Os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos registraram US$ 517,19 milhões em entradas líquidas na quarta-feira (19), no maior fluxo diário em três meses e meio, em meio à forte recuperação do mercado cripto.Segundo dados da SoSoValue, 8 dos 12 ETFs de Bitcoin tiveram captação no dia. O destaque foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 284,7 milhões em entradas líquidas. Na sequência vieram o ARKB, da Ark Invest e 21Shares, com US$ 77,7 milhões, e o FBTC, da Fidelity, com US$ 62,4 milhões.O fluxo foi o maior desde 4 de maio e ocorreu no mesmo dia em que o Bitcoin rompeu a faixa dos US$ 69 mil pela primeira vez em dois meses. Nesta quinta-feira (20), o BTC seguia em alta, negociado perto de US$ 69.500, com avanço de mais de 8% em 24 horas.O movimento também foi acompanhado por uma disparada mais forte do Ethereum, que subia quase 18%, para cerca de US$ 2.251. XRP e Solana avançavam perto de 10%, enquanto o mercado cripto como um todo acumulava alta de aproximadamente 8%.Recompra do Tesouro reacende apetite por riscoA principal explicação para a volta dos fluxos está na mudança de humor provocada pelo Tesouro dos Estados Unidos. Na quarta-feira, o órgão anunciou que vai ao menos dobrar o tamanho das operações de recompra de títulos de longo prazo, com vencimentos entre 10 e 30 anos, para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A medida começa em 9 de setembro e vai até 4 de novembro.A decisão foi apresentada como uma forma de dar mais liquidez ao mercado de Treasuries, depois de uma forte alta dos juros longos. Antes do anúncio, o rendimento do título americano de 30 anos havia chegado perto de máximas desde 2007; depois da medida, os juros recuaram, com o yield de 30 anos caindo para perto de 5,20% e o de 10 anos para cerca de 4,65%.Para Jeff Mei, COO da BTSE, a entrada de US$ 517 milhões nos ETFs de Bitcoin foi uma reação natural ao anúncio do Tesouro. Segundo ele, quando o governo sinaliza que pode agir para limitar a alta dos juros dos Treasuries, o dólar perde força, o apetite por risco volta e Bitcoin e criptoativos se beneficiam.Leia também: O que explica a alta do BTC para US$ 72 mil e a disparada de 18% do Ethereum e outras criptosEssa leitura ajuda a explicar por que o movimento não ficou restrito ao BTC. O anúncio foi interpretado por parte do mercado como um sinal de suporte de liquidez, ainda que não seja um programa clássico de afrouxamento monetário do Federal Reserve. Na prática, investidores passaram a buscar ativos que tendem a se beneficiar de juros mais baixos, dólar mais fraco e maior tolerância ao risco.A reação já havia aparecido no preço do Bitcoin na véspera. O BTC subiu para US$ 68.614, com alta de 5,8%, após a notícia sobre a recompra de títulos pelo Tesouro, enquanto o Ethereum superou US$ 2 mil e avançou 9%.Além do fator macroeconômico, o setor cripto também recebeu notícias positivas no campo regulatório. A SEC propôs a chamada Regulation Crypto Assets, um arcabouço específico para determinadas ofertas envolvendo contratos de investimento ligados a criptoativos. A proposta prevê duas isenções adaptadas: uma para captações de até US$ 5 milhões em quatro anos e outra para até US$ 75 milhões por ano, sujeitas a requisitos de divulgação.O ambiente político também ajudou. Em evento na Casa Branca, o presidente Donald Trump pediu que o Congresso avance com uma “versão justa” do Digital Asset Market Clarity Act, projeto que busca definir regras mais claras para a estrutura do mercado cripto nos Estados Unidos.Fluxo é institucional, mas ritmo pode não se repetirPara Rachael Lucas, analista de cripto da BTC Markets, a entrada nos ETFs não parece um movimento de varejo ou de traders tentando surfar a alta de curto prazo. Na avaliação dela, depois das saídas pesadas vistas entre maio e junho e dos fluxos mais instáveis em julho e agosto, um número dessa magnitude indica que grandes alocadores voltaram a tratar os preços atuais como pontos de entrada construtivos.Segundo Lucas disse ao The Block, esse tipo de dinheiro costuma vir de investidores com horizonte mais longo, estruturas de compliance e capacidade de balanço para movimentar volumes relevantes. Em outras palavras, o dado sugere que a demanda institucional por Bitcoin segue viva e pode absorver oferta quando o cenário melhora.Ainda assim, os analistas alertam que entradas desse tamanho não devem ser tratadas como novo padrão diário. Mei afirma que a continuidade dos fluxos vai depender de o programa de recompras do Tesouro ser apenas uma medida pontual ou o início de uma iniciativa mais duradoura. Também pesam no radar os próximos dados de inflação dos Estados Unidos e eventuais comentários do secretário do Tesouro, Scott Bessent, sobre a estratégia.A alta também foi acelerada por liquidações no mercado de derivativos. A disparada do Bitcoin acima de US$ 69 mil forçou traders vendidos a encerrar posições, criando um efeito de compra forçada. Segundo dados da CoinGlass citados pelo mercado, posições vendidas em cripto perderam cerca de US$ 2,7 bilhões em 24 horas, em uma das maiores limpezas recentes de apostas baixistas.Esse tipo de movimento pode impulsionar o preço rapidamente, mas também aumenta o risco de volatilidade se os compradores institucionais não continuarem aparecendo. Um segundo ou terceiro dia de entradas fortes nos ETFs seria visto como sinal de sustentação. Já uma reversão rápida recolocaria regiões anteriores, como US$ 64 mil, no radar como suporte.Entre os destaques fora do Bitcoin, o HYPE, da Hyperliquid, subiu forte após Trump afirmar que o presidente da CFTC, Michael Selig, trabalha para levar a plataforma de derivativos perpétuos aos Estados Unidos de forma totalmente legal e compatível com as regras. O token chegou a subir mais de 19%, enquanto o LIT, da concorrente Lighter, avançou mais de 23%.No curto prazo, o mercado passa a observar se o Bitcoin consegue sustentar o rompimento acima dos US$ 69 mil e transformar a entrada nos ETFs em uma tendência mais consistente. A alta desta semana mostra que o apetite institucional voltou a aparecer, mas a continuidade do movimento dependerá de liquidez, juros, dólar e sinais mais claros de regulação nos Estados Unidos.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post ETFs de Bitcoin têm maior entrada em 3 meses e captam US$ 517 milhões com alta do BTC apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.