Itaú BBA mantém aposta em BDR com potencial de valorização de 28%

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A Aura Minerals (AURA33) segue como uma das principais apostas do Itaú BBA no setor de mineração, mesmo após um primeiro semestre abaixo das expectativas. Em relatório após reunião com o CEO Rodrigo Barbosa e a diretora de RI, Natasha Utescher, o banco manteve recomendação de outperform (compra) para as ações e elevou o preço-alvo para o fim de 2027 para US$ 98 por ação da AUGO e R$ 169 por BDR da AURA33.A nova estimativa representa um potencial de valorização de cerca de 29%, segundo o banco. Apesar de ter reduzido as projeções de produção para 2026 e adotado uma visão mais conservadora para o preço do ouro no curto prazo, o BBA segue otimista com a capacidade da companhia de entregar crescimento e ganhos operacionais nos próximos anos.Recuperação operacional no radarPara os analistas, o principal gatilho para as ações da Aura será a recuperação operacional esperada para o segundo semestre de 2026, especialmente após resultados mais fracos em minas como MSG e Apoena.No caso da MSG, a companhia priorizou investimentos em desenvolvimento subterrâneo, renovação de frota e melhorias de infraestrutura, o que pressionou temporariamente volumes, teor de minério e custos. Já em Apoena, a exploração de áreas com menor teor durante o desenvolvimento da cava Nosde também afetou a produção.“Estamos mais otimistas com o desempenho do segundo semestre”, afirmam os analistas. A expectativa é de melhora sequencial em MSG, Apoena e Borborema, além de maior processamento em Almas e contribuição relevante de Aranzazu, beneficiada pelos preços elevados do cobre.O BBA projeta produção de 364 mil onças equivalentes de ouro (koz) em 2026, avançando para 420 mil koz em 2027 e 497 mil koz em 2028.Ouro perde força, mas cenário segue favorávelO banco também revisou para baixo suas estimativas para o preço do ouro entre 2026 e 2028. A projeção passou para US$ 4.400 por onça em cada um desses anos, ante estimativas anteriores entre US$ 4.500 e US$ 5.000.A mudança reflete a recente correção da commodity, influenciada por juros reais mais altos nos Estados Unidos, fortalecimento do dólar e menor apetite dos investidores.Ainda assim, o Itaú BBA mantém visão positiva para o médio e longo prazo. Segundo os analistas, fatores como compras contínuas de ouro por bancos centrais, diversificação de reservas internacionais, preocupações fiscais e riscos geopolíticos continuam sustentando os preços em patamares historicamente elevados.Valuation ainda atrativoMesmo após a valorização recente dos papéis, o banco avalia que a Aura continua negociando a níveis atrativos em comparação aos pares globais.A instituição destaca que a mineradora combina crescimento relevante de produção, retornos elevados sobre o capital investido, balanço desalavancado e potencial de remuneração aos acionistas.A projeção é que o lucro operacional medido pelo EBITDA alcance US$ 959 milhões em 2026, subindo para US$ 1,16 bilhão em 2027 e US$ 1,45 bilhão em 2028.“O pacote de crescimento continua atrativo, mas a execução passa a ser o principal fator para destravar valor”, diz o relatório. Na visão do Itaú BBA, caso a Aura consiga cumprir as metas de expansão e recuperação operacional, as ações podem reduzir o desconto em relação às grandes mineradoras do setor.