescentado. O automóvel transforma-se numa plataforma tecnológicaNa indústria automóvel, a Tesla aumentou as receitas trimestrais em 26%, para 28,2 mil milhões de dólares, e entregou 480 mil veículos, mais 25% do que no período comparável.Ao mesmo tempo, o lucro operacional caiu 57% e o investimento mais do que duplicou, atingindo 5,8 mil milhões de dólares. A empresa atravessa o maior ciclo de investimento da sua história, direcionado para o Cybercab, a rede Robotaxi, o sistema Full Self-Driving, o robô humanoide Optimus e a infraestrutura própria de IA.Os fabricantes tradicionais seguem uma trajetória mais prudente. A Ford está a reduzir as perdas da divisão dedicada aos veículos elétricos, enquanto a estratégia FaSTLAne 2030 da Stellantis prevê acelerar o desenvolvimento de software, serviços digitais e tecnologias de inteligência artificial. A próxima vaga de crescimento poderá surgir fora da tecnologiaA primeira fase da inteligência artificial beneficiou sobretudo fabricantes de semicondutores, centros de dados e fornecedores de computação em cloud. A segunda começa a chegar às empresas que utilizam essa infraestrutura para transformar os seus próprios modelos de negócio.Para a Freedom24, as organizações capazes de integrar mais rapidamente a IA nos processos, melhorar a eficiência operacional e converter esses ganhos em melhores resultados financeiros poderão afirmar-se como os próximos líderes de crescimento dos mercados.O conteúdo A IA já saiu da Big Tech: Coca-Cola, Ferrari e Visa estão a otimizar operações aparece primeiro em Revista Líder.