Esta semana, a Lua vai passar na frente de Antares (Alpha Scorpii), provocando uma espécie de “eclipse” dessa estrela supergigante de classe M que tem cerca de 883 vezes o raio do Sol e fica a 600 anos-luz da Terra.De acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org, o evento começa na noite de quinta (20), às 23h55 (pelo horário de Brasília), e termina quase às 4h da madrugada de quinta-feira (21). Embora o fenômeno não seja visível do Brasil, poderemos ver os dois corpos celestes muito próximos um do outro.Sobre a supergigante Antares:Antares é uma estrela supergigante vermelha de classe M, que fica no coração da constelação de Escorpião;É a 16ª estrela mais brilhante do céu noturno (embora às vezes seja considerada a 15ª, se os dois componentes mais brilhantes do sistema estelar quádruplo Capella forem contados como uma estrela); Junto com Aldebaran, Spica, e Regulus, Antares é uma das quatro estrelas mais brilhantes próximas da eclíptica;Tem entre 15 e 18 massas solares e cerca de 883 vezes o raio do Sol;Esse tamanho todo, combinado a uma massa relativamente baixa, dá a Antares uma densidade muito pequena;Se Antares fosse colocada no centro do Sistema Solar, a parte mais externa da estrela se encontraria entre a órbita de Marte e Júpiter. É uma estrela de variabilidade lenta, com uma magnitude aparente de +1,09.Representação artística da ocultação lunar de Antares. – Crédito: Tragoolchitr Jittasaiyapan – Shutterstock. Edição: Olhar DigitalAntares significa ‘o antagonista de Ares’, que é o deus da guerra na mitologia grega, sendo o deus Marte, para os romanos. Então, o nome Antares é uma referência ao brilho avermelhado da estrela que antagoniza com o brilho de Marte.Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital. Imagem da superfície da estrela supergigante vermelha Antares, a melhor do tipo já feita de outra estrela além do Sol – Crédito: ESO/K. OhnakaOcultação lunar de AntaresOcultações lunares só são visíveis de uma pequena fração da superfície da Terra. Como a Lua está muito mais perto do nosso planeta do que outros objetos celestes, sua posição no céu difere dependendo da localização exata do observador na Terra devido à sua grande paralaxe (diferença na posição aparente de um objeto em relação a um plano de fundo, tal como visto por observadores em locais distintos ou por um observador em movimento). A posição da Lua vista de dois pontos em lados opostos da Terra pode variar em até dois graus, ou quatro vezes o diâmetro da lua cheia.Isso significa que se a Lua estiver alinhada para passar na frente de um objeto específico para um observador posicionado em um lado da Terra, ela aparecerá até dois graus de distância desse objeto do outro lado do globo.Com base nas projeções geográficas e na análise das zonas de visibilidade desse evento astronômico, o fenômeno poderá ser acompanhado em diferentes etapas e condições conforme a localização do observador.Mapa mostra as regiões do planeta de onde será possível observar a ocultação lunar de Antares na madrugada de quinta (20) para sexta-feira (21) – Crédito: InTheSky.orgNo mapa acima, contornos distintos mostram onde o desaparecimento de Antares poderá ser visível (em vermelho) e onde será possível testemunhar seu reaparecimento (em azul). Os riscos sólidos exibem onde a ocultação provavelmente será visível através de binóculos a uma altitude razoável no céu. Os contornos pontilhados, por sua vez, indicam onde o evento ocorre acima do horizonte, mas pode não ser visível devido ao céu estar muito claro ou a Lua muito perto do horizonte. Leia mais:A Lua é um coronógrafo! Você sabe o que é isso?NASA encontra cratera de 18 metros aberta na Lua por foguete Falcon 910 curiosidades sobre a LuaPor que o Brasil não verá a Lua cobrir Antares?A fase em que a estrela é encoberta pela Lua, que corresponde ao seu desaparecimento, será visível principalmente no cone sul do continente americano, abrangendo grande parte do Chile, a região central e sul da Argentina, o Uruguai e as Ilhas Malvinas, além de setores da Antártica voltados para o Atlântico Sul. Já a etapa final do fenômeno, na qual Antares reaparece de trás do disco lunar, poderá ser observada no extremo sul do Chile e da Argentina, nas Ilhas Malvinas, nas Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, na remota Ilha Bouvet e em regiões do continente antártico.Por outro lado, em diversos outros locais o evento ocorrerá com os astros posicionados acima do horizonte, mas a observação direta será prejudicada ou inviabilizada pelas condições de iluminação do céu ou pela baixa elevação dos corpos celestes. No Brasil, o fenômeno não será visível por dois motivos principais:Ângulo de visão (paralaxe): Como a posição da Lua no céu muda dependendo de onde você está na Terra, do nosso ponto de vista ela passará apenas “raspando” ao lado da estrela, sem cobri-la.Altura no céu: Perto de 00h/01h da manhã, a constelação do Escorpião já estará muito baixa no horizonte a oeste, quase se pondo.Em locais como o sudoeste da África do Sul e partes dos oceanos Atlântico Sul e Antártico, a Lua estará muito baixa no céu. A própria atmosfera dificulta e distorce a visão da estrela nessa posição, tornando o fenômeno quase impossível de enxergar. O post “Eclipse” de Antares: Lua vai esconder uma das estrelas mais brilhantes do céu apareceu primeiro em Olhar Digital.