O furacão Lala atinge partes do Havaí com fortes ventos e chuva intensa, passando próximo às ilhas após ganhar força.Por volta das 17h no horário local (meia noite de domingo pelo horário de Brasília), o Lala se aproximou da Grande Ilha do Havaí, com o olho do furacão passando a cerca de 48 quilômetros de distância. Os ventos chegaram a 129 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC).Embora não seja esperado que o Lala toque o solo, seus impactos já são sentidos. Mais de 70% do condado do Havaí estava sem energia, segundo o Poweroutage.us. Leia Mais Imagem de satélite impressionante mostra o "monstro" Supertufão Bavi Venezuela: Região mais afetada pelo terremoto tem 60% da energia restaurada Vídeo: Redemoinho atinge câmera durante erupção de vulcão no Havaí Vídeos obtidos pela CNN mostram ruas inundadas pela chuva torrencial na Grande Ilha.O prefeito do condado do Havaí, Kimo Alameda, disse que foi registrado um número recorde de interdições de estradas e interrupções prolongadas no fornecimento de energia, em uma publicação no Facebook na noite de sábado.“As condições pioraram a tal ponto que a preocupação com a segurança das equipes responsáveis pelas estradas e pela energia fez com que os funcionários fossem orientados a recuar até que as condições melhorem”, disse ele, pedindo que todos os moradores continuem abrigados.O alerta de furacão continua em vigor, afirmou.As regiões sul da Grande Ilha devem ser as mais afetadas pelos ventos com força de furacão, já que a área está mais exposta ao núcleo interno do Lala.À medida que o Lala avança para o noroeste, sua maior ameaça é a chuva torrencial, que também pode provocar inundações repentinas nas outras ilhas havaianas. O Centro Nacional de Furacões alertou para inundações e deslizamentos de terra potencialmente fatais, especialmente em áreas de terreno íngreme.A tempestade despejará mais de 30 centímetros de chuva em grande parte da Grande Ilha, com volumes isolados superiores a 60 centímetros. Mais de 30 centímetros de chuva já caíram em Keanakolu nas últimas 24 horas. Em Hilo, 30 centímetros de chuva representariam mais de um mês de precipitação para a cidade.Também são esperados até 30 centímetros de chuva em partes de Maui, onde estão em vigor alertas de tempestade tropical. Lanai, Molokai, Oahu, Kauai e Kahoolawe também estão sob alerta de tempestade tropical.As ondas podem atingir mais de 3 metros, especialmente nas costas voltadas para o leste, onde está em vigor um alerta de ondas altas.A trajetória atual do Lala leva o centro da tempestade ao sul da Grande Ilha, mas seus ventos mais fortes ficam justamente na parte que passa sobre terra firme.Furacão Lala provoca fortes ventos e chuva intensa no Havaí • Reprodução/ReutersEsses ventos podem derrubar árvores e linhas de energia, um risco agravado pelo solo encharcado, que torna mais fácil a queda das árvores.À medida que a tempestade passa pelo Havaí, sua circulação próxima ao solo pode oscilar e se deformar ao encontrar o terreno montanhoso dos vulcões Mauna Loa e Mauna Kea. Isso pode deslocar o centro da tempestade para terra firme ou mantê-lo pouco ao largo da costa.A chegada de furacões ao continente — quando o centro do olho se desloca sobre a terra — ocorreu apenas algumas vezes nas ilhas havaianas nos registros modernos. O último sistema tropical a tocar o solo foi a tempestade tropical Olivia, em 2018, que chegou a Maui, no primeiro landfall registrado na ilha desde o início dos registros, na década de 1950.O último furacão a tocar o solo ocorreu em 1992, quando o Iniki, de categoria 4, atingiu Kauai, tornando-se a tempestade mais forte a atingir diretamente o estado já registrada. O Lala seria o primeiro furacão registrado a tocar o solo na Grande Ilha.O Lala também pode provocar uma elevação de 30 centímetros a 90 centímetros no nível da água do mar sobre áreas normalmente secas ao longo de partes da costa da Grande Ilha. Ondas grandes e perigosas já atingiram as costas voltadas para o leste e aumentarão ao longo do fim de semana, provocando ondas potencialmente fatais, correntes de retorno, inundações costeiras e erosão significativa das praias.Moradores do Havaí se preparam para os impactos do furacãoEm todo o Havaí, moradores foram para abrigos designados e lotaram supermercados para estocar alimentos e outros itens essenciais, enquanto autoridades de vários condados anunciaram fechamentos e se prepararam para uma possível chegada do furacão ao continente.Em Hilo, supermercados e postos de gasolina ficaram movimentados enquanto as pessoas estocavam itens essenciais, informou a afiliada da CNN Hawaii News Now. O condado do Havaí também está oferecendo sacos de areia aos moradores da ilha. Cerca de 130 pessoas haviam buscado abrigo neste sábado, segundo o prefeito.“É preciso tomar todas as precauções necessárias, certo? Então, são baterias, preparar seu kit de emergência, informar seus vizinhos, os kupuna (idosos)”, disse o prefeito Alameda mais cedo. “Certifique-se de que todos estejam seguros, porque nossa ilha é grande, temos comunidades pequenas e somos muito conectados.”A moradora do Havaí Maxine Totty-Hefley disse que vivenciar o primeiro furacão em décadas na ilha é “realmente surreal” e descreveu uma corrida aos supermercados na sexta-feira.“Ver as pessoas correndo, pegando comida e estocando as coisas. As lanternas acabaram, o papel higiênico estava quase acabando”, disse ela à afiliada da CNN KITV.Totty-Hefley disse que pretende ir para uma área mais elevada com seus animais de estimação.“Vamos colocar todos os cachorros, a comida deles e tudo mais no carro e levar para a casa de uma amiga da minha mãe”, disse ela à KITV.Muitas estradas no condado do Havaí estão fechadas devido a árvores e linhas de energia derrubadas e deslizamentos de terra, segundo o gabinete do prefeito do condado.“Enquanto as equipes trabalham duro para remover os destroços conforme as condições permitem, precisamos que todos os moradores e visitantes sigam todos os alertas, procurem abrigos seguros e fiquem longe das estradas”, disse Alameda.Moradores do Havaí se preparam para impacto de furacão • Reprodução/ReutersAutoridades do condado e a Guarda Nacional também discutiram o posicionamento antecipado de recursos em áreas que foram fortemente atingidas por tempestades no início deste ano, segundo a Hawaii News Now.Em Oahu, autoridades abriram oito áreas de abrigo para furacões, enquanto instalações públicas, como o Zoológico de Honolulu, foram fechadas.As autoridades pedem que os moradores tenham cautela com a aproximação do furacão. Em Kauai, autoridades alertaram para possíveis impactos como interrupções no fornecimento de energia e danos à infraestrutura de abastecimento de água.“As equipes do condado e nossos parceiros de resposta a emergências estão tomando medidas agora para estarem preparados, mas também precisamos que nossa comunidade faça sua parte, protegendo propriedades, verificando os suprimentos de emergência, mantendo-se informada e evitando viagens desnecessárias e atividades ao ar livre à medida que as condições piorarem”, disse o prefeito de Kauai, Derek S.K. Kawakami.Em Maui, instalações do condado foram fechadas, eventos foram cancelados e equipes de emergência se prepararam para os impactos.A tempestade provocou cortes generalizados de energia em todo o estado. Mais de 53 mil clientes estavam sem eletricidade na tarde deste sábado, enquanto o furacão se aproximava das ilhas, segundo o PowerOutage.us.Tempestades tropicais que se aproximam do Havaí normalmente encontram águas oceânicas mais frias antes de chegar às ilhas, mas o Lala permanecerá sobre águas mais quentes devido a uma onda de calor marinha em curso que se estende até a Califórnia e a um Super El Niño em desenvolvimento.O El Niño está contribuindo para aumentar o potencial de tempestades no Pacífico central neste ano, com temperaturas oceânicas mais altas e ventos mais fracos nas camadas superiores da atmosfera, que normalmente podem desestruturar as tempestades. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) prevê uma temporada acima da média no Pacífico central, com a expectativa de cinco a 13 ciclones.Entenda como mudanças climáticas deixam furacões e tufões mais fortes